Old But Gold Rubricas

12 Angry Men

Prejudice always obscures the truth.

12 Angry Men é um drama de 1957 realizado por Sidney Lumet e segue a história de um júri num caso de homicídio.

O júri, constituído por doze homens de diferentes origens e grupos sociais, junta-se numa sala para decidir se um jovem é ou não o responsável da morte do pai, caso seja considerado culpado o rapaz será condenado à morte. Como a decisão tem de ser unânime, o facto de o jurado 8 votar “não culpado” inicia uma longa discussão sobre a inocência do acusado que leva todos na sala a questionar os seus valores e opiniões.

Esta adaptação da pela de Reginald Rose, é provavelmente o meu filme favorito sobre julgamentos e nunca me esquecerei a primeira vez que o vi, numa aula do meu 12º ano, onde o professor iniciou um debate interminável sobre a importância de não olharmos às aparências.

Deixemos de lado todo o palavreado técnico e cinematográfico e analisemos para já o enredo. Durante horas, um grupo de pessoas distintas são colocadas numa sala para decidir a vida de uma outra pessoa. Numa primeira vez, 11 deles votam culpado, olhando apenas para a sua vontade de sair daquela sala e apenas 1 olha aos factos e contesta a culpabilidade do jovem. Não é assim hoje em dia na nossa sociedade? Aliás… Não é assim desde sempre? 11 apontam o dedo e 1 serve de escudo? Vivemos numa sociedade feita para julgar e acusar, onde são poucos os que defendem e lutam pela verdade. No filme, um rapaz seria condenado à morte porque 11 pessoas tinham mais do que fazer do que analisar as provas do seu crime, até porque ele vinha de um bairro de lata e o mais provável é que fosse um criminoso.

Outro ponto fulcral a analisar é a vaidade. A única testemunha do crime, aparece em tribunal sem óculos, apenas por uma questão de beleza, e é o maior trunfo de acusação, pois a mulher insiste que viu o rapaz a fugir do local do crime. E como é que o júri descobre que a testemunha usa óculos? Porque um dos seus membros para aliviar a pressão do par, coça o nariz, um gesto que a testemunha repetiu várias vezes durante o seu testemunho. Talvez um tique nervoso causado por anos de uso do objecto que leva a que finalmente sejam mudados os últimos votos, pois os jurados deixam de considerar a testemunha viável.

Por fim, a atitude do jurado 3. Este homem estava disposto que um rapaz inocente fosse condenado à morte porque o seu próprio filho não correspondia à suas expectativas. O usarmos os nossos sentimentos e problemas para julgar os outros nunca é o mais correcto. Cada caso é um caso e nós não somos ninguém para passar sentença a outros só porque vivemos situações semelhantes.

Com performances fantásticas e inspiradoras, 12 Angry Men é o filme perfeito para nos auto analisarmos como membros da sociedade e como seres humanos. Não projectemos nos outros os nosso problemas. Não sejamos vaidosos. Não sejamos irracionais. Não julguemos os outros através de estereótipos.

 

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