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The Walking Dead – 8×02 – The Damned

The Walking Dead

CONTÉM SPOILERS

Os rostos da guerra revelam o seu cansaço. Rick e o seu grupo estão a tentar derrubar um dos pontos estratégicos de Negan de um lado, enquanto Carol e Ezekiel tentam encontrar um foragido do seu último assalto.

The Damned é um episódio de ação. Não é um que prime pelo seu enredo, não fosse a sinopse conter apenas três linhas. As personagens são colocadas no centro da ação e, obviamente, que se destacam alguns momentos de fraqueza e outros de grande qualidade. Andrew Lincoln e Lennie James continuam a contribuir para a componente dramática de forma intensa, ainda que todas as restantes pareçam algo fantasiadas e em conflito.

Jesus e Tara discutem uma situação em particular desinteressante, mas que contribui para conhecermos ainda melhor as intenções deste novo membro, ao passo que os diálogos entre os dois caem numa desgraça assim que a série continua a estabelecer uma relação entre “lobos e ovelhas”. Líderes num meio apocalíptico que acabam por oprimir o desenvolvimento das personagens secundárias.

Outra questão terrível neste episódio é a caricatura de Ezekiel. Desde que a personagem apareceu que entendemos que este rei é um devoto shakespeariano. No entanto, em situações mais banais ou de forte carga de ação, Ezekiel não se desprende desta sua faceta, enchendo em breves momentos o ecrã com umas saídas fantasiosas e aparentemente muito aleatórias durante os mesmos.

Mesmo na ação constante durante os 40 minutos de episódio, balas fictícias disparam para todo o lado mas não deixam marcas em nada: nem em tábuas de madeira, nem em carros, nem em objetos de metal usados como escudo. A credibilidade é posta em causa perante uma série que é a mais vista por cabo. Milhares de milhões de pessoas assistem a The Walking Dead semanalmente, mas isto parece não ser suficiente para os produtores apostarem num realismo que é essencial à sobrevivência da série. Tudo parece plastificado e tratado com leveza quando poderia ter um impacto significativo se houvesse um cuidado em tornar as sequências de ação fluentes e credíveis.

Mas nem tudo está perdido em The Damned. Apesar do enredo nulo e destas falhas argumentativas nos diálogos, bem como personagens que interagem sem qualquer química ou companheirismo ou ação pouco realista, o episódio tem alguns momentos interessantes. A fotografia e os planos oscilantes que se focam em Rick e Morgan conseguem projetar-nos para a psique das personagens, auxiliados ainda pelas performances de ambos os atores.

A realização de Rosemary Rodriguez é, no entanto, satisfatória, à medida que saltita entre os diferentes locais e no foco dos rostos cansados dos intervenientes. São estas pequenas particularidades que ajudam o episódio a ter algum mérito, ainda que caia por terra em conquistar os fãs.

Portanto, The Walking Dead continua a não saber manter uma qualidade progressiva, ainda que se vá safando por uma ou outra situação que suscita algum interesse.

Leiam o Frame by Frame do episódio anterior de The Walking Dead aqui.

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Apesar de alguns momentos castiços, The Walking continua a não conquistar e a cometer erros graves que poderão levar o público a afastar-se.

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