Críticas

Crítica: It

It

Título original: It

Título: It

Realizado por: Andy Muschietti

Elenco: Jaeden LieberherJeremy Ray TaylorSophia LillisFinn WolfhardChosen JacobsJack Dylan GrazerWyatt OleffBill Skarsgård

Duração: 135 min.

Depois de todo o hype e todo o marketing à volta de “It”, a adaptação cinematográfica de uma das mais icónicas obras literárias do mestre Stephen King chega aos cinemas portugueses.

No global, e se não se deixarem levar por todo o hype, é não só a melhor adaptação de um livro de Stephen King ao grande ecrã, como um das melhores narrativas de terror que vi nos últimos anos. Claro que é sempre difícil agradar a todos e quando muita gente olha para este It como um remake, quando na sua génese ele não o é, as comparações são inevitáveis e às vezes injustas para ambos os lados. Neste artigo vou fazer o que fiz na sala de cinema e o que recomendo a todos quando forem ver este filme: esqueçam o It de 1990. Vejam este como se o outro não existisse. Vão ver que a experiência é mais rica.

“It” passa-se no verão de 1989 e acompanha o verão de um grupo de crianças, alvos tradicionais de bullying, na cidade de Derry, estado do Maine. Este grupo vê-se no meio de uma série de eventos e desaparecimentos estranhos que parecem acontecer em ciclos de 27 anos nesta cidade. Esta é a premissa para os eventos que o ecrã nos mostra durante os 135 de filme.

O “Losers Club”, composto por Bill Denbrough (Jaeden Lieberher), Ben Hanscom (Jeremy Ray Taylor), Beverly Marsh (Sophia Lillis), Richie Tozier (Finn Wolfhard), Eddie Kaspbrak (Chosen Jacobs), Stanley Uris (Jack Dylan Grazer) e Mike Hanlon (Wyatt Oleff). Este grupo é atormentado pelo palhaço Pennywise (Bill Skarsgård), uma criatura que habita esgotos de Derry e que se alimenta dos medos das crianças. Além da sua forma tradicional, a de palhaço, It aparece também sob a forma de qualquer que seja o principal medo da criança que pretende atacar.

Bill Denbrough é o foco principal da narrativa, pelo facto de ter sido tocado pessoalmente pelos desaparecimentos, quando o seu irmão Georgie desapareceu misteriosamente durante uma tempestade. Bill e Ben, com a ajuda do restante “Losers Club”, levam a cabo toda uma investigação que os leva a suspeitar que o passado misterioso da cidade de Derry e de uma maldição sobre a cidade podem estar por trás do desaparecimento de Bill. No entanto, o medo (e “medo” é efectivamente a palavra chave aqui) começa lentamente a dividir o grupo.

Andy Muschietti consegue contar e desenvolver a história de uma forma muito interessante, ainda que a diferentes velocidades. Inicialmente o filme tem um ritmo muito intenso, com várias sequências muito ricas em eventos que nos contam muito sobre as personagens e a sua circunstância, enquanto nos colam à cadeira com o suspense e terror. Depois o ritmo decresce e senti-me a perder um bocadinho aquilo que me estava a agarrar à tela quando, de súbito, tudo volta a acelerar novamente para o climax final.

Pennywise é sem dúvida o foco do filme. E aqui a produção está de parabéns. Primeiro, Bill Skarsgard tem um prestação que certamente ficará para a história. Assustador mas delicioso ao mesmo tempo. Arrebatador e arrepiante. A expressividade do actor aliada à caracterização do palhaço e aos efeitos especiais fizeram deste Pennywise aquilo que o Pennywise do livro sonhava ser. O confronto final, com o ambiente criado no “ninho” do vilão, é o ex-libris de tudo o que acabei de descrever neste parágrafo.

Outra performance que gostava de destacar é a de Finn Wolfhard, que encarna Richie Tozier, um pequeno nerd com uma costela de humorista. É uma personagem que está nos antípodas do que Finn representa em Stranger Things (aqui é mais cómico e menos corajoso) e, mesmo assim, Finn está incrível. Este jovem promete. Espero que, como tantos outros jovens que prometeram muito, não desapareça na transição de adolescente para adulto. Mas para já, os indicadores são MEGA positivos.

O confronto do grupo com Pennywise na icónica casa da rua Neibolt é, para mim, o ponto forte do filme. É difícil entrar em grandes descrições e manter-me afastado dos spoilers, mas aqui vemos tudo o que este It tem para mostrar: os efeitos especiais, a caracterização, o talento dos personagens e até a decoração dos espaços.

Claro que o filme não é perfeito. Isso não existe. Andy Muschietti, como já disse, conta muito bem a história recorrendo a uma cinematografia interessante e original, mas a certa altura parece que entrámos num ciclo de repetição da receita. O público do cinema de terror não é um público fácil, e isso pode ver-se em algumas reviews menos positivas que o filme recebeu, e talvez por isso o filme recorre algumas vezes aquele truque do jump scare que se tornou moda e, quanto a mim, está a estragar um bocadinho a experiência. O facto de termos em mãos uma história cujo material literário foi reconhecido como do mais assustador já feito e mesmo assim termos de recorrer a esse truque, desilude-me um pouco. Pelo menos não foi usado exaustivamente e em falso. Mas estava lá. É uma pena.

No geral é um grande filme com o núcleo duro dos seus actores a ter performances muito sólidas e deixa-me a salivar pelo Capítulo II que está anunciado mas ainda não tem data. Apenas se sabe que contará com o mesmo realizador e com Bill Skarsgard novamente como Pennywise. Ambos estão aprovados. Aprovadíssimos.

Agora toda aquela discussão e comparações entre o It de 1990 e este são sem dúvida interessantes, incontornáveis e difíceis de gerir. Mas são conversa para outra altura.

Trailer | It

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