Cinema Críticas

Crítica: Fullmetal Alchemist

Fullmetal Alchemist

Nome: Fullmetal Alchemist
Título Original: Hagane no Renkinjutsushi
Realizador: Fumihiko Sori
Elenco: Ryôsuke YamadaTsubasa HondaDean FujiokaAtom MizuishiMisako Renbutsu
Duração:
 135 minutos

Não é preciso ser-se um amante ávido de mangás e animes para reconhecer imediatamente o nome Fullmetal Alchemist. Esta saga, originada em 2001, caminha no mesmo trajeto que marcou clássicos como Dragon Ball, Naruto, One Piece ou Bleach, e também de neo-clássicos como My Hero Academia, Attack on Titan ou One Punch Man. A saga dos irmãos Edward “Ed” e Alphonse “Al” Elric, que procuram pela mítica Pedra Filosofial, um artefato cobiçado por alquimistas, para recuperarem o que ambos perderam num acidente que lhes roubou a inocência (Al perdeu o seu corpo e Ed perde o braço direito e a perna esquerda). Tal popularidade originou duas séries animadas e dois filmes animados. E, ainda hoje, consegue seduzir cada vez mais fãs dia após dia. Recentemente, a obra teve direito à sua primeira adaptação no formato live-action distribuído pela Netflix no mês de Fevereiro.

Havia um receio de que a adaptação live-action tomasse muitas liberdades em relação à história a ser adaptada. E, apesar de contar com algumas mudanças (nomeadamente a supressão de alguns personagens), a verdade é que estas acabam por não surtir qualquer efeito adverso. Apesar disso tudo, Fullmetal Alchemist provou ser uma adaptação que capturou fielmente toda uma atmosfera já bem conhecida para os fãs (e que decerto fará as delícias dos não-familiarizados; mas continuamos a apoiar ou o mangá ou Fullmetal Alchemist: Brotherhood). O filme também conseguiu capturar toda a estética do mangá, desde o guarda-roupa até à caracterização dos atores. Digam o que disserem sobre as suas performances (mais um pouco sobre isso abaixo), eles pelos menos incorporam as características dos personagens, desde os estilos capilares até aos mais pequenos pormenores. Nota-se, claramente, que tentaram esmerar-se para criar uma adaptação fiel ao material de origem.

No entanto, Fullmetal Alchemist não está isento de falhas graves. E acreditem, o filme ainda tem bastantes! Começando com os efeitos especiais. Haviam certos segmentos em que os elementos foram bem capturados (o destaque vai, claramente, para a armadura de Alphonse), mas nem estes conseguem salvar o filme da quantidade exagerada de efeitos que parecem ter sido feitos por uma equipa de amadores, além de retirarem qualquer tipo de autenticidade ao filme (bem, considerando que o filme É Fullmetal Alchemist, um mundo em que a alquimia consegue criar armas a partir de materiais já existente, não posso queixar). Grande parte dos atores presentes do filme mostram-se comprometidos com os papéis que aceitaram; no entanto, isso implica que abracem as melhores partes dos mesmos, mas também os piores, com algumas posturas ou reações a roçarem no cartoonesco.

O próprio ritmo do filme acaba por o prejudicar de uma forma quase irreparável. Em 135 minutos do filme, os produtores tentaram o seu melhor para incluir de tudo um pouco. O resultado é um produto com um ritmo muito acelerado. A audiência é recipiente de todo um conjunto de conceitos essenciais para o world-building; no entanto, o filme atira-se logo para a sequência seguinte, sem dar quase nenhuma margem de manobra para digerir os conceitos apresentados. E apesar de replicarem alguns momentos marcantes do mangá, fica a ideia de que o filme seria melhor se fosse considerado um highlight reel dos melhores momentos do mangá feito por fãs com um orçamento para o filme. E mostrando a sua veia mais direcionada para a ação, o filme acaba por perder no ponto que definiu Fullmetal Alchemist durante anos: o laço de irmandade entre Ed e Al. Haviam algumas cenas bem partilhadas entre os dois personagens, verdade seja dita; no entanto, tivemos uma boa porção de filme com os dois Elric completamente separados. Por outras palavras: os produtores trocaram um elo emocial por cheap thrills!

Embora não seja melhor do que adaptações melhor sucedidas (os três filmes de Rurouni Kenshin são, a meu ver, os melhores da era moderna até agora; se souberem de mais alguma, convido-vos a deixar um comentário abaixo), mas também não sendo das piores (Dragonball: EvolutionAttack on Titan ou a versão americana de Death Note), Fullmetal Alchemist mostra que tem bastante potencial (que poderá, ou não, ser melhorado em futuras sequelas), mas que desperdiçou por completo com defeitos que deixarão um travo amargo na boca. Mas não deixa de ser uma das adaptações live-action mais fiéis até agora!

Trailer: Fullmetal Alchemist

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