Cinema Críticas

Crítica: John Wick: Chapter Two (2017)

John Wick: Chapter Two

Título: John Wick: Chapter Two
Realização: Chad Stahelski
Elenco:  Keanu ReevesRiccardo ScamarcioIan McShaneRuby RoseCommon
Duração: 122 minutos

Quando o primeiro John Wick estreou em 2014, ninguém imaginava o sucesso que iria originar. Em termos de história, seguia uma linha bastante comum que encontramos em filmes de série B: uma história de vingança de um ex-assassino que se vê obrigado a voltar ao velho ofício quando lhe roubam o carro e ainda lhe matam o cachorrinho. Mas, história aparte, o filme acabou por se revelar uma surpresa inegável, não só por marcar um “renascimento” na carreira de Keanu Reeves, com um dos seus melhores papéis até agora, mas também por toda uma coreografia de sequências de ação que foram uma lufada de ar fresco numa era em que as mesmas cenas são fortemente editadas, o que acabam por retirar qualquer veracidade. Portante, uma sequela era mais que inevitável.

Encontramos John Wick a reencontrar a sua bela máquina das mãos de Abram (Peter Stromarereunion de Constantine!!!) e finalmente fechar este seu capítulo. No entanto, esse descanso é de pouca dura, com a chegada de Santino D’Antonio (Riccardo Scamarcio), que resolve aproveitar esta oportunidade para cobrar um favor a John. E este evento atira John para uma nova aventura, que o atira para locais como Nova Iorque e Roma.

Regra geral, as sequelas funcionam de duas formas: go bigger ou “em fórmula vencedora, não se mexe”. E cada uma delas tem os seus riscos: go bigger permite uma expansão em quase todos os aspeto, mas com o risco de essa expansão acabar por ficar aquém das expectativas; “em fórmula vencedora” mantém os pontos positivos e negativos do produto original, mas corre o risco de não apresentar algo de novo e de cair na inevitável monotonia. John Wick Chapter Two pode resumir-se a uma mistela entre as duas formas. Tem a expansão cénica e de história (já que desta vez temos uma visão mais íntima à cultura dos assassinos profissionais deste universo particular), mas mantendo os melhores elementos do filme anterior. E, de certa forma, funciona. No entanto, também vêm com os seus diversos riscos, o que não favorece o filme. Outro do ponto positivo do filme foi o fator “novidade”. Apesar de ter algumas raízes nos filmes de série B, John Wick foi uma novidade, de certa forma. E tomar uma abordagem mais segura pode ter os seus pontos a favor, mas impede a sequela de tomar riscos que pudessem sair a ganhar.

A história em si é bastante básica. Acalmem-se, que não há mais nenhum cão a morrer (seria um bocado mórbido), mas quaisquer twists que encontramos, já tínhamos visto anteriormente num filme de ação qualquer. E os atores que regressam do filme anterior conseguem manter o nível demonstrado antes (kudosIan McShane, que continua a espalhar charme, seja em que meio for). O mesmo não se pode dizer dos seus vilões. Riccardo Scamarcio é um autêntico cliché ambulante que nada de novo traz ao género. O mesmo se pode dizer de Ruby Rose, que aqui interpreta uma assassina surda. Pelo menos compensa pelas suas sequências físicas. E ainda se teve uma reunião de The Matrix, com Laurence Fishburne a ter uma presença breve, mas que nos arranca um sorriso de saudosismo.

Se há um ponto positivo a referir, são as sequências, que continuam brutais e belas ao mesmo tempo. Claro que não inovam em termos de movimentos corporais, mas ao menos não arriscam a ir full-campy e com movimentos que desafiam quaisquer leis da gravidade. Na melhor das hipóteses, as sequências corpo-a-corpo conseguem ser bem íntimas e intensas, e ouvir o som dos socos a contactarem corpos com a ausência de trilhas sonoras só ajuda na festa.

Definitivamente, John Wick Chapter Two não será superior ao filme original, já que traz consigo os mesmos pontos negativos que vimos anteriormente. No entanto, acaba também por não ser a pior sequela de sempre na história do cinema. E tendo em conta o cliffhanger dos minutos finais, fica a ideia de que a história de John Wick ainda tem muito para contar.

Trailer: John Wick: Chapter Two

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