Cinema Críticas

Crítica: Godzilla: Planet of the Monsters

Godzilla: Monster Planet

NomeGodzilla: Planet dos Monstros
Título Original: Godzilla: Planet of the Monsters
Realização: Hiroyuki SeshitaKôbun Shizuno
Elenco: Mamoru MiyanoDaisuke OnoTakahiro SakuraiTomokazu SugitaKana Hanazawa
Duração: 89 minutos

Em 2004, o afamado Godzilla preparava a sua despedida dos cinemas japonesas com o filme Godzilla: Final Warsum filme que viu o personagem titular todos os seus anteriores oponentes (inclusive a versão bastardizada por Hollywood em 1997). Em 2014 (num ano em que a personagem celebrou os seus 60 anos), Hollywood tentou refazer a sua sorte com Godzilla de Gareth Edwards (sim, o mesmo Gareth Edwards que trouxe Rogue One: A Star Wars Story), um filme que, apesar de não conter muito tempo de antena para o monstro, revitalizou todo um interesse na montanha ambulante, com uma sequela confirmada para o ano e um rematch com King Kong mais que confirmado. A comunidade japonesa não ficou atrás na revitalização, lançando, dois anos depois, Shin Godzilla. E este ano, a companhia nipónica Toho repetiu a proeza este ano com Godzilla: Monster Planet, que marca o primeiro filme de Godzilla em formato animado!

(Seguem SPOILERS daqui para a frente)

Num futuro próximo, a Humanidade lida com o problema de excesso de kaijus, cada um deles mais difícil de lidar. O seu maior desafio: Godzilla, uma besta que, a cada ataque, consegue dizimar as forças militares mundiais. Mesmos os alienígenas, que oferecem a sua ajuda para lidar com este problema, nada conseguem fazer parar o Rei dos Monstros. Num ato de desespero, a Humanidade embarca numa nave espacial numa tentativa de sobrevivência. Volvidos 20 anos, e com os recursos a serem cada vez mais escassos, os restantes sobreviventes decidem que está na hora de retomarem o planeta que fora antes deles e enfrentar Godzilla de uma vez por todas. Mas o planeta Terra ameaça não ser o mesmo planeta que abandonaram…

Este será, provavelmente, a minha motivação de maior queixa: o enredo. Tenho de tirar o chapéu aos guionistas do filme por tentarem trazer algo de novo para a saga sem esquecer o legado que antecedeu este primeiro filme animado. Isto também levou a uma mudança curiosa aos temas que definiram Godzilla desde 1954: o problema sobre a energia nuclear, o abuso humano no que se toca aos recursos naturais ao nosso dispor. Aqui, é a Mão Humana contra o progresso da Natureza. No entanto, no que se toca a contar a sua própria história, o filme consegue ser um exercício de paciência. Seja pela fragilidade das circunstâncias apresentadas, ou os diálogos mal concebidos ou a fraca construção e desenvolvimento das suas personagens. Como este se trata de um primeiro filme de uma trilogia, nota-se que este filme tenta demonstrar-se como o seu próprio filme, para depois começar a montar o palco da sequela.

No entanto, tenho de tirar o chapéu nas componentes técnicas do filme. Mostrar uma Terra evoluída para além de reconhecimento mostra que a criatividade nipónica não conhece limites. Serve esta para demonstrar que toda a flora e fauna do planeta (e tenham em conta a Teoria da Relatividade de Einstein) está evoluído como um ambiente hostil é um panorama curioso e cruel, mas belo de se ver. Nos termos de animação, fico sempre de pé atrás no que se toca à animação japonesa a três dimensões (basta ver a “colorosa” receção que Berserk teve aquando da sua estreia). Mas os produtores estão a cargo do anime Ajin, que mostra o quão hábeis são neste tipo de animação. E este filme não foi exceção, com a animação, apesar das suas limitações, a revelar uma fluidez surpreendente.

Mas não podia deixar de fechar esta crítica sem mencionar o personagem titular: Godzilla! Seja em que meio for, seja em formato for, ver esta criatura a irromper pela linha de horizonte e espalhar a destruição que sabe distribuir é sempre um espetáculo de se ver e admirar. Nota-se claramente na dedicação dos responsáveis do filme a tentarem trazer um Godzilla que é sinónimo de aterrorizante à sua própria maneira.

Trailer: Godzilla: Monster Planet

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