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Hannibal – Series Finale – 3ª Temporada

Hannibal

A viagem espiritual de Will Graham e Hannibal Lecter chegou ao fim após o anúncio de cancelamento da NBC e da recusa de outros canais em manter a saga viva. Nesta terceira epopeia de Hannibal, o assassino mais famoso do mundo refugia-se em Itália, terra do requinte e da boa comida, e traz como refém Bedelia DuMaurier, sua psiquiatra. Apesar de o cenário ser completamente diferente do estilo gótico da América, Hannibal parece requintar ainda mais as suas refeições e cabe a Will Graham e Jack Crawford de descobrirem o paradeiro do criminoso. Nisto, o recentemente desfigurado Mason Verger decide lançar uma recompensa a quem lhe trouxer o canibal, o que interfere com as investigações policiais. Passados uns anos, Hannibal depara-se com um novo adversário, um que contrasta com a sua técnica de homicídio, rivalizando a sua ética intelectual e enigmática: o Dragão Vermelho.

O Melhor: A beleza de imagens aliada a um talento magnífico dos atores e a cenários classicistas e bem definidos trazem novamente o carisma à série de Bryan Fuller. A presença de Richard Armitage foi também ela vista com bons olhos, assim que o ator arranca uma excelente prestação como o novo vilão de serviço. A narração ritmada e argumento sedutor também continuam a trazer ainda mais vivacidade ao universo destas personagens que embelezam um tema horripilante e sangrento. A banda-sonora também contribui para isto, sendo que anda lado a lado com os momentos-chave dos episódios, aumentando as doses de suspense.

O Pior: Hannibal é uma série que não é para todos. A excessiva forma de requintar uma premissa assustadora e sanguinária consegue muitas vezes ultrapassar o pensamento do espectador, que se vê embrenhado num argumento filosófico e desinteressante em certas alturas. Os diálogos profundos e as referências a períodos históricos transpõem a parte mais degradante das personagens que, mesmo em situações de desespero, parecem ter um cuidado enorme com a linguagem. A meu ver, isto é uma marca de qualidade da série, mas para o restante público poderá ser um obstáculo aquando do seu visionamento. Estamos no meio de indivíduos cultos, inteligentes, astutos, personagens da alta sociedade que mostram a linha ténue entre a sanidade e a loucura, entre o justo e o errado, entre a vida e a morte. Mas, isto muitas vezes torna-se incomodativo, especialmente no clímax das cenas mais intensas, pois numa situação normal ninguém se preocuparia na arte de bem falar ou em pensamentos complexos que desafiam a lei normal das coisas. Apesar disto, Hannibal não merecia ser cancelada. A atitude prematura da NBC reflete uma necessidade exagerada de conseguir audiências elevadas e pouco respeito pelo público que acompanha os seus trabalhos e, diga-se, que Hannibal é exatamente aquela série que não é feita para massas, mas sim para quem entende o verdadeiro conceito de cinematografia e de requinte. É uma série de qualidade que prima pelas suas criatividades de mentes de perturbadas e pela classe com que pinta as personagens lunáticas da sua narrativa.

A série foi cancelada.

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A terceira temporada (e final) de Hannibal é intensa e visualmente bela, no entanto, por vezes o requinte torna-se confuso para o espectador.

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