Cinema Críticas

Crítica: Wonder Woman

Wonder Woman

Nome: Mulher-Maravilha

Título Original: Wonder Woman

Realizador por: Patty Jenkins
Com: Gal GadotChris PineConnie NielsenRobin WrightDavid ThewlisDanny HustonSaïd TaghmaouiEwen BremnerElena Anaya.
Duração: 141 min.

Antes de iniciar à reflexão crítica sem spoilers (ou pelo menos tentar que seja) vou só deixar aqui um breve comentário sobre o universo cinematográfico da DC. Caro Zack Snyder, por muito que os efeitos especiais sejam parte integral do universo dos super-heróis, não têm necessariamente de servirem para ofuscar as personagens ou para serem o motor de arranque de uma obra cinematográfica (seja ela de que género for).

Wonder Woman tinha tudo para salvar a DC da testosterona que levou à ruína os filmes anteriores. Snyder desligou a preocupação com as personagens e deixou-se levar pelo “maravilhoso” mundo dos “mísseis, bombas e socos nas trombas”, explosões e efeitos “instagramizados” para trazer Batman e Super-Homem num único filme. Portanto, pode-se afirmar mesmo que “Zack Snyder is the new Michael Bay” do entretenimento. Isto irá fazer sentido quando o espectador se aproxima do 3º ato do filme da Mulher-Maravilha.

Para começar, vamos conhecer Diana e a sua história. De como cresceu numa ilha povoada de mulheres, que nasceu fruto de uma desavença de deuses. Diana sempre foi maria-rapaz no seu dia-a-dia. Gostava daquela ação frenética de ver as soldadas que protegem a ilha a treinarem entre si. A sua mãe Hippolyta, faz os possíveis para a manter afastada deste mundo, mas o destino de Diana fala mais alto. No final do seu treino, a barreira invisível (e mágica) que protege a sua casa é rompida por Steve Trevor, um piloto que foge da guerra. A partir daqui a vida de Diana muda a todos os níveis e ela decide embarcar na maior aventura que já enfrentou.

Antes de mais, vou deixar o meu elogio a Patty Jenkins: apesar dos defeitos que vou mencionar a seguir, Wonder Woman é o melhor filme deste recente universo cinematográfico da DC até à data. Jenkins possui uma sensibilidade em contar a história de Diana tirando proveito de uma elegância própria que bebe de uma fantástica fotografia e banda-sonora palpitante. É também auxiliada pelos talentos de Gadot, Nielsen e Wright, três senhoras que dispensam qualquer apresentação. O primeiro ato de Wonder Woman é, de facto, belo, forte e quase infalível. O desafio de Jenkins era claro: fazer com que Diana não seja apenas um corpo torneado. A realizadora não só provou que a heroína é uma mulher culta, intelectual, capaz de tomar decisões rápidas (e certas) nos momentos mais difíceis, como cria sequências de ação visualmente vibrantes e cheias de um carisma que Snyder nunca iria conseguir aproximar. Portanto, não é a realizadora que está em falha. O primeiro ato do filme é simplesmente magnífico.

Assim que vamos avançando no filme, a ação começa a tornar-se repetitiva e o ato final, que certamente tem dedo de Snyder, levou a uma confusão de valores, de rumos e cai num vazio de explosões, “mísseis e bombas e socos nas trombas” e efeitos de Instagram. O argumento de Allan Heinberg equilibrou perfeitamente a ação, drama e humor no primeiro ato, portanto, o que correu mal? O que correu mal é precisamente a “ajuda preciosa” do estúdio que insiste em ridicularizar os seus filmes recorrendo à extravagância exagerada do efeito especial. Wonder Woman podia ser um filme inspirador. O primeiro ato caminhava para tal.

Fazer um filme de super-heróis não necessita particularmente de 20 minutos ou mais de tudo à volta ser destruído. Não precisa de reforçar novamente a ideia de que o amor é a força mais poderosa do mundo e blá blá blá. Esse cliché já todos nós conhecemos. Um filme de super-heróis não precisa obrigatoriamente de colocar o seu herói (seja ele homem ou mulher) em constantes “momentos de realização finais” para saber qual é o seu propósito no mundo. E um filme de super-heróis ficaria bem melhor se começássemos a trabalhar nas personagens e em poucas mas boas sequências de ação.

Portanto, querida Patty Jenkins, o problema não é seu, o problema é o estúdio e o dedo explosivo de Snyder. Pelo esforço de Jenkins e por ter realmente adorado o primeiro ato do filme vou subir ligeiramente a nota, já que o ato final é mesmo deplorável.

Trailer – Wonder Woman

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