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1986 – 1×02 – A Bordo do Challenger

1986: Challenger

Voltamos a 1986 para embarcar A Bordo do Challenger. O vaivém, carrega o sonho de Marta (Laura Dutra): ser astronauta. Tiago (Miguel Moura e Silvacontinua a sua busca pela verdade sobre como é o interior das mulheres. Sérgio (Miguel Partidário) quer ajudar o amigo, mas o seu conceito de “interior das mulheres” é menos espiritual e ele tenta encontrar respostas na revista Gina

O episódio 1986 – 1×02 – A Bordo do Challenger

!Spoilers (para evitar, faça scroll até à conclusão)!

Marta, aluna de responsabilidade e qualidade, recebe do Professor Zé (Simon Frankel), para seguir o seu sonho de ser astronauta. Infelizmente, o sonho da jovem Marta colide com o do pai. Fernando (Gustavo Vargas)  prefere que a filha passe mais tempo na Terra, nomeadamente a gerir o negócio do Video-clube. “É o Futuro”, diz ele com toda a sua sabedoria e conhecimento do mercado.

Também Tiago tem um pequeno choque de interesses com o pai. Eduardo (Adriano Carvalho) está indignadíssimo com o destaque que é dado ao vaivém Challenger dos Estados Unidos em face das poucas notícias que saem sobre a MIR da União Soviética. “Sempre de perna aberta para o Tio Sam”, acha o pai. “Se calhar é porque o Challenger parte hoje e a MIR é só daqui a uns meses”, acha o Tiago. Eduardo não se deixa convencer.

Quer Marta, quer Tiago ficam abalados com o trágico final que teve a expedição do Challenger. “Mulheres com trabalho de homem… É o que dá!”, atira a conservadora Conceição, avó da Marta. Mas o Tiago tem problemas maiores. O auto-procalamado DJ Top Jackpot vai passar música na festa do pai da Marta, que ele ainda não sabe que é para o partido do Freitas do Amaral, mas não tem discos… Portanto a coisa tem tudo para correr bem e até o sempre prestável Sérgio está sem ideias para o ajudar.

!Fim de Spoilers!

Conclusão sobre 1986 – 1×02 – A Bordo do Challenger

O primeiro episódio da série não gerou grande consenso entre os espetadores. Embora tenha gostado, preferi esperar por este episódio para melhor formar a minha opinião.

A série é, no global, muito interessante. Claro que ele cai em vários clichés que estamos cheios de ver e conhecer de outras séries, sobretudo séries que se passam nas décadas de 80 e 90. Mas, como já disse em críticas anteriores a outros trabalhos, os clichés não são o diabo. Usados da forma certa, são importantíssimos.

Em 1986 temos uma prova disso. A luta entre cromos e betinhos é tão antiga e batida como a história de Romeu e Julieta. Já a vimos a funcionar em coisas tão diferentes como o Titanic e os Morangos com Açúcar… E a verdade é que funciona. Se ainda por cima pegarmos no mais cromo dos cromos e o fizermos apaixonar pela mais bela das betinhas, então aí… Mas o importante são os pormenores dessa história. Não o fim, mas o caminho. E é por aí que 1986 ganha. A forma como se dá esta corte entre o Tiago e a Marta. A inocência deste relacionamento que já o é, antes de o ser, e a forma meio pateta de como ele está disposto a tudo por ela cativaram-me de forma definitiva.

Há também os outros personagens. Cada um um estereótipo diferente que quem vivei nos anos 80 e 90 pode associar a um amigo que teve. Eu sei que posso. E até posso olhar para os personagens e identificar-me a mim mesmo num deles. É este o grande valor da escrita de Markl. Realista, simples e cómica.

A aliar a isto, há toda uma estética e um imaginário de coisas que causam uma nostalgia muito positiva. Desde as roupas, à revista Gina, passando pelas músicas, a série é também o retrato de uma época marcante para quem a viveu.

É também uma excelente ferramenta para mostrar aos “millenials” como era a vida antes do telemóvel e das redes sociais. Podem não gostar da série, dos actores ou do Markl. Mas que ela serve pelo menos para isto, lá isso serve.

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