Cinema Críticas

Crítica: Una Mujer Fantástica

Título Original: Una Mujer Fantástica

Título: Uma Mulher Fantástica

Realizado por: Sebastián Lelio

Elenco: Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco

Duração: 104 min.

Una Mujer Fantástica é um estudo sobre a mágoa de perder alguém que nos é querido. O que o torna tão peculiar, contudo, é observarmos tudo isto sob a perspetiva de uma transsexual, numa sociedade que ainda está a aprender a se educar.

Amor, perda e descoberta são as palavras-chave da obra de Lelio, que surpreendeu no ínicio do mês, ao levar para o Chile, o oscar de melhor filme estrangeiro. Daniela Vega interpreta Marina (ou Daniel, como às vezes a tratam inoportunamente), uma cantora de bar que mantém uma relação com um homem consideravelmente mais velho, Orlando (Francisco Reyes).

À primeira vista até se trata de um casal dito convencional, ou melhor, o que se evidenciaria numa primeira instância seria a diferença de idades e como é que um homem com um aspeto tão nerd acabou com uma mulher tão excêntrica. Contudo esta não é uma história sobre como o contraste de idades começa a afetar esta relação. Na verdade, algo pior acaba por acontecer.

Subitamente, Orlando sente-se mal e morre com um aneurisma. Marina ainda tentou lutar contra o tempo e levar o seu amado, o mais depressa que conseguiu, até ao hospital mais próximo mas toda a sua correria foi em vão.

O que se segue é um conflito entre diferentes estados de espírito. Enquanto Marina só quer estar de luto pelo homem que amava, uma série de situações constrangedoras vão acontecendo. Primeiro com a família de Orlando, que é incapaz de aceitar o que se passava entre o seu ente querido e uma mulher trans. E depois com a própria polícia. Apesar de haverem algumas circunstâncias anómalas na morte do senhor, nota-se claramente uma vontade de humilhar, por parte das entidades de poder.

No fundo, trata-se de uma história sobre o desprezo que ainda é habitual assistirmos nas ruas perante todos aqueles que fogem ao, dito, vulgar. Numa sociedade em que cada vez mais se torna difícil nos identificarmos é pertinente discutir a discriminação e a desigualdade de géneros. Saliento que, tem-se tornado moda discutir isto, e daí terem se verificado até alguns fracassos colossais que perdem claramente toda a sua essência mas, Una Mujer Fantástica destaca-se pelo positiva. É humilde e realista e apela-nos ao nosso lado mais humano.

Nota positiva também para o trabalho de realização. O contraste entre escuridão e luzes cria um espetáculo bonito nas nossas telas. E é de referir, também, a simetria que nos vai sendo apresentado e que ornamenta ainda mais o filme.

Una Mujer Fantastica surge no momento ideal. A sétima arte tem sido bombardeada recentemente com filmes que ensaiam as várias realidades do amor, num momento em que, a sociedade ainda está a (re-)aprender a amar. Mais do que uma mulher fantástica, este é um filme fantástico.

Trailer | Una Mujer Fantástica

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