Rubricas Saga do Mês

Fifty Shades of Grey

A primeira vez que ouvi falar desta saga fiquei ligeiramente indecisa. Por um lado existia um fervoroso grupo de fãs, do outro um consistente rio de criticas negativas. Li o primeiro livro por curiosidade e os outros para solificar a minha opinião. Quando vi o primeiro filme não restavam dúvidas: Fifty Shades of Grey era possivelmente uma das piores sagas que eu já tinha tido o desprazer de encontrar.

Não tenho qualquer problema com o BDSM. O que cada um faz dentro de quatro paredes é consigo e considero que devemos respeitar os gostos e opções de cada um, mas a verdade é que a própria comunidade critica constantemente a sua representação na saga de E. L. James. A imagem de submissão das mulheres transmitida neste filmes é enorme e vai contra todo o trabalho feito para que as mulheres deixem de ser vistas como o sexo fraco. A maneira como Christian manipula e usa Ana, e as outras mulheres antes dela, é verdadeiramente desprezível e aterradora.

As tentativas de Anastasia de se impor perante Christian são tão fracas e falsas que, aliadas à má representação de Dakota Johnson, me provocam uma dor quase física, não só no meu papel como amante de cinema, mas como mulher. Numa época em que a luta pelos direitos das mulheres está no auge, confesso que a possibilidade de Anastasia Steele ser de alguma forma considerada por algumas adolescentes (e até mulheres) um ídolo me deixa completamente aterrada. Isto leva-me à uns anos atrás quando uma colega minha me disse que gostaria de ser como a Bella Swan, de Twilight, e eu quase desabei em lágrimas.

Durante séculos, as mulheres foram vistas como fábricas de bebés e escravas pessoais e, mesmo hoje em dia, ainda existem diversas tentativas de inferiorizar o sexo feminino. Anastasia Steele prova-se uma mulher submissa, com ilusões de que tem Christian na palma da mão, quando é , obviamente, o contrário. É ela que adapta toda a sua vida para o agradar, para estar ao seu lado e todas as cedências que ele faz são apenas tácticas para a manter ao seu lado, conseguindo exatamente aquilo que quer. Será que ninguém percebeu que Anastasia padece de síndrome de Estocolmo? Ou será uma lado de psiquiatra a falar mais alto?

E por falar em questões psicológicas, vamos figurativamente “despir” Christian. Tirem-lhe a beleza, os milhões, os advogados e o poder… Pois é minha gente, apresento-vos um sociopata sádico. A verdade é que se a situação de Christian fosse diferente, ele teria várias queixas de assédio, violação e quem sabe homicídio atrás dele. Não seria esse um filme muito mais interessante?

Outro ponto que quero chegar é: qual a piada de assistir a um filme pornográfico numa sala de cinema cheia de gente? Fiz esta experiência Fifty Shades Free e tenho a dizer que foi aterrador. A plateia estava dividida em duas partes: de um lado pessoas que tinham idade para ser minhas avós, duas delas foram inclusive minhas professoras durante o 5º ano; e do outro, adolescentes que eu tenho a certeza que não tinham idade para entrar para um filme daqueles. Foi desconfortável desde a primeira cena à última. No fundo, estes filmes são filmes pornográficos glorificados, com um enredo fraco típico do género, porque o que interessa ali na verdade são essas cenas e não os poucos minutos que Jack Hyde e Leila Williams tem em ecrã que são o foco real do filme.

Para terminar, aquilo que ninguém fala: Fifty Shades of Grey começou como uma fanfiction  de Twilight As semelhanças são tão ridiculamente grandes que é impossível não perceber e só isto já devia ser um sinal do aí vinha. A sério, o que se pode esperar de uma saga que nasceu de uma saga má?

Agora podem começar com as mensagens de ódio, de como eu não consigo ver o amor entre Christian e Ana, de como a relação deles é perfeita, etc etc… A verdade é que depois de entrarem na vida personagens como Hermione, Katniss, Black Widow, Princesa Leia, Mulan, entre muitas outras, não consigo ficar agrada por ver o caminho que foi desbravado por elas ser destruído assim, com um estalar de um dedos.

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