Frame by Frame The Flash TV

The Flash – 3×17 – Duet

The Flash

Quando Supergirl chegou às televisões e o Flash (Grant Gustin) resolveu dar um salto à CBS para uma visitinha, muitos fãs consideraram uma hipótese da existência de um crossover musical entre as duas séries, algo também partilhado pelos atores das duas séries, No ano passado, teve-se um passo para a frente desse sonho quando a série mudou de casa para a The CW. E depois de muita insistência (e também muita paciência), esse crossover finalmente chegou!

Encontramos Barry a fazer o luto do fim da sua relação amorosa com Iris (Candice Patton), a ver o Singin’ in the Rain (parece que o musical é um dos géneros preferidos do Homem Mais Rápido do Mundo). Mas o dever chama quando se dão conta de uma brecha na STAR Labs, de onde emergem J’onn J’onnz (David Harewood), Mon-El (Chris Wood) e uma Supergirl (Melissa Benoist) num estado de coma. As coisas ainda dão para o torto quando Music Meister (Darren Criss) aparece de rompante na STAR Labs e coloca Barry num coma semelhante, deixando a equipa (mais os convidados) a lidar com o Music Meister e tentar salvar Barry e Kara.

O subplot passado no mundo real é, em comparação com o plot principal (já vou a esse ponto daqui a bocado), mais fraco. Muito porque seguiu uma fórmula já muito explorada na série: encontram um ser para abater, e fazem todos os possíveis para o fazer, com a benesse de ser um team-up entre Cisco (Carlos Valdés), Wally (Keiynan Lonsdale) e J’onn para impedir o Music Meister. Infelizmente, eles pouco ou nada têm para fazer no mundo real. E também mina o problema de Wally, já que o vimos emocionalmente instável depois dos eventos de Into the Speed Force, para depois ficar bem num espaço de dias.

Com as falhas do mundo real, cabe a Barry e Kara salvar o episódio. E aqui vai o destaque da noite: eles não estão meramente num coma, já que as suas mentes são transportadas para uma realidade alternativa que se assemelha a uma América na altura da Grande Depressão. Barry e Kara são dois músicos que trabalham num restaurante de Malcolm (John Barrowman), e são raptados por um mafioso (Jesse L. Martin) para encontrarem a sua filha desaparecida. Embora este plot possa ter algumas semelhanças com o famoso West Side Story, além de contar com alguns estereótipos dentro do género e espaço temporal (temos Cisco a fazer de um empregado de mesa que sonha em tornar-se músico… aonde é que já se viu isto antes?), também conta com alguns twists pelo meio. A sério, ri-me quando o sósia de Joe West era casado… com o sósia de Martin Stein (Victor Garber) (!!!). Outros sósias incluem Winn (Jeremy Jordan), o pianista da zona, Iris como a filha dos mafiosos e Mon-El como o filho de Malcolm (ironicamente, e nesta realidade, chamado Tommy… perceberam esta, fãs de Arrow?). Se a situação não era algo de surrealista, Barry e Kara, de acordo com a situação apresentada por Music Meister, têm de seguir o guião da história até ao fim, que inclui cantar e dançar. E aqui está um dos pontos fortes do episódio: as canções. Um musical não seria um musical se não contasse com momentos musicais de encher o ecrã. E o episódio tem bastante disso, desde um momento mágico de Kara a cantar uma versão de “Moon River” (https://www.youtube.com/watch?v=KDR7U3vvncU), o número musical elaborado ao som de “Put a Little Love in Your Heart” (https://www.youtube.com/watch?v=vjL_3gW45fM), passando pela super-original “Super Friend” (https://www.youtube.com/watch?v=sH7Jyohm0TI) (PS: parabéns a Rachel Bloom, de fama por Crazy Ex-Girlfriend, por elaborar uma letra alegre e cheia de energia positiva, como de costume!), o amor paternal mostrado em “More I Cannot Wish You” (https://www.youtube.com/watch?v=RSiGSmGKFNg) e, claro, a musical final do episódio, “Runnin’ Home to You” (https://www.youtube.com/watch?v=R2lcNxJvKc4), esta última da autoria dos responsáveis por detrás das músicas tocantes de La La Land.

E aqui encontramos o outro ponto positivo da noite. Já é hábito Gustin e Benoist terem um bom trabalho quando estão juntos. Mas Duet eleva a fasquia. Sim, ambos são adoráveis e fazem-nos soltar um sorriso de uma ponta à outra. Mas aqui está outro ponto positivo na sua amizade: apesar de ambos estarem nos seus piores momentos pessoais (Barry em desgosto amoroso por causa da sua relação com Iris e Kara incapaz de perdoar Mon-El por causa dos seus segredos), conseguem estar lá para ajudarem um ao outro. O que serve como ode à sua amizade, que se revela como uma das mais sólidas da Flarrowverse no seu todo.

Mas outro ponto a ter em conta: e Music Meister? O que se pode achar sobre o vilão? Não tenho a certeza se o podemos classificar como um vilão. Sim, coloca os nossos heróis numa dor de cabeça, mas ele faz com as suas melhores intenções (nas suas palavras, é para eles aprenderem uma valente lição). Também ajuda quando Darren Criss não aborda o papel como um vilão per se, assemelhando-se um pouco com Mxyzptlk em Supergirl. Só chateia por não vermos o veterano de Glee a usufruir da sua voz ou de sabermos mais detalhes sobre ele. E se calhar, tirando a parte musical quase inexistente, é o melhor.

Sim, este crossover musical poderá não ficar na memória de muitos, mas sempre foi uma mudança de ritmo para duas séries que estão a passar por maus bocados. E simplesmente funciona como uma verdadeira ode à amizade entre o Homem Mais Rápido do Mundo e a Rapariga de Aço.

0 86 100 1
86%
Average Rating
  • 86%

Comments