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The Leftovers – Season Finale – 3ª Temporada

The Leftovers

Voltámos para a 3ª e última temporada daquela que prometia vir a tornar-se numa das melhores séries alguma vez produzidas, falo pois de The Leftovers.

Passaram 7 anos desde o desaparecimento de 2% da população e no dia do 7º aniversário as expectativas de que algo grande vai acontecer são muitas. Kevin sénior prevê uma grande inundação, iniciando uma missão selvagem a solo, com o intuito de reunir vários cânticos indígenas que permitem evitar essa inundação. Nora foi confrontada com a hipótese de poder voltar a ver os seus filhos (que fizeram parte dos 2% que evaporou do mundo) e para isso tem de ir à Austrália. Kevin júnior junta-se a ela, nessa viagem. Em paralelo com tudo isto, Matt está a escrever o “final” da bíblia com a história de Kevin Garvey, com a ajuda de Michael e John Murphy, colocando toda a sua fé em Kevin Júnior.

O Melhor:

-A banda sonora. Como já tinha dito em 2015, quando fiz a review do season finale da 2ª temporada, nesta série a música acompanha o desenrolar dos acontecimentos na perfeição. Nesta temporada, o instrumental de Max Richter e toda a escolha a nível se soundtrack, ainda foi mais perfeita. Isso notou-se muito nas músicas escolhidas para o genérico de abertura (diferentes a cada episódio). Dois bons exemplos são a Personal Jesus na abertura do episódio 3, onde o foco é o livro de Kevin como Jesus Cristo e a “1-800-Suicide” no episódio 6, em que Laurie vai fazer mergulho.

– Os flashbacks nesta temporada, foram orquestrados de uma forma sublime, em que a imagem muda, mas o barulho de fundo é transversal ao flashback, como se as personagens estivessem a pensar nesse exacto momento, passando a sensação que quem está a ver, também o está a reviver.

-Performances inesquecíveis. Não foi uma, nem duas, nem três, foram várias! Houve muita qualidade a nível de representação, por isso vou focar-me em 4 actores. Justin Theroux esteve ao nível da personagem que encarnava (o novo Jesus Cristo), sendo este o actor que mais surpreendeu. Carrie Coon, desempenhou na perfeição o papel de uma Nora que tentava ultrapassar o luto de perda dos seus filhos, mas que nunca conseguiu, levando-a a uma loucura caracterizada pela imprevisibilidade a nível de reações, espontaneidade a nível de acções e honestidade ao dizer tudo aquilo que pensa sem filtro. Christopher Eccleston, personificando um Matt religioso, mas cada vez mais analítico, movido pela dúvida em relação àquilo em que acreditava, levando-o à loucura e a reações inesperadas. Amy Brenneman, dando vida a uma Laurie organizada, metódica e base da vida de quase toda a gente (desempenhado este papel com um foco sem precedentes).

– Todos os simbolismos adaptados à dinâmica da série de forma ortodoxa mas, ao mesmo tempo, inteligente. Usando como exemplos acontecimentos do último episódio: na mensagem enviada ao mundo através de pombos, a história dos colares a representar os pecados cometidos ou o momento em que Nora transporta os pecados de toda a gente, de forma a evitar o sacrifício do animal (referido pelo Kevin).

– A nível de imagem, nada a apontar e tudo a elogiar, fotografia maravilhosa!

– É espantosa a facilidade com que é criada perfeição através de improbabilidades, como no caso da relação entre Kevin e Nora. Não é uma relação ordinária, é algo novo, mais prático, mais sincero e genuíno e nem por isso deixa de ser tão forte como as relações amorosas comuns.

– Os diálogos, discursos e monólogos são transcendentes àquilo a que a televisão nos habituou. Isto acaba por deixar quem está a ver, completamente maravilhado e intelectualmente estimulado. No meio de tanto lixo que a TV direccionada às “massas” nos oferece, é bom saber que ainda são produzidas séries assim.

– O diálogo final entre Nora e Kevin, teve um monólogo de Nora durante 7 minutos a relatar o que ela passou ao longo do tempo longe de Kevin. Esse relato, para além ter sido poderoso no que toca à elucidação/auto-aprendizagem de Nora, continha mais conteúdo do que muitas séries ao longo de inúmeras temporadas. Para reflexão deixo um pedaço desse diálogo entre Nora e Kevin (que contrasta com o que aconteceu após o desaparecimento de 2% da população): “And I understood that here in this place, they were the lucky ones. In a world full of orphans, they still had each other.” – Nora Durst.

The Leftovers foi uma série que teve o poder de abordar temas delicados (sem censura) e loucuras provenientes da perda e luto ao longo de 3 temporadas, funcionando como uma psicologia inversa, com a qual no fim conseguiu obrigar-nos a refletir sobre o caminho a seguir, para nos tornarmos na melhor versão de nós próprios.

Estado da Série: TERMINADA.

Consultem a mini-review anterior aqui.

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