Cinema Críticas

Crítica: The Outsider

The Outsider

Título original: The Outsider

Realização: Martin Zandvliet 

Elenco: Jared Leto, Tadanobu Asano, Emile Hirsch, Shioli Kutsuna, Rory Cochrane 

Duração: 120 min.

Não é de agora que temos ouvido falar deste filme, principalmente depois de Tom Hardy ter sido apontado como o protagonista desta longa, juntamente com outro realizador que não Zandvliet. Feliz ou infelizmente, nenhum dos dois se manteve no projeto. Se o comandante das operações atrás da câmara, me é desconhecido, o novo protagonista não, de todo. Jared Leto cada vez mais tem cimentado o seu nome na indústria do cinema e foi talvez ele o maior motivo de interesse por este filme.

Aqui, vemos a história de um soldado americano preso numa cadeia japonesa, que acaba por travar conhecimento e amizade com o colega de cela, membro da yakuza, a máfia do Japão. Este promete que se ele o ajudar, juntamente com a sua família, o tira dali. Nick (Leto) assim o faz e volta a respirar ar puro. Mas agora terá de pagar a sua dívida e tornar-se ele também um membro daquela organização. Será possível sobreviver um estrangeiro no meio deles?

A premissa parece extremamente interessante se tivesse sido bem desenvolvida. O argumento acaba por ser fraquinho a maioria do tempo e o filme não foge dos lugares comuns que estamos habituados a ver neste género. Ora bem, temos a irmã do homem que o ajudou, com quem ele se acaba por envolver, o velho que manda naquilo tudo que o adota ou o irmão invejoso que se quer vingar por um “forasteiro” lhe ter tirado tudo… parece que já vimos isto tudo certo?

A tensão que devia existir só acontece em alguns momentos e não vejo aí mérito do guião, mas sim da câmara. O filme não desenrola durante a maior parte do tempo e tem vários momentos que se estivéssemos distraídos a mexer no telemóvel, não nos faria falta e, por isso, acaba por não ser a experiência ritmada que fazia prometer no trailer.

O elenco japonês cumpre na perfeição aquilo que lhe é proposto e Tadabonu Asano consegue encher o ecrã e fazer-nos criar empatia com a personagem. Leto, continua para mim, a ser o melhor ao longo dos minutos. Que ele é maravilhoso, penso que ninguém tem dúvidas, mas mais uma vez consegue trazer-nos um personagem contido, de poucas palavras, que nos diz e entrega tudo com o olhar. É difícil ver um ator falar tanto com os olhos como ele! Acredito que haja pessoas que digam que ele poderia dar mais, mas não, neste filme não podia.

A trama acaba por caminhar pela superfície, não se atira de cabeça a nada e tudo que envolve o Oriente/Ocidente não tem o impacto pretendido. É apenas um filme com muito sangue, com situações previsiveís e clichés, que acaba por ganhar pela fotografia e pelo carisma dos atores principais, que levam o filme às costas.

Não é péssimo, é agradável de se ver, com cenas que conseguem fazer-nos vibrar, mas não é inesquecível. É talvez algo que daqui a uns tempos vamos falar como “O filme do Jared com os japoneses” e isso não é bom. É algo triste que a Netflix traga cada vez mais séries incríveis e que marcam o panorama da TV, mas que as suas tentativas no que se refere ao cinema saiam furadas e ao lado do que se seria de esperar. Quantidade não significa qualidade, meus amigos!

TRAILER – THE OUTSIDER

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