Cinema Críticas

Crítica: Suicide Squad

Suicide Squad

Nome: Esquadrão Suicida
Título Original: Suicide Squad
Realizado Por: David Ayer
Elenco: Will Smith, Margot Robbie, Jared Leto, Viola Davis, Joel Kinnaman, Cara Delevingne, Jai Courtney
Duração: 123 min.

O terceiro filme do Universo da DC Comics chega esta semana aos cinemas, escrito e realizado por David Ayer e com uma tarefa difícil nas mãos. Suicide Squad chega meses depois de Batman v Superman: Dawn of Justice, um filme que não agradou a críticos e dividiu os fãs, isto já depois de um início instável para a franchise com Homem de Aço. A campanha de marketing de Suicide Squad não teve falhas e deixou os fãs entusiasmados para um filme altamente aguardado que prometia trazer humor a um universo tipicamente mais dramático, bem como um novo conceito: um filme sobre vilões, sem dúvida um ponto forte da DC até agora.

Resta então saber se Suicide Squad esteve à altura das expectativas e se restaurou a confiança no estúdio. E a resposta curta é: tentou, mas infelizmente, não. O filme sofre de uma falta de estrutura e de erros de ritmo, enredo e edição inaceitáveis. As personagens são-nos inicialmente atiradas à cara umas atrás das outras, com a sensação de que muito foi cortado ao longo do filme, com flashbacks introdutórios que pretendem estabelecer as personagens o mais depressa possível para podermos seguir para a ação. Ação esta que se estende durante grande parte do filme sem grande estrutura, com um pequeno confronto aqui e ali mas sem nunca nos mostrar o que a equipa em si consegue realmente fazer. Num filme de equipa, a parte mais satisfatória tende a ser a batalha em que a equipa mostra o que consegue fazer em conjunto; como consegue unir as suas capacidades e qual é o propósito de ter exatamente estas personagens juntas. Mas esse momento nunca chegou. Houve algumas lutas interessantes, e cada personagem foi tendo os seus momentos para mostrar o que conseguia fazer, mas chegamos ao fim do filme sem perceber porque Amanda Waller quis juntar especificamente este grupo de pessoas, já que com raras exceções, a batalha final só consegue enaltecer as capacidades de um elemento: os vilões. No fundo, se as reshoots que o filme levou a cabo foram realmente para trazer mais ação, não se notou.

Mas o ponto forte de Suicide Squad são precisamente as personagens, e é por isso que o filme começa a mostrar falhas cedo. Ver um elenco escolhido na perfeição, que encaixa nos papéis como uma luva, a fazer prestações magníficas consegue ser uma experiência frustrante. Isto porque não há respeito suficiente pelas personagens para lhes dar uma introdução de mais de cinco minutos, com a exceção de Deadshot, Harley Quinn e Diablo, que conseguem brilhar durante o filme. Uma das personagens que mais curiosidade despertou nos fãs foi Joker, que deixou muitos de pé atrás desde que viram as primeiras imagens. Jared Leto foi excelente, a utilização do Joker foi um desperdício. A personagem existe neste filme para nos ajudar a perceber quem é Harley Quinn. E isso não é necessariamente negativo; é uma parte essencial da personagem que tinha que ser abordada. Mas no Joker temos uma personagem que merece muito mais, que podia fazer mais do que fez e que, com uma brilhante prestação como a de Jared Leto devia ter deixado uma maior marca neste filme. Não deixa, no entanto, de despertar a curiosidade para futuros filmes, se a DC decidir aproveitar esta excelente versão da personagem.

Mas apesar das falhas em algumas das personagens principais, o que realmente destrói este filme são os vilões. As personagens não têm um segundo de desenvolvimento, não passam do mais genérico dos genéricos de um filme deste género, com um abuso de efeitos especiais que chega ao ridículo. O elenco fez o que conseguiu com personagens sem ponta por onde se lhe pegue. Nas poucas cenas em que as simplificaram, foram cativantes; assim que o filme sentiu que precisava que os vilões fossem uma ameaça a nível global, tornou-se um circo que quase queria ser complexo, mas ao mesmo tempo não se queria dar ao trabalho de ser mais do que as “pretty lights” de que Harley Quinn tanto gostou.

Mas nem tudo foi negativo. Foi o primeiro filme do DCEU que arrancou do público bastantes gargalhadas e em que as personagens eram realmente divertidas (com destaque para Harley Quinn, Deadshot, Captain Boomerang e Killer Croc). O elenco funcionou na perfeição, com uma excelente dinâmica e interações muito interessantes entre Will Smith e Margot Elise Robbie, bem como entre Margot e Jared Leto. Foi uma sequência de boas prestações atras de boas prestações de um excelente elenco. O filme não teve medo de explorar a loucura das personagens, principalmente Harley Quinn e Joker, com vários momentos que relembram o público que por muito carismáticas que estas personagens sejam, são vilões. Visualmente, teve alguns bons momentos e algumas cenas de ação muito bem conseguidas, embora nenhuma fosse particularmente impressionante e nenhuma enaltecesse a dinâmica de grupo numa batalha. O filme foi também capaz de se posicionar no DCEU de forma muito eficaz, sem nos relembrar a todos os segundos de que faz parte de um universo, mas com referências e cameos bem planeadas. O tom do filme foi perfeito, conseguindo equilibrar drama e humor exatamente como era esperado.

Suicide Squad foi uma sequência de cenas boas e más, com um enredo que deixou muito a desejar, vilões descartáveis e um elenco fantástico que funcionou na perfeição em equipa, mas que merecia melhor e que carregou o filme às costas. Algures dentro deste filme está o potencial para algo perfeito, que pode ainda vir a acontecer. Mas ainda não foi desta que a DC provou merecer a nossa confiança, mostrando mais uma vez que consegue pegar no mais alto potencial e estragá-lo de formas que nunca achámos possíveis. Esperemos que o próximo filme altere esta tendência.

Trailer – Suicide Squad

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