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Millennium Actress, o espectro de uma vida

Millennium Actress

O Open Sesame desta semana centra-se num dos trabalhos de Satoshi Kon, Millennium Actress, lançado em 2002. Apesar do meu primeiro contacto com este realizador ter sido precisamente o seu último filme, Paprika (2006), não pude deixar de reparar nas influências e evolução após visualizar as suas restantes produções. Neste caso em concreto, a sua maneira peculiar de contar uma história e de conseguir manter um fio condutor.

Como já adiantei, Millennium Actress, é um filme diferente. Começando exactamente por um ponto essencial e que, por sua vez, irá dar vida à sequência deste filme: o último filme da actriz Chiyoko Fujiwara.
Com a demolição do Estúdio Ginei, um ex-empregado deste estúdio e agora realizador, Genya Tachibana, finalmente encontra a oportunidade de entrevistar e documentar esta actriz da Era Showa (1926-1989). Juntamente com um cameraman (Kyouji), inicia-se uma jornada que transcende a realidade.

Posso dizer que este filme rapidamente se tornou num dos meu preferidos. A sua construção está pensada ao mais ínfimo pormenor, não deixando pontas soltas. Apesar de sermos inicialmente confrontados com um género de narrativa dos feitos de Chiyoko, rapidamente somos envolvidos no próprio enredo. E não de uma forma conotativa.
De uma maneira generalista, somos projectados para o começo de tudo. E aí está o cerne de todo o interesse neste filme, a realidade mistura-se com a ficção. Sendo, por seu turno, Genya e Kyouji incorporados neste mesmo cenário.

A história desenvolve-se com base nos filmes que esta actriz protagonizou. No entanto, as personagens com grande impacto na vida de Chiyoko mantêm-se estáticas, permitindo-nos distinguir um pouco a realidade.
Por outro lado, tratando-se de um retrato do cinema na Era Showa, conseguimos acompanhar a evolução da história do Japão. Começando no regime feudal, passando pela Segunda Guerra Mundial e acabando numa Odisseia no Espaço.

A forma como nos é apresentada a transição das cenas é, na minha opinião, genial, deixando sempre lugar para alguma verosimilhança. No geral, um filme que merece ser visto pela sua complexidade escondida. Possivelmente com diferentes leituras, é um filme que toca a todos, com uma arte também excepcional.

Leiam o Open Sesame da semana anterior aqui.

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