Cinema Críticas

Crítica: The Belko Experiment

The Belko Experiment

Nome: The Belko Experiment

Título original: The Belko Experiment

De: Greg Mclean
Elenco: John Gallagher Jr.Adria ArjonaJohn C. McGinleyMelonie DiazJosh BrenerMichael Rooker

Duração: 89 min.

Pelas mãos do realizador Greg McLean (Wolf Creek) com argumento de James Gunn (Guardians of the Galaxy), este filme surge como uma novidade interessante para os fãs de Splatter. Um thriller no qual a violência e os banhos de sangue nunca ficam em dívida para com o espectador.

O filme passa-se em Bogotá, Colômbia, na internacional Belko, uma empresa industrial. Numa fase inicial são-nos apresentadas as rotinas daquela mesma empresa, retratadas de uma forma fiel aos clichês do corporativismo. Podemos reparar nos casos amorosos entre funcionários, nos “caloiros” da empresa, no tipo asqueroso que faz olhinhos às miúdas novas. Até no rapaz despreocupado que fuma uns charros no telhado de vez em quando.

Este parece ser um dia normal de trabalho. Até que os cerca de 80 funcionários são surpreendidos por uma voz sem rosto que comunica com eles através de um sistema de som que todos desconhecem. Esta voz começa a fazer exigências mórbidas, numa luta contra o relógio. O plano é simples, e divide-se por etapas: mata ou morre. 

Inicialmente todos parecem achar que se trata de uma brincadeira ou, quanto muito, de um ensaio de emergência. O único que parece discordar é Mike (John Gallagher Jr.), que tinha vindo já a estar atento a alguns sinais suspeitos desde o início do dia. Todos os restantes são forçados a concordar que algo estranho se passa. Isto quando alguns dos funcionários começam a morrer na sequência do incumprimento das regras da voz.

Numa escalada sanguinária, as regras do jogo vão sendo cada vez mais exigentes, levando a que as pessoas comecem a revelar as suas mais honestas reações ao pânico e ao stress que se vão instalando progressivamente.

Previsivelmente (e quando falamos de filmes de terror temos que ser brandos neste aspeto), os funcionários dividem-se em dois tipos de pessoas. Os altruístas e apaziguadores, que resistem à maldade e evitam ver a matança como solução para o problema. E os guerreiros da sobrevivência, que se deixam guiar por comportamentos egoístas para salvar o coro.

Estes dois tipos são, respetivamente, representados pelo bom da fita Mike e pelo megalómano diretor Barry (Tony Goldwyn). Ainda que na perfeita consciência de que em situações de perigo eminente as nossas principais reações não são as melhores, não conseguimos deixar de repulsar Barry e tomar o partido de Mike.

Ao ver The Belko Experiment não podemos deixar de lado as reminiscências relativas a Battle Royale MovieThe Hunger Games ou, até, em última instância, à franquia Saw.

A verdade é que o filme não ganha pela originalidade, uma vez que a ideia de um grupo de pessoas enclausuradas num espaço não é nova. Mas penso que o contexto escolhido salva consideravelmente o enredo. Uma vez que o contexto empresarial é, por si, “um ver se te avias”. E depois temos sempre a componente psicológica que nos convida à reflexão. Quais são os limites comportamentais de um ser humano que se vê sem saída?

The Belko Experiment é  um filme que não nos surpreende, mas também não nos cai no goto. Com um elenco “modesto”, no qual acabam todas as personagens por cumprir o que lhes é exigido e ancorado num argumento sóbrio (que declaradamente não alcança todo seu potencial, mas podia ser pior).

O calcanhar de Aquiles será mesmo a conclusão da trama. Um tanto atabalhoada, com cenas de violência ao estilo Mortal Kombat. Existe alguma  previsibilidade e uma porta aberta para uma continuação da história que surge como absolutamente desnecessária, dada a “pobreza” da narrativa. Um clímax mal aproveitado. É um filme que não aquece nem arrefece. E cabe a cada um decidir se isso é uma qualidade ou um defeito.

Trailer – The Belko Experiment

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