Cinema Críticas

Crítica: Battle of the Sexes

Battle of the Sexes

Nome: Battle of the Sexes
Título Original: Battle of the Sexes
Realização
: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Elenco: Emma Stone, Steve Carell, Andrea Riseborough, Sarah Silverman, Bill Pullman
Duração: 121 minutos

Já lá vão seis anos desde que Emma Stone e Steve Carell partilharam o grande ecrã com o filme Crazy, Stupid, Love. Dito e feito, estes dois atores tiveram uma oportunidade de ouro para voltarem a contracenar num novo projeto cinematográfico, desta feita dos realizadores Jonathan Dayton e Valerie Faris (Little Miss Sunshine, Ruby Sparks) e do guionista Simon Beaufoy (Slumdog Millionaire, 127 Hours).

1973. A jovem tenista Billie Jean King (Stone) acaba de ganhar um campeonato de ténis, tornando-se a melhor tenista dos Estados Unidos. No entanto, King não está satisfeita com a diferença notável do rendimento entre as mulheres e os homens. Daí de ela, juntamente com algumas tenistas, formarem o seu próprio campeonato, provando, de uma vez por todas, que as mulheres conseguem ser igualmente capazes, tal como os homens. Esta “revolta” chama a atenção de Bobby Riggs (Carell), um ex-campeão de ténis com um vício em apostas que acredita que o lugar das mulheres é na cozinha e no quarto. Isto leva a origem a um dos maiores duelos de titãs da história do desporto americano.

Dayton e Faris possuem uma ampla experiência no que se toca a fazer filmes inseridos no género comédia dramática, com Little Miss Sunshine e Ruby Sparks a serem os seus melhores filmes até à data. Logo, não seria de estranhar que esta dupla de realizadores trouxesse o teu toque característico a um dos momentos que causou um grande primeiro passo para o movimento LGBT. Apesar de possuir as suas temáticas que consegue ser um verdadeiro espelho à nossa sociedade atual (ainda há quem considere que o papel da mulher no funcionamento social é supérfluo), o filme não perde, uma única vez, aquele seu toque feeling good, não descurando os temas retratados.

Visualmente, o filme consegue-nos transportar para os anos 70. Desde os créditos inicial da Fox Searchlight Pictures num estilo retro, pelo guarda-roupa que, hoje em dia, seria alvo de chacota, estilo de penteados característicos da década, a estética cénica, automobilística, mesmo a banda sonora (que contém alguns títulos que os amantes da boa música irá reconhecer com facilidade), o filme não nos faz esquecer que estamos nos anos 70.

Ajuda também quando o filme tem, ao seu dispor, um elenco com algumas caras conhecidas. Claro que ter nomes de artistas como Sarah Silverman, Alan Cumming, Elisabeth Shue ou Fred Armisen servem de boa ajuda. Mas claro que estes e todas as outras caras conhecidas servem apenas papéis de pouco destaque quando as verdadeiras estrelas são Emma Stone e Steve Carell. Embora não apareçam juntos as vezes que gostaríamos de ver, a verdade é que estes dois atores são os grandes chamarizes. Stone consegue incorporar as batalhas pessoais e profissionais de King com a mestria que já estávamos à espera, mostrando que a tenista não batalhava apenas com o panorama geral das mulheres, mas também para tentar compreender quem é que ela é fora do mundo do ténis. É aqui que entram o subplot mais doce do filme: o caso amoroso entre King e a cabeleireia Marylin Barnett (Andrea Riseborough). É também o subplot que traz o obrigatório triângulo amoroso dos filmes de comédia dramática.

Carell traz o seu charme e carisma característicos do seu percurso artístico com a sua própria versão de Bobby Riggs. Mas neste seu segmento, o ator também não se desfaz do seu lado mais dramático que tem marcado a sua carreira recentemente pela positiva. Ou seja, por mais adorável que seja vermos Carell a fazer o que sabe fazer de melhor em termos de comédia, é na sua fase mais dramática que ele não deixa de ser impressionante. Não são necessariamente momentos gritantes, mas estão presentes.

Mas o filme não é imunes a defeitos. E Battle of the Sexes sofre um problema que já está a ser comum no género. Apesar de retratar um momento tocante e que ressoa para os tempos modernos, o seu feeling good acaba por estragar os momentos mais dramáticos que o filme tenta transmitir. Considerando a temática, que vai mais além do que um jogo de ténis entre dois grandes tenistas, deveria haver um equilíbrio mais natural entre as duas vertentes.

Mas no fim e ao cabo, Battle of the Sexes cumpre com o seu dever, com um filme que, além de elogiar as capacidades dramáticas de Emma Stone e Steve Carell, é uma “carta de amor” para a tenista Billie Jean King!

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