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Gypsy – Season Finale – 1ª Temporada

Gypsy

Duas coisas que me fizeram despertar de imediato o interesse nesta série? Naomi Watts e ser uma produção da Netflix. Se por um lado esta empresa de streaming nos tem brindado com séries incríveis e por isso é sempre expectável haver ansiedade sobre o que aí vem, por outro temos uma atriz que estamos habituados a ver em filmes de Hollywood sempre com interpretações de alto calibre, o que aumentou a curiosidade sobre o que Gypsy nos pudesse trazer.

Apesar de não ser muito original e inovadora, a premissa cria vontade de vermos nem que seja o primeiro episódio. Naomi é Jean Holloway, uma terapeuta com uma vida aparentemente perfeita. A relação com o marido é saudável e feliz, tem uma casa de sonho, um trabalho que parece concretizá-la.

Mas à medida que os episódios vão passando, vemos que nada é efetivamente como parece. A terapeuta não é a pessoa estável que aparenta e envolve-se de uma maneira pouco ética nas vidas dos pacientes e neste campo acompanhamos 3 em específico: Sam Duffy (Karl Glusman), Allison Adams (Lucy Boynton) e Claire Rogers (Brenda Vaccaro). Assume um novo nome, uma nova personalidade e invade a vida das pessoas que procuram a sua ajuda, minando e manipulando as vidas delas e das pessoas que fazem parte da vida destas. As coisas atingem uma proporção tão doentia que se torna díficil para Jean esconder e distinguir as duas vidas que leva.

O MELHOR:

Gypsy sustenta-se principalmente na qualidade dos atores e na fantástica fotografia.

Apesar de algumas incongruências na personagem, Naomi Watts tem aqui uma performance inesquecível. A imponência na maneira como se apresenta sob o alter ego Diane Hart, a sensualidade com que se expressa, contrastando com os momentos de fragilidade quando parece que tudo vai ruir, estão no ponto. É cativante e mantém-nos colados ao ecrã à espera do próximo passo nesta sua vida insana.

Também a química com a atriz Sophie Cookson merece ser vista. A jovem, como Sidney assume um dos papéis principais e as cenas com Watts roçam a perfeição no que toca a cumplicidade.

A realização também é um dos pontos fortes. A fotografia em várias cenas é de cortar a respiração e o uso das cores é acertado e belo. Há planos-sequências maravilhosos, que aliados a uma banda sonora forte, cumprem o propósito de tensão que a série pede. E o que dizer do episódio 7 intitulado Euphoria? De ficar de queixo caído.

O PIOR:

O ritmo demasiado lento que não deixa que a história crie empatia no espectador.

A história peca por falta de fluídez. Tudo acontece de forma arrastada e as coisas vão acontecendo muito lentamente, fazendo com que seja complicado irmos acompanhando a vida da protagonista sem nos cansarmos. Quando tudo começa a aquecer, termina.

Há várias personagens que podiam ter sido melhor exploradas, como o marido de Jean, Michael (Billy Crudup) que parece ter algo a esconder e um passado que merece ser mostrado e revelado, mas isso não acontece. Também toda a premissa da filha deles, Dolly (Maren Heary) merecia mais tempo de antena, tendo em conta a importância do tema. Uma criança de 9 anos com problemas de identidade e género, que não se sente bem no seu corpo de menina é algo quase inédito de assistir e por isso devia ter mais profundidade. Personagens como Alexis (Melanie Liburd) e Sam parecem ter muito para oferecer e tal não acontece, caindo em vários clichês que tornam as personagens ocas.

Gypsy tem vários erros que precisam ser trabalhados para que a trama flua e atraia novo público. Quero acreditar que esta 1ª temporada foi apenas uma breve introdução à vida que a terapeuta está a criar e, havendo continuidade, tudo aconteça de forma mais rápida. Contudo, merece ser assistida e não se desista nos primeiros episódios. As coisas apesar de lentas, vão acontecendo e estamos sempre com o coração na mão pois, apesar de reprovarmos as atitudes de Jean, acabamos por torcer pela sua vida secreta.

Estado da série: STAND-BY 

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Gypsy merece ser vista e que não se desista nos primeiros episódios. As coisas apesar de lentas, vão acontecendo e estamos sempre com o coração na mão.

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