Frame by Frame The Walking Dead TV

The Walking Dead – 8×09 – Honor

The Walking Dead has gone with a BANG, and came back with a BIG BANG!

Chandler Riggs prometeu que How It’s Gotta Be não ia ser a sua última participação em The Walking Dead e assim foi, para o bem da série.

Referi que How It’s Gotta Be tinha sido o episódio mais emocional da série, até então. Honor chegou para reclamar esse título, com muita mestria.

The Walking Dead tinha vindo a sofrer de um problema grave no final da temporada anterior e no início desta, que se prendia com uma extrema desorganização na sequência de acontecimentos, complementada pela ausência de explicações/justificações para tudo o que de “espectacular” acontecia.

Isto roubou muito do dinamismo e emoção que a série oferecia. Nestes últimos 2 episódios essas falhas foram colmatadas com uma porrada de informação que fez com que tudo ficasse explicado e fizesse sentido.

Quem está à frente da série, não pode oferecer uma sequência de 6 episódios assim (1 mês e meio!) como o fizeram e esperar que tudo corra bem, mesmo sabendo que iam conseguir unir todas as pontas soltas com sucesso.
Hoje em dia, o típico fã de séries acompanha um bom punhado delas. Logo, 1 mês e meio de episódios da treta de determinada série, torna muito fácil a decisão de desistir dela e nunca mais voltar a pegar nela. Ser subscritor da Netflix ainda torna isso mais fácil.

Não falo de mim (como é evidente), porque por norma gosto de levar tudo até ao fim. Isto para dizer, que apesar de The Walking Dead ser um grande sucesso mundial, o mercado saturado e competitivo em que está inserida não lhe pode dar asas para esse tipo de desleixo. E isso ressentiu-se nas audiências que a série perdeu nos Estados Unidos, por exemplo.

Passando a repreensão à frente, chegou à hora de falar do episódio em si e perceber/explicar como é que The Walking Dead se está a reerguer das cinzas.

Carl nunca foi uma personagem muito popular dentro do rooster de heróis disponível ao longo destas 8 temporadas. No entanto, graças ao episódio 7 e 8, tornou-se no leading character (ainda que por um período de tempo muito curto) e guiou o barco para bom porto.

Para além de ter engendrado o plano que permitiu safar grande parte dos residentes de Alexandria da ira dos Saviors e ter salvo um desconhecido por influência de acontecimentos passados, trouxe o melhor de cada personagem à baila pelo custo da bondade e altruísmo que demonstrou. Mas vamos por partes.

Parte 1 – Plano Alexandria

8 temporadas de The Walking Dead, onde já assistimos a alguns actos de mic drop de pessoas recém-infectadas. Bob e os canibais foi provavelmente o mais brilhante até hoje, mas Carl veio-lhe roubar o título de the greatest mic drop, com o seu acto de altruísmo.

A história tem-nos contado que, normalmente, quando uma pessoa é mordida ou usa isso para dar numa de homem-bomba ou resigna-se e entra em depressão. Carl fez mais e melhor!

Com a ajuda de Abbud arranjou forma de salvar grande parte do povo de Alexandria, com um plano recheado de estratégia e estudo à forma de operação dos Saviors.
Era certo e sabido (não por nós) que ia morrer, mas não retira ponta de mérito ao altruísmo, em usar os últimos momentos de vida para fazer algo pelos outros, os que têm uma chance para continuar vivos. Isto ainda se torna mais fantástico com as duas próximas partes que vou analisar.

Parte 2 – Influências no salvamento de Abbud

O primeiro encontro com Siddiq (em plena guerra contra os Saviors) foi tudo menos tranquilo. Nesse momento, aquando do episódio 1 da 8ª temporada (Mercy), Carl estava com Rick e, apesar de Carl se demonstrar mais confiante perante esse primeiro contacto com Siddiq, a postura de Rick não foi a mais amigável (como era de prever).

Não é seguro confiar em desconhecidos, mas Carl decidiu ir contra o código de sobrevivência e regressou para ajudar Siddiq. Mais tarde acabamos por perceber que foi durante esse resgate que Carl foi mordido e infectado.

Com este gesto de confiança o sacrifício de Carl acabou por dar frutos. Como referi no frame by frame anterior, Siddiq foi introduzido na série como uma personagem engenhosa com alta capacidade de sobrevivência. Com a ajuda dele torna-se menos difícil virar o rumo de acontecimentos a favor de Rick e companhia.

Neste episódio descobrimos que Siddiq é médico.
Bem aproveitado, pode vir a tornar-se numa personagem-chave com capacidade de colmatar a ausência de Carl e até ser mais preponderante.

Neste episódio descobrimos que a confiança, altruísmo e clemência de Carl se deveu sempre a uma atitude de Rick. O acontecimento em causa deu-se na altura do conflito com Woodbury, onde Rick acolheu todos os habitantes de Woodbury, ainda que estivessem do lado oposto do tabuleiro.
Esta atitude de Rick coincidiu com uma altura em que Carl estava atravessar a fase  mais confusa da sua vida e acabou por ser preponderante a definir a pessoa em que este acabou por se tornar.

Tudo isto num momento de elevada carga emocional de despedida, constituiu a melhor cena desta temporada de The Walking Dead. Mas não estava completa sem a Parte 3.

Parte 3 – A alucinação

No início da 8ª temporada e algures no seu desenvolvimento, uma das coisas que tornou a narrativa ainda mais confusa foi a alucinação focada em Rick.
Até então levou o público a acreditar que esta se prendia com Rick, independentemente de estarmos na dúvida se esta era um vislumbre do futuro, um sonho ou uma alucinação deste.

Em Honor temos a resposta para a narrativa mais desconexada e confusa de toda a série and god damn… Foi genial!

Quando achávamos que Carl não podia surpreender mais, eis que percebemos que estamos completamente equivocados.
A verdade é que toda essa narrativa que assumíamos prender-se com Rick, por ser muito centrada nele, é uma alucinação de Carl nos seus últimos momentos antes de ser consumido pela infecção zombie.
And that’s what I call a f*€/%”§ Plot Twist!

Mas não é uma alucinação qualquer!
É uma alucinação recheada de esperança e cooperação. Uma homenagem à humanidade, em pleno tempo onde a desordem e hostilidade reinam.
O mais incrível? O Plot Twist dentro do Plot Twist. Quem viu o episódio até ao fim sabe do que falo.

Em paralelo com esta cena – repito: a mais magnífica, emocional e com mais impacto da série até hoje – descobrimos o que se passou com Morgan e acompanhamos o resgate de Ezequiel protagonizado por Morgan e Carol.

Não atingiu o nível da despedida de Carl, mas superou muito do que The Walking Dead nos mostrou até hoje.

Morgan tem um problema psicológico grave, idêntico a uma PTSD. Isto faz com que a sua forma de agir toque em extremos opostos. Actualmente encontra-se num modo psicótico que o torna numa máquina destruidora imparável, mas ao mesmo tempo imprudente.

Numa fase final onde Carol e Ezequiel o confrontam e tentam dissuadir de ser imprudente uma vez mais, eis que temos mais um Plot Twist out of nowhere, chamado Henry.

Como reagir a isto? Não faço ideia, mas acredito que vamos descobrir em breve!

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