There it is, Wendy; second star to the right and straight on till morning.

O desafio deste Old But Gold parece ser muito simples: colocar em palavras tudo o que este filme significa para mim. Parece, mas não é. Peter Pan foi provavelmente o filme que marcou a minha infância. Aliás, sempre que me perco em recordações, não consigo deixar de imaginar este rapaz, com todo o seu humor, roupas verdes e cabelo ruivo.

Quando somos crianças é muito dificil imaginar que uma dia não o seremos mais. A nossa liberdade, felicidade e inocência irá desaparecer para nos tornarmos mais uma das máquinas do capitalismo que governa o mundo. Claro que com 5 anos não pensava assim, mas definitivamente não me agradava a ideia de ir trabalhar em vez de brincar.

A ideia de que existia uma ilha onde todas as crianças não crescem, nos podemos divertir todos os dias, sem qualquer tipo de regras e lutar com piratas, foi provavelmente a maior obsessão que tive. E ainda hoje não superei a desilusão de não ter conhecido a Terra do Nunca.

Apesar de a obra de J. M. Barrie ser verdadeiramente magnifica, este é um dos poucos casos em que o filme é melhor que o livro. Talvez porque a Disney juntou o seu toque mágico e criou uma produção que ficou acima das expectativas, tentando ao máximo ser fiel ás palavras do seu autor.

O Peter deste filme conquista-nos com facilidade, apesar das suas birras, e também Wendy nos deixa a suspirar com o seu feitio sonhador que em tanto reflecte as meninas que vêm o filme. As músicas pouco espalhafatosas, de bom humor e divertidas ficam no ouvido e também o Capitão Gancho encontra um lugar no nosso coração.

Tenho de admitir que o Peter Pan foi a minha primeira crush e nunca consegui superar, fazendo questão de acompanhar todas as adaptações, mas produções que vieram à luz nas décadas que se seguiram, em nada se compraram com este clássico da Disney. Contudo, levarem-me de volta a tempos mais simples e felizes.

Por vezes, gosto de fechar os olhos e imaginar-me aquela criança sonhadora, que suspirava à janela e tentava encontrar nas estrelas o caminho certo para a Terra do Nunca – o lugar dos piratas e sereias, onde conseguia voar e brincar com fadas, e onde a minha maior preocupação seria como me iria divertir naquele dia. E aqui reside a beleza dos clássicos: basta um som, um cheiro, uma imagem para nos levar anos ou décadas atrás e nos fazer felizes por mais um momento.

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