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Homeland – 7 x 01 – Enemy of the State

Homeland

A nova temporada de Homeland chegou e a série foca-se agora em problemas internos dos Estados Unidos da América e não tanto naqueles que se prendem com a sua política externa.

Começamos pouco tempo depois do ponto onde paramos. A presidente Keane (Elizabeth Marvel) está no poder, mas os eventos do final da temporada passada endureceram-na e a sombra do autoritarismo paira sobre a mais poderosa democracia do mundo.

Quanto ao episódio em si, Enemy of the State começa como todas as temporadas anteriores de Homeland começaram. Há um salto cronológico, ainda que curto, e muito aconteceu nesse período e nós não sabemos. Todo o episódio é, no fundo, o deslindar desse novelo.

Carrie Mathison (Claire Danes) está profundamente abalada pelo que está a suceder no país. Isso é transmitido em crescendo ao longo do episódio. Porém, as pessoas que a rodeiam interpretam esta (legítima) preocupação da personagem como sendo fruto da medicação (ou falta dela).

Além disto, Carrie tornou-se também uma das fontes do Senador Paley (Dylan Baker) e tenta arranjar um encontro entre ele e uma outra fonte que estaria disposta a falar: Dante Allen (Morgan Spector). Mas não seria Homeland se as coisas corressem bem à primeira. Aparentemente o clima de medo imposto por Keane está a deixar as pessoas renitentes em falar e o encontro corre de forma humilhantemente mal a Carrie. Ambos os activos (o senador e o leaker) pedem que ela nunca mais os contacte.

A nível pessoal, a personagem principal vive agora com a família da irmã Maggie (Amy Hargreaves) e está finalmente reunida com a filha, depois do drama vivido na temporada passada. Coincidentemente, o companheiro da irmã de CarrieBill (Mackenzie Astin), trabalha na administração da presidente Keane e o choque entre ele e Carrie é frequente. Parece-me que nos próximos episódios Carrie vai ter de procurar casa nova…

A heroina desta história parece estar novamente sozinha no campo de batalha. Mas nós sabemos sempre que Carrie nunca está bem sozinha. Ela tem poucos, mas bons amigos. Lembremo-nos do saudoso Peter Quinn (o melhor personagem da série, para mim). Desta vez é Max (Mackenzie Astin). Com o aproximar do final do episódio, percebemos que há um esquema qualquer entre Carrie e o fidelíssimo Max. Este activo de Carrie infiltra-se na casa do Chief of Staff David Wellington (Linus Roache) e aplica um sistema de vídeo que permite a Carrie observar todos os movimentos dele. Ela acredita genuinamente que ele é um traidor… No entanto, como sempre em Homeland, as coisas nunca são absolutamente lineares.

Wellington é uma personagem mais interessante do que foi nos momentos finais da temporada passada. Por essa altura, Wellington era um servente puro e simples de Keane que lhe dizia tudo o que ela queria ouvir, enquanto ela se ia aproximando da sua fase autocrática que tem agora. Mas agora ele começa a questionar intimamente as ações da presidente. Wellington vai ser um grande personagem nesta temporada… Ou pelo menos eu assim espero.

Wellington e Keane conseguiram uma punição exemplar para General Jamie McClendon (Robert Knepper), o homem que orquestrou a tentativa de assassinato na temporada passada: prisão perpétua. Mas para a presidente não chega. Ela queria a pena de morte.

O’Keefe, a personagem eximiamente interpretada por Jake Weber e inspirada no real e sempre polémico Alex Jones, está em fuga e encontra aliados onde pode. Mas o cerco aperta-se. Certamente que em breve irá encontrar pouso definitivo e tentar organizar uma forma de resistência.

Saul Berenson (Mandy Patinkin) está preso, como vimos no final da temporada 6. Mas a delicadeza da situação leva Wellington a visitá-lo para propor um acordo: Saul passar a concelheiro de estado. Mas Saul faz exigências que sabe serem difíceis de satisfazer… Talvez venha a seguir esse caminho, mas para já acha que a Chefe de Estado é demasiado vingativa…

A cena final é a cereja no topo do bolo de um excelente primeiro episódio. Filmada de uma forma genial e irrepreensível, e quase sem diálogo, o General Jamie McClendon é examinado antes de entrar na cela que deveria ser o seu confinamento até ao fim da vida. No entanto, após o rotineiro exame, o general morre com sintomas de envenenamento a fazer lembrar uma certa festa de casamento de outra série. Logo após, corta para uma sala escura de vigilância onde, com o corpo inanimado do general nos ecrãs, o examinador tira cuidadosamente as luvas que usou para examinar a língua do (agora) defunto. Levanto-me e aplaudo.

Conclusão – Homeland: Enemy of the State

O interessante disto tudo, é que o arco da personagem de Keane é muito interessante. De boazinha a vilã e nós, os mais fieis da série que não desistiram dela nos tempos do Sargento Brody, vimos tudo o que aconteceu e fez dela o que ela é hoje. Conspirações, bloqueios, tentativas de assassinato, linchamento da imagem do filho na praça pública… Ninguém é de ferro. Mas esta presidente forjou-se nessas brasas e agora o caldo está entornado. A sombra da guerra civil e da autocracia está a pairar na América de Homeland.

Os inícios de temporada desta série são sempre assim: confusos, lentos e dissimulados. Nunca ficamos a saber bem o que está a acontecer nos primeiros episódios. Mesmo quando chegamos a saber, lá para meio da temporada, já nem tudo é verdade. Os vilões passam a heróis e os heróis a vilões muito rapidamente. Mas sendo esta a penúltima temporada de Homeland, espera-se que a mesma desenvolva com mais solidez, mais ritmo e mais intriga que nunca.

A temporada promete.

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