Cinema Críticas

Crítica: Alien: Covenant

Alien: Covenant

Nome: Alien: Covenant
Realização: Ridley Scott
Elenco:  Michael FassbenderKatherine WaterstonBilly CrudupDanny McBrideDemián Bichir
Duração: 122 minutos

O mundo ficou em “chamas” quando se soube que Ridley Scott, visionário realizador de filmes como o primeiro AlienBlade Runner ou Gladiator, estaria a regressar a um dos mundos mais tenebrosos da sua longa carreira. O resultado final? Prometheus, um filme de 2012 que, apesar das suas boas intenções, ficou bastante aquém do esperado, muito pela sua elevada ênfase numa vertente mais filosófica – à la Blade Runner – do que propriamente no conceito de “terror no espaço”. Mas Scott não estava pronto para abrir mão de uma das sagas mais marcantes da história do cinema, começando já a preparar uma sequela com um elenco completamente renovado. O resultado final é este Alien: Covenant.

*Uma nota, esta crítica poderá incorrer em alguns SPOILERS. Leiam conforme a vossa bravura.*

2104. Dez anos após os eventos de  Prometheus. A Covenant é uma nave de colonização que se encontra em rota de um planeta denominado Origae-6, numa missão de colonização da raça humana. No entanto, um acidente espacial obrigado a tripulação a fazer reparações na nave. Isto leva a que a Covenant receba uma transmissão oriunda de um planeta próximo com uma atmosférica semi-idêntica à da Terra. Isto leva a tripulação a explorar o planeta – se bem que com algumas vozes de contestação, nomeada Daniels Branson (Katherine Waterston), a especialista de terraformagem. Mas depressa se encontram em fuga de um predador implacável.

Soa-vos algo familiar? Se vos soa, parabéns, captaram, tirando ou colocando um ou outro detalhe, o enredo do primeiro Alien! Abordo este assunto para dizer que, em termos de história, Alien e Alien Covenant partilham várias similaridades. Se foi uma maneira de os guionistas John Logan e Dante Harper prestarem homenagem a um filmes revolucionário, então a tarefa foi muito bem cumprida; caso contrário, só mostra a falta de originalidade por parte desta dupla, tentando replicar o efeito que o original transmitiu (mais um pouco sobre isso mais à frente), mas perde-se pelo meio. Também não ajuda quando o ritmo do filme parece um tanto ou quanto inconsistente, com o primeiro ato a desenvolver-se a um ritmo claro, perdendo-se no seu segundo ato, só para voltar a retomar no terceiro ato.

Se tinham também esperança de que Alien Covenant ignorasse os sinais filosóficos de Prometheus, bem podem deixar essas esperanças de lado. Lembrem-se de que o filme era denominado, anteriormente, de Alien: Paradise Lost, uma clara alusão ao livro de poesia de John Milton, que retratava a Queda do Homem. Notam-se, claramente, algumas alusões a esse livro e à The Divine Comedy de Dante Alighieri (se não acreditam nesta última, a tagline do filme é “O caminho para o Paraíso começa no Inferno”). No entanto, acabam por resultar num mini-massacre ao filme, que troca o “terror no espaço” por uma aula intensiva de Filosofia e Teologia. Apenas tem terror no espaço como pano de fundo.

Já para não mencionar as personagens esquecíveis que só servem como “carne para canhão”, literalmente. Pode haver alguma salvação para as personagens interpretadas por Katherine WaterstonBilly Crudup e Danny McBride, muito porque passamos a maior parte do tempo com este trio. No entanto, não acabam por compensar pelas falhas do filme. O mesmo se aplica ao elenco secundário que simplesmente não ajuda a explorar os seus modos de pensar.

Mas se há alguém que merece reconhecimento no filme, é Michael Fassbender, que (e aqui entramos em território spoilerífico), volta a retomar o papel de David que vimos em Prometheus e assume também o papel do novo andróide da saga, Walter. Considerando que se trata de um papel a dobrar, é fácil recair-se em algumas gaffes, ou de estar simplesmente a interpretar a mesma personagem só que a dobrar. Fassbender evita essas armadilhas e concede personalidades díspares a ambos, sem se reduzir meramente a trocar os sotaques. David continua a sua rota de descoberta pessoal e de satisfazer a sua crescente curiosidade, algo que o coloca na vista de toda a equipa da Covenant, e não pelos melhores motivos. Já Walter possui um sentido de dever para com a sua tripulação e encontra-se despido de quaisquer traços que tornaram David tão único.

Apesar das temáticas filosóficas, o filme consegue vender-nos a ideia de claustrofobia e de desconforto, e muito se deve aos planos de câmara, que se aproximam demais dos seus personagens. Locais obscuros e mal iluminados, edição de som, são ingredientes que conseguem transmitir essa ideia de forma eficaz. Também ajuda quando Jed Kurzel, o compositor do filme, sabe usar os sons certos nos momentos certos, seja para dar uma espécie de falsa esperança ou de termos receio do que espreita na esquina. Mas sobressaem-se os verdadeiros momentos de tensão em qualquer som musical é praticamente inexistente, o que só ajuda na questão da tensão atmosférica do filme.

Mas claro que Alien não seria Alien se não contasse com a presença do icónico Xenomorph idealizado pelo falecido H.R. Giger. E esse monstro mortífero está oficialmente de regresso. Apesar de, ao fim de 4 filmes (porque Prometheus não conta propriamente), o efeito final está lá presente. O Xenomorph revela, como já se seria de esperar, como uma força da natureza que merece ser temida, sempre à espreita e pronto a atacar quando menos se espera. E a sua eficácia está à vista, resultando numa miríade de mortes tão chocantes que arriscam a passar a linha do terror para o gore. Para ajudar nesse efeito, temos a estreia do Neomorph, uma espécie de percursor ao Xenomorph. Embora não possa vir a ser tão icónico quanto o seu parente próximo, a verdade é que este novo ser consegue criar mortes de formas bastante criativas e nunca antes vistas no passado. E o resultado só podia ser em mortes bastante horríveis de se ver.

Em suma, Alien Covenant está a léguas de ser um filme perfeito. Tem as suas falhas, isso não podemos negar. Mas, ao contrário de Prometheus, o filme tem os seus elementos redentores, tais como o regresso do Xenomorph (e a estreia do Neomorph), além de um bom trabalho a dobrar de Michael Fassbender. Dificilmente será um dos melhores filmes de Ridley Scott, muito menos o melhor da saga (sejamos sinceros, o original e a sequela de James Cameron são os melhores, ponto.). Mas ainda assim, é uma adição adequada à biblioteca que é a saga Alien.

Trailer: Alien: Covenant

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