Cinema Críticas

Crítica: Mute

Nome: Mudo
Título Original: Mute
Realizador: Duncan Jones
Elenco: Alexander SkarsgårdPaul RuddJustin TherouxSeyneb SalehRobert Sheehan, Gilbert Owuor
Duração:
 126 minutos

Mute, do realizador de Moon e Warcraft, Duncan Jones, falha ao tentar atingir o esplendor de posteriores entradas do estilo cyberpunk, tais como Blade Runner, e o mais recente êxito da Netflix, Altered Carbon.

A película segue o personagem Leo, interpretado por Alexander Skarsgård, que foi muito mal aproveitado, dadas as capacidades performativas do ator. Leo sofreu um severo acidente na sua infância, o que causa a sua inaptidão para falar, tornando-o mudo. Apesar de haver uma forma de recuperar a sua voz, as crenças do grupo religioso Amish, ao qual este pertence, não o permitem utilizar qualquer tipo de tecnologias. Leo é bartender numa discoteca numa Berlim futurista, juntamente com a sua namorada, Naadirah, interpretada por Seyneb Saleh. Quando Naadirah subitamente desaparece, Leo inicia uma procura incessante pelo seu amor. 

Sem dúvida que o melhor do filme se encontra nos antagonistas Cactus e Duck, interpretados por Paul Rudd e Justin Theroux. Já que os argumentistas decidiram retirar as falas a Skarsgård, Rudd e Theroux têm a maior parte de diálogo no filme. Os dois antagonistas são apresentados como amantes, e a sua química em cena é sem dúvida incrível e bastante divertida. Infelizmente, estes não são os personagens que deveriam ter o maior desenvolvimento e empatia do público, o que nos leva a preocuparmo-nos mais com os antagonistas do que com o próprio protagonista. Ainda mais incrível é como o filme consegue fazer um melhor arco para o personagem Cactus do que para o protagonista, Leo. Isto não sendo pelo facto de que arco de Cactus seja extraordinário, mas sim pelo facto de que o arco de Leo é, no máximo, medíocre.

A produção do filme também não é nada de extraordinário, tentando dar roupas e atributos físicos aos seus personagens, como se estes pertencessem ao universo de Hunger Games, tornando-os demasiado deslumbrosos e estravagantes, sem contexto aparente para tal.

Com um mundo sólido e um estilo futurista agradável ao olho, o filme esquece-se de um papel fundamental: o enredo.

Com o desenrolar do filme, o personagem de Leo torna-se cada vez mais absurdo, especialmente quando este começa a lutar contra adversários que deveriam ser capazes de o superar em combate facilmente. O mais perturbador é que não é dada ao espectador a mínima pista de como Leo se tornou num lutador tão eficiente, ou mesmo um detetive tão meticuloso.

Outro problema com o filme é a utilização do cenário futurista, ou melhor, a falta deste, explorando-o de forma superficial. Um cenário futurista normalmente serve para examinar a condição humana num ambiente completamente distinto do de hoje em dia, analisando os comportamentos e refletindo na grande questão de “o que nos torna humanos”. Para além das cores bonitas, Mute falha na entrega do tema, descartando completamente o potencial que poderia aproveitar. Também são dadas pistas subtis ao espectador do decorrer de uma guerra entre a Alemanha e os EUA durante a instalação do filme. Este ponto de enredo, que poderia ser muito prestável, não é mais explorado no filme, acabando como uma ponta solta.

Mas o que realmente me incomoda mais no filme é o início. O filme começa com um provérbio Amish, que diz que para “moldar” uma pessoa, Deus tem primeiro que a “derreter”. Isto indicia que a aventura de Leo o vai moldar em algo novo e melhor no final do filme, mas é quase impossível afirmar que tal acontece, uma vez que que não sabemos quase nada sobre o personagem, tirando o facto de ser o protagonista.

Resumindo, Mute deixou-me sem palavras, infelizmente pela negativa. O filme conta com um elenco de luxo no que toca a protagonista e antagonistas, mas desperdiça todo o seu potencial. Para além de tal, o enredo é apressado e os personagens mal escritos. O tema cyberpunk não é utilizado na sua totalidade, servindo apenas para pintar a tela com cores vivas. Mute tinha potencial para ser um filme fantástico, mas deita tudo a perder no que toca à resolução.

Trailer | Mute

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