Cinema Críticas

Crítica: Annihilation

Aniquilação

Título original: Annihilation 

Título: Aniquilação 

Realizador: Alex Garland 

Elenco: Oscar IssacNatalie Portman, Jennifer Jason Leigh, Tessa Thompson, Benedict Wong

Duração: 1h55m

O nome de Alex Garland não é novo para os fãs de ficção científica. O cineasta (Ex Machina  (2014), vencedor do Óscar de melhores efeitos visuais) tem também uma longa carreira como argumentista, tendo colaborado em Dredd  (2012). Regressa agora com mais uma fornada do género, com Aniquilação. Adaptado do primeiro livro da trilogia de Jeff VanderMeer, ‘Southern Reach Trilogy, o filme acompanha a jornada de Lena (Natalie Portman), uma bióloga ex-militar, agora professora no ensino superior, que sofre com o desaparecimento do seu marido, Kane (Oscar Isaac) numa missão sobre a qual nada chegou a saber.

Acontece que, volvido um ano, Kane regressa, contrariando um luto já assumido e aceite. Mas ainda que o homem habite o mesmo corpo de sempre, o espírito, esse é outro. Como se a pessoa retornada não fosse a mesma. É quando Lena decide partir a investigar a área X, o alegado local onde “quem entra não sai”, que lhe devolveu o marido desfeito em fragmentos de morte e que representa uma ameaça para a humanidade.

O “passeio” pela área X é confuso e misterioso desde início, sendo que a sensação de estranheza vai crescendo nas jovens exploradoras e no espectador. A zona parece e é um mundo à parte, onde as mutações genéticas são uma constante, não tardando a que as várias mulheres comecem a evidenciar sinais de impaciência e medo. Lena é acompanhada nessa missão pela Dr.ª Ventress, psicóloga e líder da missão (Jennifer Jason Leigh), Anya Thorensen, paramédica (Gina Rodriguez), Josie Radek, física (Tessa Thompson) e Cass Sheppard, geóloga (Tuva Novotny). E aqui entro naquele que julgo ser o primeiro ponto fraco do filme: as personagens.

Natalie Portman está bem, o que não constitui qualquer novidade. Mas o talento do restante elenco é pouco aproveitado, uma vez que as personagens não são exploradas nem desenvolvidas. Não conseguimos notar o desgaste físico e emocional das secundárias, o que seria de esperar num filme com estes contornos. Uma vez que mesmo se centra quase exclusivamente na personagem principal.

Penso que, neste caso, teria sido uma mais-valia levar o espectador “à loucura”, também ele, visualizando como as personagens se viram umas contra as outras e vão progressivamente perdendo a sua sanidade mental. Isto resulta num produto final que deixa a desejar e que peca por uma edição defeituosa.

Os fãs de Ficção científica ficarão, certamente, “satisfeitos” com Aniquilação. O filme conta uma história interessante (não nova, mas interessante), sobre a condição humana, sobre o facto de não habitarmos sozinhos na imensidão do Universo, sobre as eventuais pretensões dos nossos “vizinhos”. Quem são, afinal, os maus da fita? Somos confrontados com a nossa impotência e a nossa pequenez perante a imensidão do Universo.

Mas é impossível ignorar as tremendas falhas do projecto. Falhas a nível do argumento, para começar. Não quero dar SPOILER relativamente a estas mesmas falhas, por isso não as vou enumerar aqui, mas posso dar dois ou três exemplos flagrantes que, a meu ver, constituem falhas de guião (a nível técnico/científico).

Como é que as jovens entram num local supostamente perigoso, letal, sem qualquer tipo de protecção além dos fatos militares? Como é que a recolha dos eventuais elementos para estudo se faz sem luvas, pinças, etc…? Como é que, depois de serem atacadas por um crocodilo mutante estas jovens escolhem fazer uma travessia por um lago pantanoso, num barco a remos?

E depois é a própria postura técnica do filme. A linguagem visual. Ok, temos uma boa trilha sonora. Ok, temos paisagens interessantes e uma fotografia simpática. Mas na minha opinião o trabalho de câmara é desinteressante e os planos são desinspirados, não acompanhando a sonoridade. O filme só não se torna mais aborrecido porque o espectador está, de facto, ansioso, para saber o que o aguarda no tal “Farol”, porque a nível técnico deixa bastante a desejar.

Aniquilação oferece-nos muito menos do que seria de esperar. Muito menos do que é capaz. Ainda assim o final, de narrativa aberta à reflexão não deixa de ser moderadamente interessante. O filme tropeça várias vezes, levanta-se outras. Não surpreende, não desilude irremediavelmente.

É mais uma produção que nos faz reflectir sobre a nossa posição no Cosmos, enquanto seres humanos mas não julgo que passe disso.

Trailer – Annihilation

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