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FEUD: Bette and Joan – 1×08 – You Mean All This Time We Could Have Been Friends?

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Desde o início que sabíamos as claras intenções e a premissa da série. Mostrar o conflito real que existiu entre duas das maiores lendas do cinema de Hollywood, Bette Davis e Joan Crawford.
Ao longo dos 7 episódios que antecederam o final, fomos conhecendo exatamente como ambas eram, sem floreados e simpatias, a infância difícil e o sofrimento na indústria. Duas pessoas humanas, ambiciosas e que viveram sempre na sombra da aparência e do trabalho. Duas lendas que nunca aproveitaram realmente o sucesso de quem foram e do que fizeram.

Neste capítulo final, o que Ryan Murphy e a equipa nos quiseram mostrar foi a solidão com que viveram os últimos anos das suas vidas. A sequência inicial mostra-nos uma Joan a viver uma vida pacata e isolada no seu apartamento em Manhattan, apenas na companhia de um cachorrinho e com o regresso de Mamacita, depois desta a ter abandonado.

No entanto, tudo está longe de ser um mar de rosas. A atriz aceita fazer parte de um filme de segunda categoria, com a intenção de dar uma nova oportunidade à carreira mas o filme Trog só se veio a revelar uma experiência humilhante, assim como o livro sobre o seu estilo de vida, “My Way of Life” que apenas serviu como piada. Além de tudo, é mostrado ainda numa simples visita ao dentista, o quão a aparência sempre foi importante, sendo que Crawford retirou seis dentes aos 23 anos para suavizar o contorno do rosto e assim aguentar mais tempo na indústria.
Do outro lado da história temos Davis que tenta a sua sorte na televisão, fazendo pilotos para séries que nunca vão para a frente. É visível a sua frustração depois de tanto ter lutado pelo seu lugar. Acaba por fazer outro filme com Faye Dunaway, alguém que parece odiar mais que Joan e isso só comprovamos quando em conversa com Victor Buono, descobre que a eterna rival está com cancro e vemos o impacto da notícia no seu rosto. Incitada pelo amigo para lhe ligar, acaba por não ser capaz. E pensar que talvez bastasse este passo para a guerra terminar…

Tivemos ainda neste final, uma das melhores cenas de toda a série. Com a sua estabilidade mental afectada e uma semana antes de morrer, Joan Crawford tem uma alucinação onde vê na sua sala de estar Hedda Hopper e Jack Warner a confraternizarem. Senta-se com eles e falam de tudo aquilo que fizeram com ela, entre momentos de seriedade e risos, onde a diva diz uma frase-chave para tudo que aconteceu na sua vida: “Não sei quem sou quando estou sozinha”. Dá-se então também a chegada de Bette à sala e a magia acontece.

Num jogo proposto por esta sobre arrependimentos, as duas baixam as armas e mostram que têm mais em comum do que pensavam. Isto era o que deveria ter acontecido realmente e é triste ver que tudo não passou de uma ilusão.

Outras cenas maravilhosas foram as das duas lendas com as respectivas filhas. Bonitas e duras ao mesmo tempo, principalmente a de B.D., onde é visível o desprezo e a mágoa que esta sente pela mãe.

A mensagem da série foi simples: o sonho custa nesta indústria, principalmente para as mulheres e para os grupos marginalizados como os homossexuais e por isso é importante olhar duas vezes para as pessoas além do trabalho e das aparências. Num final emotivo, sem “happy endings” e na maioria do tempo brilhante, fica na memória quem foram estas mulheres acima de qualquer papel e do sucesso.

Foi uma série sobre atrizes e de atrizes. É notório o destaque dado a Jessica Lange (não é de estranhar visto a relação profissional de alguns anos que tem com o criador) e aqui a atriz só nos volta a dar mais uma prova do quão maravilhosa é. Mas também Susan Sarandon, com uma interpretação forte e segura, nos conquista desde o princípio.
Aqueles minutos finais com as duas no primeiro dia de filmagem do filme “What Ever Happened to Baby Jane?“? Inesquecíveis. As duas em amena cavaqueira e deixando no ar a hipótese de uma amizade no final da rodagem, revela como podia ter sido tudo diferente e só nos deixa com o coração mais apertado.
Espero que tenham gostado tanto desta viagem como eu. Não, não estou a chorar nada…

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Num final emotivo, sem finais felizes e na maioria do tempo brilhante, fica na memória quem foram estas mulheres acima de qualquer papel e do sucesso.

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