Cinema Críticas

Crítica: Don’t Sleep

Alex Rocco em Don't Sleep

Título original: Don’t Sleep

Título: Don’t Sleep

Realizado por: Rick Bieber

Elenco: Cary Elwes, Alex Rocco, Drea de MatteoDominic SherwoodJill Hennessy

Duração: 101 min.

Shawn (Charlbi Dean Kriek) e Zach (Dominic Sherwood), um casal jovem, mudam-se para uma nova casa com o intuito de começar a sua vida a dois. Se lermos com calma a frase anterior e pensarmos um bocadinho, esta é a receita para uma gigantesca percentagem de filmes de terror. Eu próprio, sendo um fã do género, quando mudei de casa levei um crucifixo e um cordão de alhos em volta do pescoço. Nunca se sabe.

Rick Bieber (Rehab) foi inteligente ao ponto de nos dar a entender que a receita era esta e depois mudar completamente o jogo. Bem jogado. A mostrar que nem todos os Biebers deste mundo são maus. Infelizmente, gastou as cartas todas aí e Don’t Sleep está longe de ser o filme que eu escolheria para ver no Halloween este ano. Está longe de ser o filme que eu escolheria para ver em qualquer altura do ano, na realidade. Mas já lá vamos.

O filme começa com o nosso protagonista ainda criança, um pequeno Zach (Dash Williams), a mergulhar num pesadelo. A atomsfera é muito creepy, muito bem concebida. Palminhas. O pesadelo é recorrente e tão mau que o nosso Zach não quer dormir (Don’t Sleep, percebem? Agora está explicado.)

Depois vemos o nosso Zach, todo jovem adulto, 13 anos mais tarde, com uma namoradinha linda. Ela chama-se Shawn. Ia jurar que Shawn era nome de homem… De qualquer forma, a relação dos dois é perfeita. Ela é artista e trabalha com miúdos, ele está a terminar Direito. Adoram a casa nova que vão visitar desde o primeiro momento e até os senhorios são perfeitos! Vincent (Alex Carter) e Jo Marino (Drea de Matteo) fazem um “jeitinho” na renda para que ela esteja dentro do orçamento do jovem casal… Já disse que o casal é perfeito?! Vou dizer outra vez porque o artigo não tem limite de caracteres: o casal é perfeito.

Quando tudo é perfeito há sempre algo que vem estragar tudo.

Uma noite, o senhor Marino (Alex Rocco), pai de Jo Marino, é atacado brutalmente por um desconhecido. Ficando com terriveis sequelas que levam ao suicídio. O atacante é uma incógnita. Os motivos também. Até aquela zona era tão pacata.

Este evento é o catalisador para tudo o resto. Os pesadelos de Zach regressam. Ele próprio começa a tentar perceber o que aconteceu e o porquê de não se lembrar de muitas das coisas da sua infância. É esse o caminho que leva a drásticas mudanças na relação do casal perfeito e até da relação deles com os seus senhorios perfeitos na tal vizinhança perfeita.

Sob pena de vos dar spoilers vou parar de vos contar a história. Vou analisá-la. A partir daqui, já não vão ler mais a palavra “perfeito”.

Vamos começar pela narrativa: não é má. Apesar da velha história da casa nova, a premissa é relativamente original e o ambiente criado nas sequências mais creepy é muito interessante e até devo dizer que estão bem feitas para o nível geral do filme. O problema é quando se tenta desenvolver a narrativa. Dizer que este filme tem sérios problemas com o enredo é um eufemismo. É como dizer que na Antártida é um bocado fresco. A certa altura o filme pouco mais é do que uma sucessão mais ou menos aleatória de figuras encarapuçadas a aparecer em sítios que variam entre o banco de trás do carro e o tecto de uma sala.

Além disso, são dadas algumas cenas que alimentam hipóteses que não fazem sentido. Por exemplo: logo no começo, depois de um jantar com os senhorios, os pombinhos voltam para casa. Enquanto os pombinhos fazem aquilo que os pombinhos fazem (não vos vou fazer um desenho) é-nos dada uma sequência de planos do Mr. Marino a aparecer cada vez mais perto da casa. Depois desse momento nunca mais NADA nos é dado que prove que esses planos fazem sentido ou foram úteis.

E a porta do armário… Nem me façam falar da porta do armário!

Outro ponto que destrói o filme é a representação. A equipa de casting fez um trabalho muito bom a escolher personagens agradáveis à vista. Meninas muito giras, senhoras de meia idade que podiam passar facilmente por 30 anos fresquinhos, senhores muito metrossexuais e um protagonista cujo cabelo se mantém impecavelmente no sítio mesmo de pois de andar à pancada dentro do carro. Mas quando esta gente abre a boca… O nível é médio/baixo para ser simpático. O escândalo aqui é que alguns destes actores são veteranos e o Alex Rocco até entrou no Padrinho! Tragicamente este foi o seu último filme antes de morrer. Vamos recordá-lo pelo Padrinho apenas, ok? O pobre homem merecia melhor do que isto para terminar a carreira e a vida.

Por fim, a cereja (com bixo) no topo do bolo, o plot twist final (que não revelo porque sou anti-spoiler) faz tanto sentido como… Bem, como nada. Porque neste filme pouco ou nada faz sentido…

Dica final:

Vejam o filme. Eu sei que arrasei um bocado a vontade que possam ter de o ver mas há duas coisas a ter em conta:

  1. um mau filme também ensina muita coisa;
  2. o facto de eu não ter gostado, não quer dizer que é o pior filme de sempre.

Trailer | Don’t Sleep

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