Cinema Críticas

Crítica: Jungle

Jungle

Título Original: Jungle

Título: Jungle

Realizado por: Greg Mclean

Elenco: Daniel Radcliffe, Thomas Kretschmann, Alex Russell, Joel Jackson, Lily Sullivan

Duração: 115 min.

Daniel Radcliffe interpreta Yossi Ghinsberg, um jovem turista israelita que viaja pela Bolívia em 1981 e se cruza com um carismático aventureiro chamado Karl (Thomas Kretschmann). O jovem recebe um convite a embarcar em busca de ouro numa tribo indígena, que reside numa parte remota da floresta da Amazónia. Yossi fica fascinado com a oferta de Karl e atira-se de cabeça à ideia de explorar o desconhecido, conseguindo convencer os seus dois amigos, Kevin (Alex Russell) e Marcus (Joel Jackson) a juntarem-se a ele.

A linha dramática de Jungle é que, eventualmente, Yossi encontra-se sozinho na selva, perdido, com pouca esperança de sobrevivência. Mas a palavra em voga aqui é exatamente o “eventualmente”. Jungle leva mais de uma hora a chegar ao cerne do filme, o que poderia ter fornecido ao realizador Greg McLean (muito conhecido pelo ser filme de terror The Belko Exeperiment e Wolf Creek) e ao argumentista Justin Monjo uma ampla oportunidade de construir suspense, caso tivessem desenvolvido mais os seus personagens.

A história real de Yossi, marcada com grandes atos de bravura e coragem parece quase propositada para uma adaptação ao grande ecrã. Desde os terrores psicológicos, à incerteza de conseguir chegar vivo a uma tribo, Jungle encaixou que nem uma luva ao realizador.

Na maioria do filme, McLean aposta nos detalhes do percurso de vida de Yossi, de modo a conferir-lhes grandes efeitos. Ele, em conjunto com Radcliffe, capturaram maravilhosamente a mentalidade aberta, ainda que imprudente, de Yossi, quando conhece Marcus e Kevin. McLean atinge o tom certo nos planos paisagísticos de tirar a respiração, pairando quase entre o perigoso e o emocionante. Consegue ainda captar de uma maneira exemplar, o ambiente instável entre os companheiros e a selva.

Com uma certa ironia, Jungle começa a perder a sua essência quando Yossi se perde. Assim que o realizador tem apenas Radcliffe e a Selva, começa a recorrer a efeitos com pouca qualidade e clichés psicológicos demasiado exagerados para expressar o verdadeiro estado de espírito do mochileiro. Yossi sofreu algumas alucinações durante a sua jornada, fruto do cansaço quase fatal, mas Jungle ilustra isso com imagens e flashbacks totalmente desnecessários, usados apenas para acabar com a monotonia da ação.

Daniel Radcliffe tem uma impressionante prestação, carregando Jungle aos ombros, quando tem liberdade para tal. Muitos pontos dados à capacidade do ator canalizar as frustrações de Yossi no que toca às suas habilidades de exploração um pouco rudimentares, tal como quando ele descobre que teve um dia inteiro a andar em círculos.

Apesar das suas falhas óbvias, tais como um design de som insípido e uma forte tendência para explicar visualmente ideias simples, a história de Yossi tem um peso suficiente por si só para tornar Jungle num filme de sobrevivência moderadamente atraente. O filme está em terreno sólido quando se baseia exclusivamente nos perigos exclusivos da Amazónia (como, por exemplo, numa das melhores cenas do filme, quando Yossi encontra um parasita alojado na sua testa e o retira).

Conclusão: Yossi é um forte protagonista e mantém o público compenetrado na sua luta para se manter vivo. Às vezes, o suporte de uma história real convincente é o necessário para fazer uma boa ficção.

Trailer | Jungle

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