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BoJack Horseman – Season Finale – 3ª Temporada

BoJack Horseman

Já tinham saudades do cavalo alcoólico mais sarcástico de Hollywood? Bem, nada temam; graças à sabedoria da Netflix, BoJack e os seus comparsas estão de volta para novas aventuras. Ah, e também para uma melhor análise à mente humana… através de animais antropomórficos!

O Melhor: Comecemos pelos vários pontos de situação dos nossos adoráveis personagens: BoJack (voz de Will Arnett) prepara para a Road to Oscars graças à sua performance de espanto no biopic de Seabiscuit; Princess Carolyn (voz de Amy Sedaris) enfrenta o duro desafio de balançar a sua vida pessoa quase nula e a sua vida profissional em dose dupla; Todd (voz de Aaron Paul) reencontra Emily (voz de Abbi Jacobson), uma chama antiga da escola secundária; e Diane (voz de Alison Brie) e Mr. Peanutbutter (voz de Paul F. Thompkins) enfrentam duros obstáculos durante o seu casamento.

É bom ver que, apesar de já estar na sua terceira temporada, BoJack Horseman mantém-se verdadeiro a si mesmo, ao misturar um humor mais negro (o que já o coloca num patamar bem diferente das suas concorrentes animadas) com situações que, se não fosse uma série animada em que os vários animais interagem com os seres humanos, muito podia servir como uma perfeita analogia de como vemos a sociedade no dias de hoje. Ajuda também quando os nossos protagonistas ainda retêm o seu charme e parvoíce que tanto adoramos desde o primeiro momento. É bom vermos, por exemplo, Todd e Mr. Peanutbutter ainda reterem aquela parvoíce a roçar na idiotice, ao mesmo tempo que introduz um nível dramático fora do habitual, mas que ajuda a perceber que se tratam de personagens humanas (tirando o Mr. Peanutbutter, que é um Labrador).

Mas se é drama que querem, então quem melhor para observar senão o próprio BoJack? Nesta terceira temporada, BoJack pondera sobre como a sua vida passará a ser após receber a tão cobiçada estatueta dourada. Para esse objetivo, além dos infinitos conselhos de Diane e Carolyn, BoJack possui uma ajuda sob a forma de Ana Spanikopita (voz de Angela Bassett), que nos apresenta uma presença feminina bastante forte, mas que consegue oferecer um outro tipo de comédia como a gestora de publicidade controladora da estrela equestre. Mas como tinha afirmada, Will Arnett é praticamente a estrela da série, e este é o seu melhor trabalho até agora, já que apresenta um novo desafio para BoJack, que se começa a questionar a sério a velha questão correspondente à chamada crise da meia-idade: “E agora?”. Sim, BoJack está longe de ser a personagem mais perfeita de qualquer série. Aliás, todo o seu comportamento leva-nos a repudiar toda e cada ação que faz, mas ao mesmo tempo, ficamos a perguntar aonde o trajeto que a série está a tomar o vai levar. E como se a preparar para uma possível quarta temporada, o seu final deixa muitas linhas narrativas em aberto e com potencial para desenvolvimentos, no mínimo, interessantes.

Como série animada orientada uma audiência mais adulta, “BoJack Horseman” não tem tabus nem receios de abordar temas mais pesados e contemporâneos. Não, não há quaisquer referências a crises financeiras ou atentados terroristas, mas aborda, por exemplo, a verdade nua e crua sobre o que se passa do outro lado dos holofotes da fama. Numa situação também abordou temas sobre natalidade não-controlada e, por consequência, a questão sobre o aborto, se bem que nesta situação, e graças a uma personagem que mais se aproxima a uma Miley Cyrus na vida real, uma dura crítica à vida que uma pop star leva. Prostituição, objetificação da mulher, legados, são temas que também ganham bastante relevância nesta temporada.

Melhores episódios? É uma tarefa bastante complicada de executar, mas o destaque virá para o 4º e 11º episódios (ATENÇÃO: Possível entrada em território SPOILER, por isso toca a saltar este parágrafo). O quarto, por uma questão de recorrer a descrições cénicas em vez de diálogos para contar a sua história que acaba num tom bastante amargo; e o décimo-primeiro, em que vemos um BoJack bêbado e sob a influência de estupefacientes, juntamente com Sarah Lynn (voz de Kristen Schaal) de forma a tentar pedir ajuda por todas as suas atitudes deploráveis até à data, também acabando de uma forma brusca, mas não menos agridoce.

(NOTA PESSOAL: surpreendeu-me conseguir verter uma lágrima na season finale, uma honra normalmente guardada para os filmes da Disney.)

O Pior: Pouco ou nada há a declarar sobre esta terceira entrada na primeira série animada original da Netflix. Apesar de incidir mais numa vertente dramática e relegando o humor seco para segundo plano, foi uma lufada de ar fresco para a série, e abordar temas controversos e contemporâneos foi um movimento arriscado, mas que foi bem compensada.

BoJack Horseman terá uma quarta temporada.

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