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Mindhunter – 1×10 – Episode 10

Mindhunter

CONTÉM SPOILERS! 

E assim chegamos ao último episódio de Mindhunter, a nova série da Netflix com o cunho de David Fincher.

Contrariamente ao que tenho vindo a fazer nas Frame By Frame anteriores vou optar por não vos dar detalhes relativamente aos conteúdos deste décimo e último episódio. Precisamente por ser o último, acho que faz todo o sentido que sejam vocês a apreciá-lo por vossa conta e risco, e a tirar as vossas próprias conclusões.

Prefiro antes falar-vos um pouco, de uma forma global, do crescimento das várias personagens, daqueles que considero terem sido os pontos fortes e fracos da série e da mensagem. Fa-lo-ei aos olhos da minha, não opinião pessoal, mas sim apreciação crítica. Mas devo ser honesta quando vos digo que também o farei tendo em conta a minha profissão. Mindhunter foi uma série “especial” para mim, também por causa da minha profissão enquanto psicóloga clínica, e não o tentarei negar nem esconder. E ao longo destes dez episódios fomos felizes as duas, eu e a série.

Em primeiro lugar, e para resumir, tal como já tinha sido introduzido: a série pretende guiar-nos na compreensão dos motivos, das motivações e das estratégias dos ditos serial killers. Nos anos 70 cerca de 40 reclusos americanos cumpriam pena por homicídios bizarros, sequenciais, com contornos macabros. Mas a verdade é que muito pouco (ou mesmo nada) se conhecia sobre perfil criminal. Não se falava de psicologia forense, a poucos interessava a importância das experiências precoces e dos traumas da infância nos comportamentos da vida adulta.

E foi este o objetivo de David Fincher: Pegar num Holden Ford, um agente negociador de reféns um tanto frustrado e num Bill Tench, um agente sénior do departamento de ciência comportamental e juntá-los. Para que, durante a escola móvel de técnicas do FBI eles possam entrevistar assassinos sequenciais e precisar o que pode estar por trás dos seus hediondos crimes. Nasce assim a criminologia forense!

A ideia da série é boa. Não tive oportunidade de lera obra na qual se baseia, “Mind Hunter: Inside the FBI’s Elite Serial Crime Unit“, publicado por dois agentes, John Douglas e Mark Olshaker, mas no que concerne a esta primeira temporada não estou desiludida. É interessante verificar como se deu a evolução da “coisa”, desde os anos 70 até à actualidade. É como visitar um museu em frente ao computador.

É claro que, para além da ideia em si, ela está bem conduzida. Mas nem outra coisa seria de estar, tendo em consideração que estamos a falar do cineasta que estamos a falar. David Fincher é um excelente profissional e sempre nos deu provas disso, principalmente na sétima arte. Excelente realização, diálogos brilhantes, bons planos.

Para o espectador mais atento, a série comporta uma série de elementos que se cruzam e interligam, os quais optei voluntariamente por não referir nas FbF. Fi-lo porque acho que o objetivo dessas rubricas não passa por uma análise exaustiva dos episódios, e porque eu acho que é da “responsabilidade” do espectador abrir o seu pensamento crítico ao “material” que lhe está a ser disponibilizado na série. Especialmente quando estamos a falar de um trabalho destes, que apela precisamente a essa abertura.

Resta-me alertar para o facto de que, aparentemente, nada me parece acontecer por acaso. Como tal seria aconselhável manter as atenções redobradas quando for altura de dar a mão a Mindhunter.

Relativamente às prestações, há sem dúvida que dar os parabéns ao elenco, de uma forma global. Os actores portaram-se bem, dentro das suas personagens. Dou especial destaque a Anna Torv, a Dr.ª Wendy Carr, que foi aquela minha personagem “favorita”. Talvez por ser ela psicóloga e mulher, foi-me mais fácil ter criado uma ligação e empatia com a figura.

Achei também que, de um modo geral, todos os actores encarregados de representar os malfadados serial killers estiveram incrivelmente bem, com especial destaque para Edmund Kemper (Cameron Britton). Que papelão!

Confesso que talvez seja um problema meu, mas nunca senti ter criado forte empatia com Holden Ford, a personagem principal interpretada por Jonathan Groff. Sei, no entanto, que o actor correspondeu perfeitamente a todas e quaisquer expectativas por si criadas, sendo notável o crescimento da personagem ao longo da série. Trata-se de um homem que se pretende inteligente, ousado na forma de trabalhar, extremamente interessado e curioso, mas que não consegue também imunizar-se perante as exigências e a dureza do seu trabalho.

Cá, chegou-me muito pouco de Holden Ford. Mas eu reconheço que talvez seja um problema mais meu do que de Jonathan Groff, talvez por uma inevitável comparação que eu faço com outros crânios de séries televisivas do mesmo género (que sei que não devia fazer, mas é inevitável  e ao menos estou a abrir o jogo com vocês).

Resumindo e concluindo, acho que a série é boa. Não é EXCELENTE, PERFEITA. É boa, é muito agradável. É um bom trabalho do Fincher, como o é tudo aquilo que ele faz. Com uma boa ideia, com um bom elenco, com um bom argumento e com uma boa direcção. Com uma boa dose de mistério também, sem cair no drama fácil e pestilento.

O último episódio deixa uma fresta de curiosidade para a próxima temporada, que aguardaremos com carinho.

Até lá, tentem manter a mente sã…em corpo são!

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E assim chegamos ao último episódio de Mindhunter, a nova série da Netflix com o cunho de David Fincher. Como se despedem os protagonistas de nós, nesta primeira temporada?

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