Cinema

Crítica: Devil’s Gate

Devils-Gate

Título original: Devil’s Gate

Título: Devil’s Gate

Realizado por: Clay Staub

Elenco: Milo Ventimiglia, Bridget Regan, Amanda Schull

Devil’s Gate é uma experiência estranha para apreciar em diferentes fases: primeiro há que por de lado os preconceitos eventualmente gerados pela nota que este filme tem no IMDb, por exemplo; depois há a questão do nome “Devil’s Gate” remete para um filme de terror sobre uma temática que não é de todo a deste filme; e por fim há os twists and turns do enredo.

Nota prévia: Nas minhas críticas não costumo conter-me para dar spoilers. Mas desta vez vou fazê-lo. Isto porque quem vê este filme tem de o fazer de mente aberta e sem expectativas. Só assim poderá ser surpreendido agradavelmente. Além disso, ignorem a nota que ele tem actualmente no IMDb ou no Rotten Tomatoes. É enganadora.

Vamos há análise do filme, sem spoilers.

Devil’s Gate é uma cidade no Dakota do Norte. Muito pequena e isolada. É a típica pequena cidade do interior Norte Americano que já vimos retratada centenas vezes: quintas, palha seca e mais quintas.

A premissa do filme é interessante: Jonah (Spencer Drever) e a mãe Maria (Bridget Regan) desapareceram. A agente do FBI Daria Francis (Amanda Schull) chega para investigar e rapidamente foca atenções no pai, Jackson Pritchard (Milo Ventimiglia), cujo comportamento instável tem visto um agravamento nos dias anteriores ao desaparecimento. Ingredientes para um bom policial, com algum mistério pelo meio… Só que não.

Há muita coisa que não bate certo na investigação. Começamos logo por perceber que as autoridades locais não acreditam no envolvimento de Jackson, apesar de tudo apontar para ele. Na realidade, o próprio Jackson não apresentou queixa do desaparecimento da mulher e do filho. Mas porquê?

Por outro lado, Jackson tem a quinta fortemente armadilhada e protegida contra invasores. Da mesma forma, a sua cave está protegida e trancada para impedir descubram quem ele lá esconde. Mas quem?

São todas estas perguntas que são respondidas nos cerca de 90 minutos que este thriller low budget tem.

Em termos de execução técnica, o filme tem toda a linguagem fílmica daqueles filmes de terror que se passam no meio do nada, como Massacre no Texas, mas está longe de seguir esse caminho. Aí Clay Staub foge à regra, e bem.

Trabalhado a partir de um guião original de Peter Aperlo, Clay Staub trata muito rapidamente de frustrar as nossas expectativas no que toca ao enredo fazendo viragens aqui e ali na história, tornando tudo imprevisível. Isto nem sempre corre bem. Se em determinados momentos isso é algo que acrescenta muito ao filme, em outras alturas é demais.

Em termos de acting o filme gira em torno de três performances fortes de Milo VentimigliaAmanda Schull e Shawn Ashmore. Amanda, enquanto actriz principal não desaponta, mas é nos outros dos que está a verdadeira força e credibilidade dos personagens. Milo faz uma brilhante interpretação do desequilibrado, genuinamente bom, Jackson.

No que toca à cinematografia, gosto muito do filme. Está muito bem filmado e sobretudo colorizado, conseguindo transmitir o verdadeiro feeling das cenas quase só através da cor e da edição. No entanto, o filme perde na qualidade dos efeitos especiais. A partir de certo ponto está muito dependente deles e nota-se que o budget não deu para tudo.

No geral é uma boa surpresa. Não é certamente um clássico, porque acaba por perder um pouco o seu foco e coerência nos múltiplos twists e vai “enlouquecendo” à medida que avança. Mas é um bom filme para os entusiastas de um mistério.

Trailer | Devil’s Gate

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