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Como My Hero Academia reinventa o mundo dos super-heróis

My Hero Academia

Quer queiram admiti-lo ou não, o género dos super-heróis veio para ficar. Claro, tivemos a algumas propriedades desde o nascimento da indústria cinematográfica e televisiva, mas não com a mesma popularidade que vemos hoje em dia. Também com o receio de estagnação, temos vindo a obter uma maior variedade de temáticas que permitem refrescar o género. Querem um soap opera com adolescentes? Runaways! Querem ver como humanos reagem a um mundo cada vez mais super? Têm Powerless (se bem que esta caso em particular não correu tão bem quanto se pensava). Drama de espiões? Captain America: The Winter Soldier, Agents of S.H.I.E.L.D. ou Agent Carter saltam à mente. Querem propriedades que representem as minorias? Jessica Jones, Luke Cage, Black Lighting ou Black Panther são os melhores exemplos. Querem paródias? Podem conferir The Tick ou One Punch Man. Como podem ver, existem vários exemplos que permitem reescrever uma fórmula já habitual. Portanto, ainda há espaço para vermos uma série de super-heróis em que vemos jovens aspirantes a aprenderem a serem melhores heróis, e é aqui que My Hero Academia se qualifica!

(Existe uma forte probabilidade de esta crónica conter SPOILERS, por isso esperem um pouco de tudo. O que me lembra, também podem ler a nossa crítica à segunda temporada aqui mesmo)

Neste universo em particular, todas as pessoas possuem Quirks, o que os permite executar feitos impressionantes e com as maiores variedades. Manipulação dos elementos naturais, aumentar de tamanho, manipulação da gravidade, criação de explosões, super-força, super-velocidade, you name it! Em My Hero Academia, acompanhamos a jornada de Izuku Midoriya, um jovem adolescente que cresceu a idolatrar os super-heróis, nomeadamente o seu ídolo, All Might. No entanto, Midoriya possui uma grave desvantagem em comparação com os restantes: ele é completamente humano! Sem nenhum Quirk! Ou seja, sem qualquer tipo de poder. Isto leva a que, durante o seu processo de crescimento, Midoriya é alvo constante de bullying, especialmente por parte de Katsuki Bakugo, um prodígio capaz de gerar explosões com as suas próprias mãos.

Face a estas adversidades – de ser julgado por tudo e por todos por não possuir nenhum Quirk ou mesmo por ser alvo de bullying, e isto num mundo em que ter um Quirk é mais do que obrigatório – qualquer um deixar-se-ia ir abaixo; mas não Midoriya. Apesar disto tudo, o jovem ainda possui um sentido de justiça, de ajudar o próximo. É esta atitude que chama a atenção do seu ídolo, All Might, o que leva o herói lendário a aceitar Midoriya como seu protegido e sucessor do seu Quirk, One For All. Agora dotado de meio de um meio para concretizar o seu sonho de ser tornar num heróis, Midoriya vai encontrar várias provações pelo caminho, enquanto tentar manter o legado de All Might vivo!

Por onde começar? My Hero Academia, à primeira vista, tinha tudo para ser aquela típica série de anime sobre super-heróis com uma vertente mais humorística. Podia incorrer nos típicos clichés associados ao género. No entanto, a série vai muito mais além do que isso.

Ao vermos a sociedade do anime a reagir aos Quirkless, não deixa de transparecer aqueles tratamentos sociais que vemos nas minorias atuais. Nós, como sociedade, temos a péssima tendência de julgar tudo e todos com base nas diferenças, seja em termos de orientação sexual, cor de pele, enfermidades ou outros critérios. Mas depois somos presenteados com Midoriya, que nos relembra que as maiores surpresas aparecem em embrulhos estranhos. Apesar da sua desvantagem, o jovem não deixa de sentir admiração pelos super-heróis ou de estar ligado a este mundo. E isto vê-se quando encontramos o jovem a tirar notas sobre os super-heróis, a analisar as suas vantagens e as melhores ocasiões para as usar, ou as suas fraquezas e em que situações as evitar, ou a infinidade de combinações. Mesmo sem estar no ativo como herói, Midoriya está sempre disponível para tentar ajudar.

De certa forma, existe uma espécie de ligação entre Midoriya e os fãs da série. Já não nos encontrámos numa situação em que tínhamos um sonho e que, por alguma razão, não conseguimos cumprir? O trajeto inicial de Midoriya relembra-nos para nunca desistirmos desse sonho, mesmo que, para isso, tenhamos de apostar numa outra vertente. E depois, quem sabe, o sonho nos acontece como de surpresa.

Mas a série não vive apenas de Midoriya, já que conta com todo um elenco de personagens secundárias surpreendentemente sólidas. Por exemplo, Bakugo pode ser considerado aquele típico bully, quando na verdade apenas quer sair da sombra dos maiores; Ochaco Uraraka tinha tudo para ser aquela típica crush, mas esta possui motivações mais que compreensíveis sobre a sua razão para se tornar numa heroína; Tenya Iida, dotado do Quirk Engine, que se mostra um aliado inteligente que se motiva por admiração pelo seu irmão, Tensei. Mas também temos direito a personagens trágicas, como Shoto Todoroki, um dos poucos prodígios e que conta com o Quirk Half-Cold Half-Hot, que lhe permite controlar os elementos de fogo e gelo. No entanto, o jovem é visto mais a usar o elemento do gelo inicialmente, com a segunda temporada a conceder um contexto para essa sua motivação.

Claro que existem outros elementos a reter em conta e que se tornam no chamariz de My Hero Academia. Mas se querem tirar as vossas conclusões, fica o convite para conferirem as duas temporadas, antes de a série regressar para a sua terceira temporada já no próximo mês. Garanto-vos, não se irão arrepender!

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