Cinema Críticas

Crítica: HHhH

HHhH

Título orginal: HHhH
Título: O Homem do Coração de Ferro
Realizado por: Cédric Jimenez
Elenco: Rosamund Pike, Mia Wasikowska, Jason Clarke, Jack O’Connel, Jack Reynor
Duração: 180 min.

HHhH (ou The Man with the Iron Heart) é um drama, baseado na obra de Laurent Binet, que nos leva aos bastidores da vida e ascensão ao poder do segundo em comando das SS, assim como o seu assassinato por membro das forças revolucionárias.

Durante a Segunda Guerra Mundial Reinhard Heydrich (Jason Clarke) conhece e apaixona-se por Lina (Rosamund Pike), um membro do partido nazi. Incentivado pela noiva e sem opções de carreira, Heydrich torna-se num membro do alto escalão das SS de Himmer (Stephen Graham), a sua mão direita e tratado por Hitler como o homem do coração de ferro.

Heydrich é transferido para a recém ocupada Checoslováquia, mais concretamente por Praga, onde dois jovens soldados, Jan  Kubiš (Jack O’Connel) e Josef Gabčík (Jack Reynor), planeiam assassiná-lo de forma a lutar pela liberdade do país.

Completamente envolvente, este filme dá-nos uma imagem da vida familiar de um general nazi de uma prespectiva diferente. Podemos ver Heydrich num ambiente familiar como marido e pai de família, o que nos deixa a torcer para que este vilão se aperceba dos seus erros e receba o seu final feliz. A prestação de Clarke não deixa ninguém indiferente, mostrando uma capacidade enorme de se transformar de pai em assassino implacável numa questão de segundos. As suas expressões faciais em momentos de angustia e dúvida deixam-nos sem palavras e completamente imersos na dor da personagem. Já O’Connel e Reynor oferecem-nos duas personagens agradáveis e que introduzem nesta produção um ligeiro ambiente cómico.

A transformação de todas as personagens é óbvia ao longo do filme, deixando-nos na dúvida sobre quem deveremos torcer. Heydrich começa como um sujeito agradável, apaixonado e atormentado por erros do passado, para se tornar num homem frio, mostrando que quanto mais se envolve nos assuntos do partido e das SS, mais se distancia da família e da mulher. Sendo que, nos seus últimos momentos de vida, implora que Lina eduque os filhos para serem um exemplo da raça ariana. Também a sua mulher evolui ao longo do filme de uma partidária nazista fervorosa e ambiciosa para uma mãe e mulher sozinha e infeliz, cada vez mais insegura das ações do marido.

Enquanto isso, Kubiš e Gabčík começam como dois adoráveis jovens que desejam lutar pela liberdade do seu país. Infiltrados e com medo de serem apanhados e prejudicarem quem os ajuda, tentam viver com a maior normalidade possível, começando romances com duas raparigas que os ajudam, Anna (Mia Wasikowska) e Liben (Abigail Lawrie), para se tornarem dois homens decididos e corajosos, sendo os maiores apoiantes do assassinato de Heydrich.

A banda sonora prova-se fantástica e emocionante, ligada à época e que, em conjunto com um design de produção fenomenal, leva o espectador numa viagem no tempo. Os uniformes dos oficiais nazis foram reproduzidos na perfeição, incluindo dos detalhes que diferenciam os diversos escalões. Os cenários eram decorados até ao ínfimo promenor, criando assim casas com um aspecto impecável e agradável.

HHhH é sem dúvida uma esplêndida produção e adaptação, que promete apaixonar e dividir os fãs. Desde a assombrosa prestação de Jason Clarke, às cenas brutais e verídicas de assassínios em massa, aos finais emocionantes do protagonistas, HHhH é o mais recente e prodigioso filme sobre o Holocausto que vale a pena assistir.

Trailer | HHhH

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