1986 Frame by Frame TV

1986 – 1×01 – Tarzan Boy

1986: Tarzan Boy

Já anunciada em meados do ano passado, 1986 chega finalmente aos nossos ecrãs depois de muita antecipação, nomeadamente nas redes sociais, como é normal de um projecto saído da cabeça de Nuno Markl.

A premissa da série é uma viagem no tempo até ao ano que lhe dá título (1986) em pleno período eleitoral da mais intensa e disputada eleição presidencial do País. Mário Soares (o “Bochechas”) e Freitas do Amaral (o “Facho) disputavam o lugar e o país dividia-se na escolha.

No meio do turbilhão eleitoral, encontramos os personagens desta série. O grupo principal, os adolescentes Tiago (Miguel Moura e Silva), Sérgio (Miguel Partidário) e Patrícia (Eva Fisahn), estão fora desta luta, pelo menos directamente.

Eduardo (Adriano Carvalho), pai de Tiago, está doente! O Partido Comunista está fora da segunda volta e, para salvar o país do “Facho do Freitas” vai ter de votar nos “Bochechas”.

A escolha de Tiago, essa já está feita: Marta (Laura Dutra) a bonita rapariga loira da escola é a paixão do protagonista. As tentativas de aproximação do Tiago à Marta foram um dos principais momentos do episódio. Digamos que o Tiago (e até mesmo o Sérgio) têm uma estratégia muito própria de se aproximar das raparigas: a música. Infelizmente, nem sempre têm os resultados pretendidos e, a julgar pela forma como termina o episódio, mesmo quando parecem ter, a coisa pode não correr tão bem como pensam.

Percebe-se que uma boa parte da acção da série irá gravitar em torno da relação do Tiago e da Marta. O “cromo” apaixonado pela “princesa”, é um dos mais antigos clichés. Mas este tem um toque de realismo e naturalidade conferido pela simplicidade da personagem do Tiago que, arrisco dizer, bebe muito daquilo que é da experiência pessoal do criador da série. Além disso, toda a gente da geração dos anos 80 facilmente conheceu ou foi um “Tiago” que esteve apaixonado por uma “Marta”.

Conclusão sobre 1986: Tarzan Boy

Com todo o hype que esta série teve e nos foi apresentada durante estes últimos meses, certamente que uma boa parte do público estaria à espera de mais. Na minha opinião, o truque com a ficção nacional é não esperar nada e manter a mente aberta. Se não o fizermos e entrarmos em comparações com outras produções internacionais de maior envergadura, que até aceito que sejam inevitáveis, estamos a cometer um erro.

No caso deste episódio em concreto há duas coisas a jogar contra 1986. Por um lado, acho que o peso da antecipação pode ser nocivo para o episódio inaugural. Por outro lado, percebe-se facilmente que Tarzan Boy é o típico episódio introdutório que faz isso mesmo. Introduz o tema e os personagens sem desvendar muito. E como episódio inicial funciona muito bem. Percebe-se o potencial das personagens, o potencial do tema e da narrativa.

Decisões mais definitivas sobre a qualidade da série como um todo têm ser adiadas para os próximos episódios. Mas para já gostei do que vi e do que ouvi. Sim, porque a banda sonora desta série é do melhor que há a nível nacional.

Sinal mais para a RTP que optou por disponibilizar a série toda de uma vez no RTPPlay. Um reforço na aposta da plataforma digital que é uma mais valia para a ficção nacional.

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