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Game of Thrones – 7×04 – The Spoils of War

Game of Thrones

CONTÉM SPOILERS

50 minutos, 50 míseros minutos era o que pensava eu antes de começar a ver o episódio. Como é que esperamos tanto tempo para nos darmos ao luxo de ter um episódio tão curto? A resposta, de facto, não recai sobre a quantidade de duração de um episódio, mas sim da sua qualidade.

Jaime, Bronn e o resto do exército preparam-se para levar o ouro e High Garden para King’s Landing. Littlefinger dá um presente a Bran Stark a.k.a. Cubo de Gelo e este riposta com uma mensagem que, para quem esteve atento às temporadas anteriores, certamente se vai lembrar. Jon descobre as cavernas onde se esconde o dragonglass e mostra a Daenerys um pouco da história dos White Walkers que está desenhada nas paredes. (Sim, Jon, sabes fazer uns desenhos fixolas com lápis-de-cera!). No entanto, esta reunião é interrompida quando as notícias de Casterly Rock chegam aos ouvidos da Mãe dos Dragões. Arya regressa ao Norte e, ainda que com uns problemas à entrada de Winterfell por uma versão de Westeros de Bucha & Estica, vê e abraça a sua irmã Sansa passados tantos anos de separação. Jaime e Bronn são surpreendidos na sua jornada por um inimigo ameaçador.

The Spoils of War é um feito televisivo. Perdoem-me a todos os fãs de Battle of the Bastards (eu próprio sou um) mas os desafios de criar uma batalha onde o fogo irrompe por todos os lados com cavalos e homens pelo meio é ainda maior do que toda a estratégia que foi brilhantemente aplicada em Battle of the Bastards. Aliás, nem sei para que as estou a comparar. Ambas são extraordinárias à sua maneira, mas a batalha de The Spoils of War lucrou com um trunfo que Battle of the Bastards não tinha: imprevisibilidade.

Não há nada mais triunfante, numa série tão complexa e tão visualmente desafiante, conseguir trazer um dos momentos mais excitantes de que há memória na história da televisão. Os 10 ou 15 minutos de batalha final forçaram-me a ter de ir tomar um calmante porque os nervos já estavam quase a sair pelas orelhas, pelos olhos, pelos poros da pele. 10 minutos de adrenalina que fazem a saga Velocidade Furiosa parecer uma pista de carros para crianças. 10 minutos ardentes que nos fazem suar desde o primeiro até ao último minuto. A magia de Game of Thrones é esta. Provocar estes sentimentos e levá-los a uma intensidade pouco natural quando se aprecia um produto de entretenimento. Isto é um feito único.

Mas esta batalha não é o único aspeto fantástico de The Spoils of War. A reunião de Arya e Sansa foi igualmente maravilhosa em que, até uma piada a uma certa estátua de Cristiano Ronaldo não foi esquecida (cof cof, peço desculpa, estátua de Ned Stark). E ao regressar a Winterfell, Arya revela os seus novos dotes a Sansa, Littlefinger, Podrick e Brienne que aceitou o desafio da menina Stark em enfrentá-la num treino. Esta é outra sequência magnífica em que os efeitos visuais são tão bons que levam Maisie Williams a ser a equivalente feminina mais próxima de D’Artagnan.

Mas tudo isto não teria todo o impacto se não fosse pela extraordinária banda sonora de Ramin Djawadi. Ela serpenteia pelos momentos e confere todo aquele impacto que nos leva ao êxtase. As melodias que oscilam entre o calmo e o acelerado consoante os diferentes pontos de Westeros em que nos encontramos são perfeitas. E quando digo perfeitas, são mesmo, não é exagero.

O novo encontro de Jon com Dany é também outro dos pontos mais interessantes, onde um clima sexual parece estar a florescer. (Sim, não quero saber se ela é tia ou enteada dele). Vamos deixá-los fazer os Old Gods and the New querem que eles façam.

Game of Thrones atinge o seu auge. A realização do estreante da série Matt Shakman é infalível, tirando proveito de uma fotografia vertiginosa e de sequências de câmera que levam o público ao rubro. O meu coração esteve prestes a explodir e, sejamos apoiantes da Casa Lannister ou Targaryen, o resultado é simplesmente avassalador. Obrigado mais uma vez HBO por fazer com que o entretenimento consiga ser vivido com esta intensidade invulgar e tão especial.

Leiam o Frame by Frame do episódio anterior aqui.

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Game of Thrones atinge o seu auge. The Spoils of War é um dos capítulos mais poderosos até à data, com uma realização soberba e um enredo fabuloso e envolvente.

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