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Game of Thrones – 7×06 – Beyond the Wall

Game of Thrones

CONTÉM SPOILERS

De volta a Westeros com um dos mais intensos, dramáticos e tecnicamente perfeitos episódios de todo o universo de Game of Thrones.

Beyond the Wall é um conto de sangue, pintado com tons de fogo e gelo que nos leva ao extremo da nossa tolerância nervosa. Enquanto o nosso “Suicide Squad” caminha em direção ao seu objetivo de capturar um white walker para provar a Cersei que eles, de facto, existem, são atacados por ursos polares já transformados. Em Dragonstone, Daenerys e Tyrion colocam os pontos nos is e as irmãs Stark começam seriamente a contestar as suas motivações.

Paira no ar um ambiente de incerteza, insegurança, medo e pânico. O suspense aperta de todas as frentes assim que vemos Jon (Kit Harington) a caminhar em direção ao perigo, a presenciarmos as discussões de Sansa e Arya e a súbita saída de Daenerys (Emilia Clarke) de Dragonstone nos seus três filhotes maravilhosos. A missão de capturar o walker intensifica-se e repentinamente vemos os nossos heróis a correr pelas suas vidas até a um lago gelado e, graças às forças da natureza, o lago quebra, fazendo com que os walkers permaneçam na berma do mesmo. Por muito tempo? Não, de todo. Nem o calor mais tórrido destes dias conseguiria parar as forças do Inverno que se avizinham e o lago rapidamente volta a congelar, permitindo a passagem dos mortos. O clima de tensão disparar para um grau insuportável. A câmera de Alan Taylor vai oscilando de forma rápida e torna-se, inclusive, brincalhona quando começam a acontecer as desgraças de algumas personagens figurantes que morrem (e que pensamos, por momentos, que são alguns dos nossos heróis). Mas Beyond the Wall é ainda mais doloroso do que isto.

Beyond the Wall é um capítulo que transcende tudo o que foi feito em Game of Thrones até à data. É um festim visual capaz de nos romper com toda a nossa alma. Daenerys tenta socorrer os seus companheiros das forças de Night King e o seu exército de mortos-vivos até que Viserion é atingido por uma lança (podíamos dizer que se o Night King participasse nos Jogos Olímpicos era Medalha de Ouro) e perde a vida. A dor de ver uma criatura tão magnífica e possante a sucumbir a algo tão aparentemente pequeno é inimaginável. O gigante alado afunda-se lentamente nas águas geladas e o nosso coração quebra a meio. Mas isto não se fica por aqui, já cá voltamos.

Os nossos heróis conseguem escapar do Inverno, ainda que destroçados. Em Winterfell, Sansa e Arya começam a questionar das motivações de ambas, assim que Arya descobre uma mensagem nos aposentos de Littlefinger. Claramente que esta jogada é intencional para as irmãs se separarem e, numa mensagem “proveniente” de King’s Landing, Sansa envia Brienne para comparecer ao encontro. Todas estas jogadas de Baelish parecem estar a surtir o efeito desejado mas será que conseguirão ter o sucesso que aparentemente estão a ter? No universo de Game of Thrones o enganador pode facilmente tornar-se no enganado. Tentar criar uma brecha de atrito entre a família Stark, depois de tudo o que ela passou, pode ser uma jogada demasiado arriscada; até mesmo para Littlefinger. Talvez no episódio final isso se confirme, até lá, saboreemos um pouco mais de Beyond the Wall.

Com a perda de um dos filhos e depois de abandonar Jon no campo de batalha, Daenerys está destroçada e a necessita de um certo conforto. Eis que Jon regressa da morte (mais uma vez) depois de o seu tio Benjen o ter salvado da horda de defuntos. O tio Benjen, que é uma aparição rara na série, parece ter-se sacrificado para salvar Jon. O reencontro da Mãe dos Dragões com o Rei do Norte é simplesmente adorável e, ainda que com tons incestuosos, não deixa de ser um momento maravilhoso e romântico entre os dois. Em palavras mais informais, acho que está na altura de colocarmos de lado a verdade de Jon e Dany e deixá-los fazer o que Deus os pôs no mundo para fazer.

Em tanta tragédia e momentos de tensão, os momentos entre Dany e Jon são absolutamente poderosos, trazendo um raio de esperança para o que está ainda por vir. Com isto e depois de um episódio quase perfeito, aguardo com muito entusiasmo o final de temporada ainda que com um travo agridoce por ser o último e ter de esperar mais um ano (ou quem sabe mais) por regressar a Westeros por uma última vez.

Game of Thrones continua a ser uma das séries mais brilhantes da televisão e Beyond the Wall torna-se no culminar de uma etapa crucial para a mesma. Em todo o seu esplendor vemos algo que parecia indestrutível a desmoronar gradualmente. Ninguém está seguro nos Sete Reinos e o Inverno é ainda mais mortífero do que pensávamos.

Leiam o Frame by Frame do episódio anterior aqui.

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Game of Thrones atinge o seu auge mais doloroso, provando que continua a ser uma série visualmente rica e em constante transformação.

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