Cinema Críticas

Crítica: The Post

The Post

Título original: The Post

Título: The Post 

Realizador: Steven Spielberg 

Elenco: Meryl Streep, Tom Hanks, Sarah Paulson, Bob Odenkirk

Duração: 1h56m

The Post é a mais recente aposta do aclamado Steven Spielberg. Conhecido por todos nós por ser camaleónico nos diversos géneros que lhe são característicos, também o é pelas fortes mensagens que pretende transmitir ao público. Todos estamos habituados a reconhecer nos seus projectos um fervoroso e intenso diálogo com a plateia. É consensual que esta é uma das figuras mais acarinhadas e valorizadas pelos fãs da sétima arte. Maioritariamente pelo cunho muito próprio que imprime aos seus filmes. Referimo-nos a uma relação de confiança, na qual existe uma meticulosa preocupação no que diz respeito à partilha de emoções e dilemas. Sendo que só dessa forma é que a principal mensagem poderá ser transmitida.

Desta feita o realizador americano optou por trazer ao de cima os dilemas travados entre os sistemas governativos e a comunicação social, no final dos anos 60. Guerra do Vietname. Um conjunto de documentos confidenciais que expõem as debilidades do governo americano nessa mesma guerra são expostos pela comunicação social. A Casa Branca proíbe o New York Times de continuar a publicar conteúdo relativo ao tema. Spielberg vai, portanto, passar a batata quente ao questionamento do papel da imprensa no meio político. Coloca-se a seguinte questão: até onde vai a liberdade de expressão?

Falemos dos intervenientes desta trama. Kay Graham (Meryl Streep), a directora do The Washington Post, que assume a parada do jornal depois do falecimento do seu marido, abdicando do seu estatuto na aristocracia. Isto porque Kay é uma presença constante nas reuniões políticas para efeitos do escândalo acabado de rebentar. E também Ben Bradlee Tom Hanks), o director do jornal, que vê nesta oportunidade uma forma de dar o salto na carreira. A verdade é que estas duas personagens centrais da história detêm um papel muito importante, com um objectivo comum. Manter um compromisso honesto e responsável para com a veracidade dos factos, num abraço com a liberdade de expressão. Independentemente de quem está no topo da “cadeia alimentar”.

Mas também é verdade que  Meryl Streep ganha uma maior ênfase no jogo. Isto porque ganha uma responsabilidade acrescida no seu papel: a muito debatida emancipação feminina. Num mundo no qual estas batalhas eram travadas pelo dito “sexo forte” da altura. Nos eventos político-sociais Kay está na sua praia. Mas com o assumir do jornal surgem as dificuldades próprias de quem sai da sua zona de conforto, e se vê por diversas vezes excluída dentro da sua própria “casa”. É claro que  Meryl Streep consegue construir na perfeição uma personagem que atinge a sua emancipação, que contribui para a consolidação da geração feminina e que desfaz convenções. A actriz já deu provas da sua versatilidade e está mais uma vez nomeada para o Óscar de Melhor Actriz Principal. Está, também, mais uma vez de parabéns.

Facilmente confundido com um thriller político, o que pode desagradar os telespectadores menos apreciadores do género, é importante notar que The Post está longe de poder resumir-se a tal. Para que não caiamos no erro de pensar que existe uma tendência hollywoodesca de premiar estes projectos de suspense jornalístico, ancorado no drama político (ainda todos estamos recordados do caso Spotlight, correto?). Na verdade, The Post combina alguns desses ingredientes. Falamos  da tensão que sentimentos na busca pela “verdade”, o jogo empolgante que nos envolve, quando queremos saber o conteúdo daqueles arquivos. O ser humano, inconscientemente, busca pelo sentido de justiça. E damos por nós a desejar que aqueles repórteres ganhem a batalha contra o tempo e consigam publicar a matéria danosa, expondo a injustiça e a mentira.

E algo ainda mais forte que isso. A indiferença. Pegando assim naquela que será certamente a imagem visualmente mais forte do filme, o presidente Richard Nixon. Filmado sempre longe, à distância, virado de costas, em contraluz. Um presidente que vive em constante ataque. Faz-nos lembrar alguém? Sem dúvida que esta figura masculina “sem rosto”, que vira as costas ao povo americano. E que contrasta com uma figura feminina fugaz e enérgica, representada por Meryl Streep. Não nos deixa grandes dúvidas relativamente à mensagem social e à consciencialização para o questionamento junto de um público social e politicamente consciente a nível mundial.

Nota positiva para Spielberg.

Trailer – The Post

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