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The Assassination of Gianni Versace – 2×03 – A Random Killing

American Crime Story

CONTÉM SPOILERS! 

A ideia de deixar a família Versace de fora, pelo menos já no 3º episódio, é ousada e arriscada, visto esta ser talvez o maior atrativo de muito do público da série. Contudo, foi uma jogada acertada e fomos completamente envolvidos na mente perigosa de Andrew Cunanan (Darren Criss) e conhecemos de perto a sua terceira vítima, Lee Miglan (Mike Farrell). Este, é um arquiteto muito bem sucedido e influente, casado com Marilyn (Judith Light), uma empresária no ramo dos perfumes.

Os dois forma um casal quase perfeito. Harmoniosos, com uma relação onde existe amor e companheirismo. Mas nem tudo é assim tão bonito quanto aparenta. Lee esconde a sua homossexualidade, mantendo as aparências, visto estarmos nos anos 90. Cunanan faz aqui o papel de amante, talvez porque o homem faz parte do estereótipo que ele procurava: ricos e não assumidos. Aproveitando uma ausência da mulher, este leva o serial killer para sua casa. Tenta criar uma ligação com este, apresentando-lhe um projeto dele, o “maior edifício do mundo”. Mas nada disto surpreende Cunanan e fingindo-se envolvido, leva-o para a garagem, onde o mata sem dó nem piedade.

Após mata-lo com um bloco de pedra, deixa várias revistas pornográficas gay à sua volta. Não bastava a morte, era necessária humilhação pública. O assassino criava várias personalidades, era um mentiroso compulsivo mas parece-me que não gostava que quem o rodeava fizesse o mesmo, desmascarando-os de forma fria e sem escrúpulos. Mais uma vez, a realização é de tirar o fôlego. O episódio é repleto de tensão e todas as cenas dramáticas são duras e cruas, muito graças aos planos e aos cortes das cenas.

Criss tem aqui espaço suficiente para continuar a brilhar e fá-lo na perfeição. Mas aqui os destaques acabam por ser os dois atores mais velhos. Se Farrell nos mostra um homem vulnerável que apenas de ser sentir vivo, Judith Light traz-nos a esposa forte, segura, apaixonada. Ela possivelmente já saberia da vida dupla do marido, mas preferiu olhar para o todo e para todos os anos que foram felizes, ainda que nunca na plenitude. Nem depois de encontrarem o corpo com as revistas, ela se desfez e ordenou que nada daquilo se tornasse público, honrando a memória do marido. Toda a sequência inicial, sem grandes diálogos, apenas com expressões e planos acertados, foi soberba.

Acompanhamos ainda a sua obsessão crescente por Gianni (Edgar Ramirez) e a forma como ele assassina ainda outro homem a sangue frio, apenas para roubar a sua carrinha e não ser caço. Foi uma viagem a fundo à mente distorcida de Cunanan e temos talvez aqui e, ainda que com saudades dos Versace, o episódio mais forte até então.

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Foi uma viagem a fundo à mente distorcida de Cunanan e temos talvez aqui e, ainda que com saudades dos Versace, o episódio mais forte até então. 

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