Frame by Frame TV Westworld

Westworld – 1×10 – The Bicameral Mind

Westworld

Tenho de tirar o chapéu ao Jonathan Nolan, ele soube mesmo fechar uma temporada soberba com um bang!, literalmente. Quer dizer, vários bangs, mas é o único spoiler que mando nesta review.

Desde o primeiro episódio que Westworld foi revolvendo através dos vários mistérios que nos foi colocando. Quem é o Arnold? Qual é a verdadeira identidade do Homem de Negro (Ed Harris)? Em que linha temporal é que a verdadeira narrativa da série se desenrola? E quem é o Wyatt? Essas são algumas de muitas questões que a série colocou e que fez com que muitos fãs vissem e revissem os episódios em busca de quaisquer indícios de respostas ou pistas. E sinceramente, é uma das grandes forças da série; enquanto que muitas séries e filmes de ficção científica conseguem ser bastante lineares, é na sua complexidade que Westworld ganha a sua maior força, apelando ao espectador que não tome tudo o que vê como certo, como garantido. Nem tudo o que parece, é. Algo que é novamente confirmado neste episódio.

Depois de 10 episódios, finalmente se descobre a verdadeira identidade do HdN; no entanto, através das várias pistas colocadas à frente do nariz, aliadas às mais variadas teorias que circulam na Internet, esta revelação ficou aquém do desejado. Felizmente, a falta de impacto dessa revelação não prejudica muito o desenrolar do episódio. Aliás, o episódio teve imensos momentos de encher o olho, incluindo uma cena de combate entre o HdN e Dolores (Evan Rachel Wood) numa das cenas de ação melhor executadas da série no seu todo.

Falando em Dolores, este episódio marca o fim da sua jornada de auto-descoberta em busca do malfadado labirinto. Embora a sua conclusão tenha também deixado um bocado a desejar (porque vai de encontro à revelação do HdN), é no pós-busca que Dolores encontra o seu grande momento da série, com a personagem a descobrir, graças a umas quantas dicas de Ford (Anthony Hopkins) e às vozes da sua mente, algumas verdades sobre o seu passado e da sua verdadeira identidade. Não se fala muito sobre a qualidade da atriz, muito porque alguns dos seus segmentos nos episódios anteriores não lhe dão muito para fazer. No entanto, Evan Rachel Wood protagoniza alguns dos melhores momentos da noite, inclusive o cliffhanger com que o episódio fecha.

Entretanto, Maeve (Thandie Newton) continua com o seu plano de fuga de Delos, recrutando, para esse efeito, a ajuda de Hector (Rodrigo Santoro), Armistice (Ingrid Bolsø Berdal) e Felix (Leonardo Nam) para esse efeito. Mas já se sabe que a fuga não é propriamente silenciosa, o que desencadeia a outra sequência de ação, esta aqui mais frenética. Infelizmente, a cruzada de Maeve foi-nos vendida como um ato sem retorno, só para no último minuto cair aos pedaços.

Portanto, já se sabe que este episódio não teve assim conclusões perfeitas para alguns dos seus enredos. No entanto, uma coisa é certa: ao menos a série conseguiu resolver algumas das suas questões mais pertinentes (como a revelação sobre o HdN ou de Wyatt), conjugado também com trocas de diálogos brilhantes e repletos de significado filosófico que só Westworld consegue. E também a série teve a audácia de deixar ainda mais questões para resolver quando a segunda temporada chegar. A pior parte? É ter de se esperar por 2018 para isso acontecer.

Por isso já sabem: toca a ver séries atrás de séries (e rever esta temporada em busca de mais pistas)!

0 86 100 1
86%
Average Rating
  • 86%

Comments