Cinema Críticas

Crítica: My Friend Dahmer

Nome: O meu amigo Dahmer
Título Original: My friend Dahmer
Realizador: Mark Meyers
Elenco: Ross Lynch, Alex Wolff, Vincet Kartheiser, Anne Heche, Dallas Roberts, Tommy Nelson
Duração:
 107 minutos

O jovem Jeffrey Dahmer (Ross Lynch) mora com os pais e com o irmão em Bath, Ohio. Durante o dia vai à escola, onde não tem amigos e vive à margem da comunidade escolar. À noite refugia-se numa cabana perto de casa onde se dedica a dissecar animais, que ele próprio recolhe das estradas e dos bosques, e a preservar os seus ossos.

Em 1987, o seu pai, Lionel (Dallas Roberts), destrói a sua colecção e pressiona Dahmer a arranjar amigos. O jovem junta-se a Derf (Alex Wolff) e aos seus amigos. Derf, um aspirante a artista, incentiva Dahmer a envolver em várias partidas para o poder desenhar. Enquanto isso, o jovem luta contra os seus impulsos homossexuais e homicidas.

Baseado nos livros gráficos de John “Derf” Backderf, que foi amigo de Jeffrey Dahmer, um conhecido assassino e canibalista americano, este drama biográfico leva-nos à terrível infância de um serial killer e leva-nos a criar apatia por alguém que destruiu dezenas de vidas e famílias.

A escolha de Ross Lynch para o papel de Dahmer foi rodeada de controvérsia, pois Lynch esteve durante vários anos envolvido com a Disney e estava associado a uma imagem familiar. Contudo, a sua performance revelou-nos uma possível estrela em ascensão.

Lynch estudou os maneirismo de Dahmer e falou com diversos psicólogos para se preparar para o filme e isto revelou-se na sua prestação. O ator apresenta-nos um Dahmer perturbado, mas capaz de comunicar e criar amizades, apesar de sentir dificuldades em mantê-las. Depois de décadas a termos presente nas nossas mentes os crimes horríveis e atrozes cometidos por Dahmer, durante este filme conseguimos sentir pena de um jovem que foi abandonado pelos próprios pais à sorte. A prestação de Ross Lynch leva Dahmer de monstro a vítima de forma coerente e memorável.

Também Alex Wolff nos apresenta uma outro lado nunca antes analisado da vida de Dahmer: o lado dos seus amigos, que genuinamente gostavam dele, mas que chegam lentamente à conclusão que existe algo nele que é impossível de salvar. A personagem de Derf, que começa por usar Dahmer para seu próprio beneficio, consciencializa-se aos poucos que o amigo não é o que parece e é o confronto final deles que lembra ao espectador que é na verdade Jeffrey. A prestação de Wolff é, novamente, simples mas confortante, o que nos leva a perguntar quando o ator irá evoluir para além dos papeis que nos tem apresentado.

Toda esta produção é uma montanha de emoções, que nos leva a questionar o quão atentos estamos às pessoas que nos rodeiam. O sofrimento visível em Dahmer para conseguir controlar os desejos e impulsos lança-nos uma nova luz sobre as suas origens e torna My Friend Dahmer no retrato perfeitamente perturbador de um futuro serial killer.

Trailer | My Friend Dahmer

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