Cinema Críticas

Crítica: Atomic Blonde

Título orginal: Atomic Blonde

Título: Atomic Blonde: Agente Especial

Realizado por: David Leitch

Elenco: Charlize Theron, James McAvoy, Eddie Marsan, Roland Møller, Sofia Boutella

Duração: 115 min.

Atomic Blonde segue a missão da agente especial do MI6 Lorraine Broughton, interpretada por Charlize Theron. Enviada para Berlim durante a Guerra Fria, a agente tem como objetivo investigar o homicídio de um outro agente e recuperar uma lista perdida de agentes duplos. Num mundo de mentirosos e estrategas, será que se pode confiar em alguém?

O enredo não é novidade. Variadíssimos filmes de espionagem já revelaram todos os aspetos mencionados neste filme, mas ficava a esperança de que a tecnologia atual e o elenco pudessem destacar este filme dos restantes. O único problema é que um enredo que seria, à partida, simples, envolve-se demasiado em si mesmo, ramificando-se em demasia, tornando-se confuso e entediante. São-nos apresentados personagens que têm um papel relevante na história mas que dos quais não sabemos nada e, quando temos interesse em saber mais, não nos são dadas respostas. Todos os restantes personagens caem num aborrecimento atípico, à excepção de um, Percival, interpretado por James McAvoy.

No entanto, todo o elenco tem um papel gratificante no filme. Todos os atores se adequaram positivamente ao seu personagem, apesar de não serem tão interessantes como deveriam. Mas há uma performance que se destaca no meio de todas, James McAvoy. Em qualquer filme que faça parte, McAvoy dá sempre o seu melhor e, em Atomic Blonde, ele arrasou! O ator leva o lado misterioso do seu personagem ao limite, assim como o ganancioso e conspirador.

Atomic Blonde não tem uma ligação tão forte a John Wick como a que seria de esperar. O tom do filme não consegue trespassar a agressividade de John Wick. Aposta principalmente num enredo misterioso e complicado em vez da habitual ação constante. Os únicos traços que são partilhados por ambos os filmes é o uso de cores fluorescentes numa tela escura, dando-lhes um aspeto retro, e o posicionamento e ângulo de câmera.

As sequências de ação em Atomic Blonde são nítidas e fluídas, sem movimentos bruscos da câmera, criando momentos empolgantes e, no entanto, exaustivos. E porquê exaustivos? Devido ao mau uso da banda sonora em certas cenas. A banda sonora, por si só, é boa. Utiliza músicas de Queen, David Bowie e muitos outros artistas, mas é mal empregue em certas alturas, o que faz com que as sequências percam a sua adrenalina. Uma das melhores cenas apresentadas é quando há apenas um silêncio constrangedor entre dois personagens. O mistério e a insegurança pairam no ar, tornando a cena demasiado real aos olhos do espectador.

Para concluir, Atomic Blonde conta com performances eficazes e ângulos de câmera agradáveis. Mas a montagem do filme fracassa quando pega numa boa banda sonora e a aplica incorretamente, tornando o filme aborrecido em momentos que deveriam estar cheios de energia. O enredo é complicado e os personagens são desinteressantes. Há demasiadas pontas soltas e o final é bastante confuso. Atomic Blonde poderia ser simples e eficaz, mas enrola-se demasiado numa teia da qual não consegue escapar, tornando-se um filme que, para além das cenas em que James McAvoy está presente, não cumpre os requisitos que inicialmente prometia.

Trailer | Atomic Blonde

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