Cinema Críticas

Crítica: Paddington 2

Título original: Paddington 2

Título: Paddington 2

Realizado por: Paul King

Elenco: Ben Whishaw, Hugh Grant, Hugh Bonneville, Sally Hawkins

Duração: 103 min.

Sanduíches de compota, prisão, fofura e alegria. Tudo junto num filme acessível que irá deliciar miúdos e graúdos. Mas se não tiverem filhos (e mesmo se não puderem pedir emprestado), não queiram perder a nova história do ursinho mais famoso do mundo, Paddington 2.

Entre o clima frio, Paddington 2 é o estimulante que todos procuramos: doce, engraçado, e com um otimisto persistente que nos vai deixar mais quentes e acolhedores por dentro. Por outras palavras, é que o filme que precisamos para esta primavera.

Da última vez que vimos Paddington (voz de Ben Whishaw), este deixou Perú apenas com um preocupante “problema de marmelada” e o seu distinto chapéu vermelho. Mais tarde, chegado à estação Paddington, em Londres, foi adotado pela família Browns. Parece que a sua sorte mudou, até que este raro urso chama a atenção de um taxidermista.

Desta vez, em Paddington 2, encontramos o ursinho carinhoso acomodado numa confortável vida com os Browns (já safo das grandes aventuras passadas) –  Mary (Sally Hawkins), Henry (Hugh Bonneville), Judy (Madeline Harris) e Jonathan (Samuel Joslin) – enquanto juntam dinheiro para comprar um livro antigo de Londres para a sua Tia Lucy (voz de de Imelda Staunton). Infelizmente, um homem desonesto chamado Phoenix Buchanan (Hugh Grant) rouba o livro, levando Paddington a ser preso injustamente. Por isso, juntamente com os Browns, partem numa aventura para desmascarar o verdadeiro ladrão.

Embora não necessariamente ousada, a trama torna-se interessante, mesmo para adultos!, quando faz escolhas que fogem do óbvio, colocando o ursinho em situações que, embora um pouco previsíveis, certamente são inesperadas. E se os pequenos absurdos na história funcionam, é porque todo o elenco demonstra estar completamente à vontade com os papéis atribuídos, por mais estranhos que  possam parecer.

Trata-se, sem sombra de dúvida, de um filme para toda a família, uma história cativante sem aquela forma hollywoodesca de arranjar mil e uma referências de não fazer os pais adormecerem no cinema. Feito com carinho, é impossível assistir ao filme e não ser afetado pela sua agradável aura. Se a palavra “inofensivo” soar como um adjetivo negativo nos dias de hoje, a pequenina obra transforma essa palavra no seu hino, tornando-se um dos filmes mais adoráveis da década.

Sem um pingo de cinismo, Paddington 2 transmite mensagens de tolerância, amizade e lealdade. E estas características são tão centrais para a personagem de Paddington que o filme, positivamente, não só goteja um cheiro adocicado de uma deliciosa marmelada, mas também uma profundidade emocional.

Embora à sua maneira, Paddington é um herói tão justo como Capitão América ou Mulher Maravilha – uma alma sincera, de coração puro, que faz com que toda a gente à sua volta seja melhor, apenas ao ser ele mesmo.

Tudo o que este filme pede é a vontade de nos sentarmos e nos divertirmos por pouco menos de duas horas. E sim, nós sabemos que uma aventura com um urso pode parecer uma improvável fonte de alegria. Mas Paddington nunca julgaria um livro pela capa. E nós também não deveríamos. Se todos nós pudéssemos ver o mundo como ele o vê…

Trailer | Paddington 2

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