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Game of Thrones – 7×07 – The Dragon and the Wolf

Game of Thrones

CONTÉM SPOILERS

Bem… chegou o muito antecipado season finale. Aquele que nos faz querer mergulhar num lago gelado, congelar, e só voltar à vida quando sair a 8ª e última temporada (2019 ainda está muito distante, de facto).

The Dragon and the Wolf não é propriamente um capítulo imprevisível. Não tem cenas inesperadas, mas sabe criar a tensão exata para nos deixar impacientes com o desenrolar da ação. Os grandes de Westeros juntam-se para decidirem o futuro da humanidade: o Inverno está a chegar e Cersei precisa da confirmação visual de que os white walkers são reais. Em Winterfell, Sansa precisa de tomar uma atitude e Sam regressa ao Norte. Por fim, a Muralha que protegia todos os habitantes de sangue quente de Westeros é destruída por um Viserion com umas lentes de contacto novas.

Game of Thrones é uma série que prima pelos seus visuais caprichados, talentosos atores e uma escrita empolgante e inteligente, capaz de gesticular com mestria as diferentes interações entre personagens. Em The Dragon and the Wolf, a mestria de David Benioff e D.B. Weiss revela-se precisamente nos momentos mais simples. Desde o início do episódio em que Bronn partilha a sua opinião de homens castrados, passando pelo seu reencontro com Tyrion; criando tréguas entre The Hound e Brienne, até à referência do “magic cock” de Podrick, ao confronto face-to-face entre Cersei e Tyrion e aos discursos de Daenerys e Sansa em momentos de aperto.

Game of Thrones é tão rico que, mesmo dentro da sua componente fantasiosa, não deixa de enviar mensagens reais e urgentes. Arya e Sansa unem-se cada vez mais o que, para Littlefinger, é tudo menos boas notícias. “When the snows fall and the white winds blow, the lone wolf dies but the pack survives.” – Uma mensagem de esperança. Um dito simples, direto e sentido. Uma pequena pérola de escrita capaz de nos fazer repensar no quanto especial é a família. Do quanto ela é importante para nós e do quanto somos ferozes para a proteger. Petyr Baelish foi cuspindo o seu veneno até que o veneno foi-lhe cuspido diretamente na cara. Apesar de ficar ligeiramente triste pela sua partida (Littlefinger foi sempre uma das minhas personagens favoritas), não poderia haver melhor forma de terminar com as suas façanhas. “O feitiço virou-se contra o feiticeiro” e o seu jogo finalmente terminou.

Voltando a “assuntos mais quentes”, Daenerys e Jon continuam a fortalecer os seus laços e, FINALMENTE, o resultado é tão escaldante como este verão. Mas, para além de todo o entusiasmo em ver estes dois (que são tia e sobrinho) num momento íntimo, é em Dragonpit que a escrita de The Dragon and the Wolf brilha. Daenerys conta a Jon a história do local onde se reuniram com Cersei: Dragonpit. Foi ali, naquela arena, que os dragões foram forçados a estar em cativeiro, a lutarem entre si e tudo porque o ser humano não consegue desprender-se da sua necessidade de controlo. A natureza é forçada a submeter-se ao entretenimento que nós, enquanto seres conscientes, impingimos sobre ela. Falar de dragões enjaulados e maltratados pode parecer mais uma referência fantasiosa, mas há tanto de verdade como de real nas palavras de Daenerys. Ao ouvi-la, flashes de circos, lutas entre animais, jardins zoológicos passaram diante dos meus olhos. Aquelas criaturas que tanto nos fascinam e que são acorrentadas, encarceradas e exploradas, apenas para nos dar uma falsa sensação de que conseguimos domar tudo aquilo que, a uma primeira vista, é selvagem e não domesticável.

O poder de Game of Thrones é este: fazer com que as mensagens simples da sua história possam ser relacionadas com a nossa própria vida e o nosso próprio mundo. Cersei e Tyrion também partilham um momento de tensão fabuloso que serve de prova de como Lena Headey e Peter Dinklage são dois grandes titãs do mundo da 7ª arte. Se falar de família é delicado, há também algo que inconscientemente nos faz nunca desistir dela. Seja pela afinidade, ou sangue, interesse ou até mesmo ódio. O resultado é simples: Tyrion faz um acordo secreto com Cersei ao descobrir que esta está grávida. Não é visível ao público mas enquanto Jon e Daenerys experimentam as posições do Kamasutra de Westeros, Tyrion fica na sombra, apreensivo. Provavelmente pensar-se-á: porque raio se importará ele com o envolvimento destes dois? Na minha honesta e humilde opinião, Tyrion não está preocupado com isso. Aliás, Tyrion sabe que teve de tomar uma posição para “mudar” a mentalidade da irmã para esta aceitar a união para combater o Inverno. Cersei está cada vez melhor neste jogo. Cersei sabe que ao apelar ao lado mais vulnerável de Tyrion pode explorar essas fragilidades, forçando-o a tornar-se um espião para a Casa Lannister. Uma teoria simples, mas que justifica um dos momentos mais enigmáticos do episódio.

Por fim, Game of Thrones volta a ser a série rainha da realização. O exército dos mortos chega à Muralha e o Night King emerge das sombras com o seu novo animal de estimação que destrói a única proteção que o resto do mundo tem contra eles. Chegou a altura. O Inverno está a marchar em direção a Sul e ninguém está seguro.

Um dos aspetos menos bons de toda a série (não só deste episódio em específico) é na profecia de Jon ser descendente direto da Casa Targaryen. Uma profecia que continua a ser tão rebuscada quanto colocada à força para dar mérito a uma personagem que, por si só, nunca precisou dele. Game of Thrones nunca precisou de justificar todas as teorias ou todo o material de onde foi adaptado. Aliás, a série começou a florescer precisamente quando se começou a distanciar dos livros de George R.R. Martin (a batalha de Hardhome continua a ser um dos melhores momentos da série até agora). No entanto, os fãs mais acérrimos continuam a levar a melhor dos criadores, entregando previsivelmente respostas que alimentam ainda mais esta porção narrativa do Príncipe Prometido que, honestamente, é cliché e desinteressante.

Contudo, continuo a aconselhar o meu caro Jon a envolver-se com a sua tia Daenerys porque, sejamos sinceros, não há casal com mais química que este. Para terminar, The Dragon and the Wolf consegue ser um capítulo magnífico, ainda que, mais uma vez, não tenha surpreendido a 100%. No entanto, é difícil aguentar a espera perante o que se avizinha, deixando-nos em 2018, à espera que o Inverno chegue finalmente a Westeros e force os nossos heróis favoritos a temer pela vida.

Um bem haja a todos eles e que a temporada final seja a melhor alguma vez criada em televisão.

Leiam o nosso Frame by Frame do episódio anterior aqui.

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Game of Thrones encerra a sua 7ª temporada de forma rica, ainda que tropece um pouco na previsibilidade. O aspeto visual e a escrita continuam a preservar o seu estatuto como a mais vibrante série de televisão do momento.

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