Cinema Críticas

Crítica – The Lost City of Z

The Lost City of Z

Nome: A Cidade Perdida de Z
Título Original: The Lost City of Z
Realização: James Gray
Elenco: Charlie HunnamRobert PattinsonSienna MillerTom HollandIan McDiarmid

The Lost City of Z é um caso deveras curioso. A sua produção já rondava desde os finais da primeira década do século XXI, mas a adaptação sofreu vários atrasos, desde membros do elenco a desistirem, a problemas nos bastidores, questões do orçamento… A lista continua. Mas foi recentemente que a Amazon Studios decidiu abordar o projeto. E o resultado está à vista.

Inícios do século XX. Percy Fawcett (Charlie Hunnam) é um soldado proveniente de uma família com o nome desgraçado. Casado com a esbelta Nina (Sienna Miller) e pai do jovem Jack (com mais um pelo caminho), Fawcett é encarregue pela Real Sociedade Geográfica de traçar a fronteira entre a Bolívia e o Brasil, com o intuito de impedir uma potencial guerra entre os dois países. É nessa viagem que Percy descobre rumores e indícios de uma cidade perdida no coração da Amazónia, o que desperta o interessa de Percy e o incita na busca pela tal cidade. Mas diversas circunstâncias que vai encontrando ao longo dos anos servirão para pôr as convicções de Percy à prova.

Tecnicamente, o filme está irrepreensível. Está logo à vista que a produção do filme não olhou a despesas para poder trazer cenários verdejantes fidedignos sem terem de abusar do CGI. A selva amazónica revela-se como um cenário belo de se ver e, ao mesmo tempo, perigoso, com fatores como a flora, a fauna e a população indígena a servirem de ameaças para os nossos heróis. O que serve de contraste para as secções citadinas, que parecem despidas de qualquer tom senão o acizentado, quase como se não houvesse vida.

Apesar de termos um elenco forte em pedrigree, é Hunnam que consegue surpreender, não só pelo sotaque (sabiam que ele é mesmo natural de Terras de Sua Majestade?), mas pela forma como se entrega ao seu papel. Já estamos acostumados a ver Hunnam em papéis mais direcionados para a ação (basta ver o que ele traz na série Sons of Anarchy), por isso é de certa forma uma surpresa quando ele oferece uma abordagem mais calma. As cenas que este partilha com Sienna Miller também merecem o seu destaque. Apesar de esta desempenhar o mero papel de interesse romântico, é pela sua liberdade de expressão que ela se demarca. É interessante ver estes dois interagir; fica na mente que existe, além de um amor que aguenta quaisquer dificuldades, um respeito mútuo. O mesmo não se pode dizer de Robert Pattison, que aqui interpreta Henry Costin, um homem que partilha da visão de Percy sobre Z; fica na ideia de que poderia ter feito mais se lhe fosse concedida a oportunidade. E o mesmo se aplica a Tom Holland, que interpreta Jack Fawcett na versão adulta. Não só não parece convencer em termos de idade, mas a sua aparição perto do final do filme deixou um pouco a desejar.

E fica a ideia também que a ideia de exploradores na selva, em busca de uma cidade que, para todos os efeitos, não existia, já tivesse sido encontrada num outro filme do género. Por isso perde um bocado em termos do fator novidade.

Trailer: The Lost City of Z

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