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Schindler’s List

Whoever saves one life, saves the world entire.

Como verdadeira fã de história, um gosto que beira ligeiramente a obsessão, não passo sem ver um bom filme de época ou histórico ou, até mesmo, biográfico. Estranhamente (ou não) os da 2ª Guerra Mundial sempre foram os meus favoritos. Se vocês partilham este interesse comigo, sabem que é difícil não deixar que este filme ocupe um lugar no vosso coração.

Schindler’s List conta a história de Oskar Schindler (Liam Neeson), um homem de negócios alemão, membro do partido Nazi, que vê na guerra uma oportunidade de enriquecer. Contudo, à medida que o extermínio dos judeus aumenta, Schindler decide usar a sua fábrica e poder para salvar o máximo de pessoas que consegue.

Mas o que é que torna este filme tão especial? Porque é que, no meio de tantos filmes sobre o holocausto, conseguiu superar todos os outros?

O primeiro motivo é o próprio Schindler. Alto, intimidador e obviamente amante do luxo e da boa vida, o alemão tinha tudo para ser uma personagem unidimensional, porém, ele passa a humanista mantendo todas as suas falhas e isso não podia torná-lo mais atrativo. Apesar de não ser a maior fã de Liam Neeson, Schindler’s List é provavelmente uma das suas melhores performances, pois foi capaz de captar todas as facetas da personagem de forma impecável, cativante e memorável.

O segundo motivo é o vermelho. Ora, para todos aqueles que assistiram ao filme sabem automaticamente a que me estou a referir. O ponto de viragem para Oskar Schindler, e um dos momentos que mais me marcou de todo o filme, resume-se na cor vermelha. Um filme repleto de negros, brancos e cinzentos, que são considerados por Steven Spielberg um sinónimo do período histórico em si, tem o seu maior contraste num casaoo vermelho de uma menina judia. Isto pode parecer um evento isolado, mas é este casaco que mais tarde nos permite identificar a mesma criança no meio dos mortos. Este momento não só nos toca a nós, como marca Schindler profundamente e leva-me a pensar que por vezes esquecemo-nos que as guerras dos adultos são o sacrifício das crianças.

O terceiro motivo é a amizade subtil entre Schindler e Itzhak Stern (Ben Kingsley), um contabilista judeu. No início, Schindler contrata Stern para gerir a sua fábrica e não tem qualquer problema em contratar judeus, visto que os seus salários são mais baixos e Schindler apenas está interessado em ganhar dinheiro. No entanto, à medida que o filme se desenrola, vemos a crescente preocupação de Schindler em manter os seus empregados a salvo das “garras” dos nazis e dos campos de concentração, incluindo Stern. O contabilista começa a admirar a atitude do seu patrão e a respeitá-lo cada vez mais, apesar de nunca nenhum dos dois se referir diretamente às acções de Schindler.

Por fim, o último motivo pela qual tenho tanto carinho por este filme é toda a mensagem em si. O Holocausto foi um dos momentos mais horríveis da história moderna e, muito provavelmente, da história da humanidade. As coisas que o ser humano é capaz de fazer em prole das suas convicções são indescritíveis e é importante termos em mente o sofrimento causado, sobretudo ao povo judeu, durante este período da nossa história. Numa altura que vivemos rodeados de guerras sem sentido e em que as relações internacionais são frágeis, é fundamental ter presente nos nossos corações e mentes a dor que a guerra, a intolerância e a injustiça podem causar.

Schindler’s List devia estar em todas as listas de must see. Não é um filme para aproveitar a lareira, ou os fins-de-semana preguiçosos, ou as festas natalícias. É um filme para pensar e refletir sobre os nossos valores e acções, porque, por vezes, por um erro de um homem, pagam milhares e nem sempre existem heróis sem capas, como Oskar Schindler, para nos salvar.

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