Cinema Críticas

Crítica: Dunkirk

Dunkirk

Nome: Dunkirk

Título Original: Dunkirk

De: Christopher Nolan
Com: Fionn WhiteheadTom HardyDamien BonnardMark RylanceCillian Murphy

Duração: 106 minutos

Segunda Guerra Mundial. As ruas desertas de Dunquerque. Um palco solitário de morte e guerra. Seis militares ingleses arrastam-se no seu sofrimento, em busca de algo que os ajude a combater a fome e a sede de vários dias de medo e carência. Atacados pelos alemães, apenas um sobrevive, e corre para a praia, juntando-se a outros muitos como ele. É a promessa eminente de um regresso a casa… que parece nunca mais
acontecer.

 Christopher Nolan pega na história. E faz história. Assume o argumento, realiza, e brinda-nos assim com aquele que será certamente um dos (senão o) seus melhores trabalhos. Sendo já um dos realizadores mais acarinhados pelo público com trabalhos como InceptionInterstellar Movie e Batman: The Dark Knight, o realizador testa desta vez novos e diferentes caminhos em Dunkirk. E só temos que ficar-lhes gratos por isso.

Pegando em três planos temporais diferentes, passados em terra, mar e ar, Dunkirk retrata todo o processo de evacuação de milhares de soldados ingleses da praia francesa de Dunquerque, que se encontra cercada pelos nazis. Winston Churchill precisa de recuperar os seus soldados para proteger a Grã-Bretanha de futuras investidas alemãs e reforça a necessidade de ir resgatá-los. Mas a tarefa não se revela fácil, uma vez que os nazis derrubam com relativa facilidade todos os navios ingleses enviados para esse mesmo resgate. É nesse momento que se faz história na Operação Dínamo, o Milagre de Dunquerque, quando são os próprios civis a pegar nas suas humildes embarcações e a partir em busca do salvamento dos seus soldados.

Pontos fortes do filme. Podemos dizer que…é tudo demasiado bom para falarmos nesses termos? Vamos por partes.

Em primeiro lugar, Christopher Nolan com um argumento bélico na mão e quase que apetece bater-lhe por nunca se ter lembrado disto antes. Esqueçam os clichés comichosos dos filmes de guerra. Não há donzelas que aguardam chorosas o regresso a casa dos seus amados. Não há violência gratuita com direito a pernas e crânios voadores. Há realismo, em tudo. Nos diálogos, na construção das personagens, na sequência dos acontecimentos. Não há a necessidade de nos brindar com plot twists atabalhoados, sangue e dramatismo. E depois não há heróis enfadonhos com discursos chatos. Quanto muito, o herói deste filme é o povo, movido pelo amor à pátria. E não imagino melhor que este.

Em segundo lugar, o elenco. Não há quem esteja mal. Tom Hardy e Cillian Murphy são já duas caras conhecidas dos amantes de  Christopher Nolan (e que dificilmente nos dececionam), mas o realizador optou por chamar novos atores que cumprem na perfeição o que lhes é pedido. O jovem Fionn Whitehead, por exemplo, que agarra aqui o seu primeiro grande projeto cinematográfico. Mas para mim o destaque vai para a personagem de Mark Rylance, que transpira classe por cada poro. No papel de um dos ingleses que embarca cheio de bravura na sua própria embarcação, para ajudar a salvar os soldados aliados encurralados em Dunquerque, brinda-nos com uma atuação fantástica. Neste caso qualquer descrição é insuficiente, por isso vale mais verem por vocês mesmos.

Em terceiro lugar, os aspetos técnicos do filme. Mas com Christopher Nolan já sabemos que corre tudo bem neste campo. Dunkirk é visualmente fantástico, simples, apostando em bons planos, boas cores, nunca descurando a importância dos detalhes. E a sonoridade é do outro mundo e faz-nos tremer na cadeira. As explosões repentinas, os motores dos aviões de guerra, os barcos que se vão afundando perante a falta de misericórdia da guerra. Para aprimorar a situação, só mesmo se lhe acrescentarmos uma banda sonora fantástica de Hans Zimmer, que faz com que este filme tenha mesmo que ser visto no aconchego de uma sala de cinema.

E a mensagem. Uma mensagem que nos tempos que correm nos cai tão bem e faz tanto sentido. O cariz demolidor das guerras só pode ser travado com a coragem e bondade do ser humano. Ao vermos dezenas de civis nas suas embarcações, nalguns casos míseros barcos de pesca, munidos de uma bravura contagiante em busca dos seus compatriotas, perante uma Alemanha impiedosa e mortífera, é impossível não sentirmos Dunkirk bem fundo nos nossos corações.

“We shall go on to the end, we shall fight in France, we shall fight on the seas and oceans, we shall fight with growing confidence and growing strength in the air, we shall defend our Island, whatever the cost may be, we shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hills; we shall never surrender.”

Trailer – Dunkirk

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