Cinema Críticas

Crítica: Most Beautiful Island

Título Original: Most Beautiful Island

Título: Most Beautiful Island

Realizado por: Ana Asensio

Elenco: Ana Asensio, Natasha Romanova, David Little, Nicholas Tucci, Caprice Benedetti

Duração: 80 min.

Os becos mais obscuros da experiência de imigração na Big Apple, são dramatizados de uma forma aterrorizante no mais recente filme de suspense realizado por Ana Asensio, Most Beautiful Island. Uma estreia na realização e uma película de escrita modesta, mas eficaz.

A longa metragem inicia com frames distantes de diversas mulheres imigrantes, a caminhar por Manhattan antes de focar a sua atenção em Luciana (Ana Asensio)Luciana é uma imigrante que deixou Espanha após um trauma familiar. Neste momento, a sua vida caótica – babysitter de dois miúdos imaturos e trabalhadora a tempo parcial, onde tem que vestir um traje de frango – está virada do avesso, havendo um desespero cada vez forte em encontrar um caminho para a segurança financeira e realização pessoal.

Até ao inesperado dia em que Olga (Natasha Romanova) lhe sugere uma oportunidade digna do american dream. Olga convida Luciana a fazer parte de uma “festa” extravagante e bem paga, sem mais detalhes. Mas, na verdade, Luciana acaba por entrar numa espiral de objetificação e perigo físico. Neste ponto, com um paralelismo subtil por parte da realização, finalmente descobrimos o elo de ligação de todas as mulheres que apareciam na sequência de abertura.

Um dos problemas da história de Luciana é que nos foi transmitida de uma maneira calma demais. Esta calma faz com que o desinteresse pelos seus monólogos vença a empatia criada. Demora cerca de 20 minutos até que a situação se torne emocionalmente envolvente durante o assustador final do filme. Nesse primeiro tempo, assistir Most Beautiful Island é uma experiência improdutiva.

Toda a produção esforça-se em pintar, de uma maneira obscura, a cidade vista dos olhos de imigrantes (de um ponto de vista real, dado a própria realizadora ter raízes madrilenas), com direito a médicos corruptos, lojistas condescendentes e uma frieza geral da população.

É de louvar o grande resultado a nível de imagem e som, onde conseguiu transmitir cada sentimento, roubando facilmente suspiros e arrepios à audiência. Todo este trabalho feito pelas mãos de Noah Greenberg, cinematógrafo, que realizou a filmagem em formato analógico, e pelo designer de som, Jeffery Alan Jones. Ponto positivo para os planos inquietos, paisagens urbanas desgastadas, ruído ambiente e sequências de calma prolongada conjugadas com fases de mal-estar e pavor.

Most Beautiful Island é nada mais do que uma alegoria claustrofóbica, sobre as armadilhas da experiência da imigração sob o disfarce de um thriller psicológico. Filme muito bem conseguido e envolvente, superando os pressupostos esperados para uma produção low-budget. Perde um pouco a sua magia pelo esforço em querer que o público se identifique com a personagem principal, sacrificando o foco na parte final, devendo esta ter sido mais amplamente explorada.

Trailer | Most Beautiful Island

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