Cinema Críticas

Crítica: Annabelle: Creation (2017)

Annabelle: Creation

Título: Annabelle 2: Criação do Mal

Título Original: Annabelle: Creation

DeDavid F. Sandberg
ComMiranda OttoAnthony LapagliaLulu WilsonTalitha BatemanStephanie Sigman

Duração: 1h49m

Annabelle está de volta às grandes telas! Depois de nos ter visitado pela primeira vez em The Conjuring, cuja presença lhe valeu o seu próprio franchise, a boneca de porcelana maléfica regressa com  Annabelle: Creation. E se é verdade que poderíamos sentar-nos na sala de cinema antecipadamente desconfiados, também o é que a sequela não foi TÃO ingrata para com os fãs deste género de cinema.

Annabelle: Creation conta-nos o início de tudo. Ou seja, explica-nos como uma aparentemente inofensiva boneca de porcelana acaba por converter-se num veículo do mal.

O início da história tem como pano de fundo a casa de Sam Mullins (Anthony Lapaglia), um fabricante de bonecas que ali vive com a sua esposa (Miranda Otto) e a sua filha (Samara Lee). A menina falece tragicamente na sequência de um atropelamento e, passados 12 anos, o casal decide acolher um grupo de meninas órfãs desalojadas em sua casa. Entre elas estão Linda (Lulu Wilson) e Janice (Talitha Bateman), duas melhores amigas que juraram nunca se separar.

A partir do momento em que chegam àquela casa as raparigas não ficam indiferentes ao ambiente sinistro que se faz sentir. Em grande parte proporcionado pelo facto de a Sra. Mullins nunca abandonar o seu quarto. Mas a situação complica-se quando uma sequência de estranhos acontecimentos conduz Janice ao quarto que outrora pertenceu à filha dos Mullins. Onde repousa, escondida num armário trancado, a macabra boneca.

Sabemos que os filmes de terror sofrem antecipadamente de alguma desconfiança estereotipada por parte dos espectadores. Na verdade, assustar é fácil, mas fazê-lo com inteligência e primor está longe de o ser. Isto explica as múltiplas deceções que vamos acumulando com filmes de terror. Na minha opinião, este projeto merece que ponhamos as nossas desconfianças ligeiramente de parte. Ligeiramente, repito. E tal se deve a um grande aspeto: David F. Sandberg.

David F. Sandberg, realizador sueco conhecido pela curta metragem Lights Out, que posteriormente foi aproveitada para dar origem à longa metragem com o mesmo nome, vem dar uma lufada de ar fresco ao projeto. Perante um primeiro título genuinamente fraco a todos os níveis.

Extremamente hábil no jogo de luzes e sombras, aposta num ping pong simpático e equilibrado entre a luz natural e a escuridão. Se lhe acrescentarmos uma boa movimentação de câmara e uma imaginação fértil no que diz respeito a momentos assustadores, já partimos do princípio que o filme funciona. Pelo menos mais do que poderíamos esperar.

Os sustos são garantidos, e não caem no exagero fácil ou na previsibilidade. Não foram muitos os momentos em que senti estar perante uma sequência de acontecimentos estupidamente previsíveis. O próprio espaço é muito bem explorado, dando a sensação que o expectador vai visitando as várias divisões daquela casa sinistra. Isto à medida que as personagens as vão ocupando.

No que diz respeito ao elenco, ainda que contando com caras pouco conhecidas, é simpático e cumpre. Diria que o ponto forte neste aspeto é mesmo a bonita relação emocional entre Linda e Janice. As duas jovens que nos brindam com interpretações competentes. As restantes meninas órfãs também estão bem. Tal como a freira (Stephanie Sigman) que as acompanha na nova residência. E até mesmo as interpretações do casal, nas suas mais escassas aparições, não abrem espaço a críticas.

É claro que o filme corre mal em alguns aspetos, grande parte deles relacionados com a qualidade do argumento. Mas até mesmo essas falhas acabam por ser aceitáveis, uma vez que contribuem para aquilo que se pretende de um filme de terror. Quem é que espreita para dentro de um poço, em plena noite cerrada, depois de atirar lá para dentro uma boneca assassina? Bem, faz parte, certo?

Resumindo, Annabelle: Creation, é um filme competente dentro do seu género. Bom trabalho de filmagem, boa sonoplastia, elenco simpático. Acima de tudo, melhor do que o seu antecessor. No entanto, não deixa de ser só mais um filme de terror, não vindo por isso operar uma completa revolução no género em que se enquadra. Talvez numa próxima…

TEXTO DE: Carolina Pascoal

Trailer – ANNABELLE CREATION

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