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The Walking Dead – 8×10 – The Lost and the Plunderers

Depois da espectacularidade que foi o episódio anterior de The Walking Dead (Honor), a missão de replicar ou tentar manter o nível, não era fácil.
No entanto pode-se dizer que The Lost and the Plunderers foi um passo na direção certa.

Estou farto de salientar a desorganização pela qual a série passou e na altura, um dos factores que considerei chave para tal, foi o excesso de personagens e narrativas inseridas a pontapé. Todavia, antes de avançar para aí, quero ressalvar a forma como o episódio foi estruturado.

Com este episódio, houve uma tentativa de organização mais artística, dividindo a história em várias passagens focadas em personagens “chave”, a nível de narrativa e tempo de câmera.
Michonne. Negan. Enid. Simon. Sadis. Rick.

Destas 6 quero ressalvar 2 em particular, Simon e Sadis.

Simon.
Com todo o reboliço dos últimos episódios, Negan foi provavelmente a personagem que mais saiu a perder. Perdeu controlo, perdeu recursos humanos, perdeu recursos (no geral) e perdeu respeito.

Simon é a personificação do respeito que Negan perdeu e face à sua vulnerabilidade, após ter perdido tudo o que enumerei acima. Isto deu origem numa subordinação e por sua vez omissão de Simon para com Negan.
Tudo isto levanta a dúvida se Simon se está a aproximar da reta final, se Simon vai criar conflito com Negan e debilitar ainda mais os Saviors ou simplesmente se este acho que Negan está a ficar “mole” e quer assim tomar o controlo dos Saviors

Sadis.
O pessoal do lixo nunca foi nada que trouxesse valor acrescentado à série. A sua presença era repugnável e utilidade nula. Voltando atrás, onde referi a confusão por excesso de personagens/narrativas, esta da malta da lixeira e a malta da lixeira em si, foram a principal. Mas Sadis…

Sadis é uma personagem misteriosa e reservada, mas ao mesmo tempo criativa e com estofo para liderar. É aquela personagem que pondera qual a decisão mais acertada e no momento de a tomar, não treme, transmitindo sempre uma sensação de certeza naquilo que faz. O problema era mesmo o seu “povo” e a forma como a narrativa foi apresentada. Para além de enfadonha, sempre foi muito pouco objectiva.

Neste episódio foram dois coelhos de uma só cajadada. Eliminaram o que ofuscava o potencial de Sadis e mantiveram Sadis viva por algum motivo (não posso deixar de sentir que Sadis bem aproveitada, ainda vai ter muito para oferecer à série e trazer surpresas).

Ainda que Simon e Sadis tenham sido as “passagens” que mais podem oferecer à série, Rick foi sem dúvida a mais bem tratada.

Rick.
Acho que é claro o motivo pela qual Rick é a passagem mais bem tratada deste episódio. Carl apesar de já não estar presente, continua a mexer com as personagens e neste episódio chegou a vez de Negan. Carl era o Negan’s Favorite e por algum motivo Carl deixou uma carta para Negan.

O motivo era a paz.

Se nos metermos na pele de Negan (assumindo que o vilão é Rick), conseguimos encontrar mais “Carl” do lado de Negan do que do lado de Rick.
No final deste episódio, Negan faz Rick ver e sentir isso, momentos após a Rick ir contra tudo o que Carl lhe pediu. Oh, the irony

Aparte disto, quão fantástica foi o diálogo emocional entre Rick e Negan? Não só vimos humanidade em ambas as personagens, como o vimos em simultâneo.

O lado paternal de Rick, sempre foi bem desenvolvido ao longo da série, mas neste episódio ficámos a conhecer o lado paternal de Negan. Sim, porque apesar de Rick ser o pai de Carl, Negan demonstrou que também o via como um filho.

No geral e para terminar, sinto que apesar das passagens terem sido bem feitas, eram desnecessárias caso The Walking Dead não tivesse sido a confusão que foi em episódios passados.

E apesar deste episódio não ter sido tão bom como o anterior (e acho que nunca mais nenhum vai roubar o trono a Honor), conseguiu mais uma vez puxar pelo lado emocional das personagens relevantes para a história (especialmente Sadis) e isso é óptimo, porque a missão de voltar a cativar a fan base astronómica que teve, está longe de estar completa.

P.S. – A banda sonora continua a complementar a história na perfeição. Rendido nesse aspecto!

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