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Legion – 1×01 – Chapter One

Legion

Verdade seja dita, e podem trazer as tochas e afins: nunca vi a série Fargo. Reconheço que Noah Hawley fez uma obra invejável a partir de um filme icónico dos irmãos Coen, mas nunca me puxou para ver (sei que faço mal, mas olha, nem todos podemos ser perfeitos). Por isso, foi com alguma surpresa que soube que Hawley voltaria a juntar esforços com a FX Networks para trazer uma nova série. Especialmente quando essa série anda à volta de uma personagem do universo dos X-Men. Falo-vos, claramente, de David Haller, também conhecido como, lá está, Legion!

David é um jovem que acredita sofrer de esquizofrenia, já que o próprio descreve que houve vozes e vê pessoas que não estão lá. Haller encontra-se num hospital psiquiátrico, onde toma uns comprimidos de forma diária para tratar da sua saúde mental. Mas o que poderia considerar como vozes na sua cabeça afinal são os poderes de David a emergirem.

Desde Elliot de Mr. Robot que não me recordo de uma personagem “louca” como David. Dan Stevens impressionou meio mundo com a sua performance na série Downton Abbey, o que lhe permitiu abrir novos horizontes e desafios (em breve vere-lo-emos como o Monstro de Beauty and the Beast). Nesta situação, no entanto, vemos Stevens a abraçar um lado mais louco na sua carreira. Por cada momento de lucidez que vemos espelhado nos olhos de David, encontramos diversos momentos de pura paranóia que o jovem ator consegue transmitir na perfeição. Aliado a Stevens encontramos personagens como Syd Barrett (Rachel Keller), uma jovem que não suporta contacto físico com as pessoas (e funciona também como interesse romântico de David) ou Lenny Busker (Aubrey Plaza), uma residente do mesmo hospital de David que funciona como a “amiga chegada”, por assim dizer.

Sim, podia falar-vos sobre como a história que a série vai abordar. No entanto, a série consegue oferecer muitas perguntas em vez de respostas, o que nem é mau. O que podia ser uma série tradicional sobre super-heróis (as séries Arrow, The Flash, DC’s Legends of Tomorrow e Agents of S.H.I.E.L.D. são, de certa forma, tradicionais) é relegado para segundo plano, focando-se, em vez disso, na forma como David observa o seu mundo. E Noah Hawley aproveita a deixa para aventurar-se com conjuntos de efeitos visuais de meter inveja, experimentando planos fora do comum e arriscados para uma série de super-heróis. Mas se calhar a cereja no topo do bolo da série? É que, por mais que se saiba que se trata de “mais uma série de super-heróis”, Legion mascara perfeitamente esse conceito. Sem conhecimento anterior sobre a história de David, qualquer um atrever-se-ia a dizer que se trata de um thriller psicológico sobre pessoas com dons fora do comum.

O que se pode dizer mais sobre este primeiro capítulo? Embora possa parecer confuso (na melhor das hipóteses) e oferecer mais dúvidas do que propriamente respostas, a verdade é que Noah Hawley voltou a acertar em cheio com a FX. Ambicioso, arriscado, Legion é uma série de super-heróis sem contar com super-heróis. Fiquem atentos para mais episódios!

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